Patinando em acordo com Irã, Trump ameaça explodir aliado se ‘não se comportar’

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Navios passam pelo estreito de Hormuz próximo à costa do Omã; passagem marítima é alvo de impasse em negociações com EUA - Reuters

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse na quarta-feira (27) que ainda não está satisfeito com os termos de um possível acordo com o Irã e afirmou que os EUA não estão discutindo o alívio das sanções contra o país.

Falando a repórteres durante uma reunião de gabinete na Casa Branca, Trump voltou a fazer ameaças contra o regime iraniano. “O Irã está muito determinado, eles querem muito fazer um acordo. Até agora, não chegaram lá… não estamos satisfeitos com isso, mas estaremos. Estaremos ou teremos que simplesmente terminar o trabalho”, disse Trump.

As negociações entre os dois países seguem estagnadas com a discussão sobre o controle do estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e gás, e o programa nuclear iraniano. Apesar da extensão do cessar-fogo estabelecido em 8 de abril, os EUA atacaram o Irã na segunda-feira (25), com bombardeios no sul do país.

Trump disse hoje que a intenção é que um possível acordo com Teerã abra o estreito imediatamente, sem ser controlado por um país específico.

“Vamos supervisionar, mas ninguém vai controlar. Isso faz parte da negociação que temos. Eles gostariam de controlar. Ninguém vai controlar. São águas internacionais e Omã vai se comportar como todo mundo ou teremos que explodi-los”, afirmou.

O Irã vem discutindo uma parceria com Omã —um aliado dos Estados Unidos— sobre um sistema que cobraria taxas das embarcações que passam pelo estreito, ignorando os alertas feitos pelo governo Trump contra exigências de pagamento para atravessar a importante via marítima internacional.

Na semana passada, em meio às discussões com Omã, a recém-criada Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico do Irã publicou nas redes sociais que havia “definido os limites da área de supervisão de gestão do estreito de Hormuz” e que a passagem exigiria uma permissão.

A Casa Branca não respondeu a um pedido de comentário sobre a declaração de Trump. A embaixada de Omã em Washington também não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Mais cedo, para a emissora PBS News, Trump afirmou que não retiraria sanções dos iranianos em troca da entrega de urânio enriquecido. “Eles vão abrir mão do urânio altamente enriquecido não por causa das sanções, de alívio”, afirmou.

Depois, ao grupo de jornalistas, Trump também disse que não se sentia confortável com a Rússia ou a China ficando com o estoque de urânio altamente enriquecido do Irã.

Em resposta, o chefe do Comitê de Segurança Nacional do Parlamento iraniano afirmou que o Irã não será intimidado pela retórica de Trump em relação ao direito de enriquecer e possuir urânio, à autoridade sobre o Hormuz e à remoção das sanções.

O presidente dos Estados Unidos também afirmou não estar preocupado com as consequências políticas de um conflito prolongado com o Irã, e que não tem medo das eleições de meio de mandato marcadas para novembro.

“Eles acharam que iam me cansar na espera”, disse Trump em uma reunião de gabinete na Casa Branca, referindo-se à liderança iraniana. “Sabe, ‘Vamos esperar ele cansar. Ele tem as eleições de meio de mandato.’ Não me importo com as eleições de meio de mandato.”

Trump fez os comentários enquanto discutia como encerrar o conflito. Ainda assim, muitos de seus aliados republicanos já estavam desconfortáveis com seus comentários anteriores, que minimizavam o impacto econômico da guerra sobre os americanos.

O presidente havia dito inicialmente que a guerra duraria de quatro a seis semanas, e ela já está se aproximando do quarto mês. Em alguns momentos, ele sugeriu que o conflito poderia terminar em questão de dias, apenas para depois sugerir que o conflito poderia se estender por algum tempo.

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