Discurso de Lula no G7 deve ter recados aos EUA; brasileiro não fez pedido para encontro com Trump
Lula e Trump em encontro na Casa Branca — Foto: Ricardo Stuckert
O governo brasileiro não solicitou uma reunião bilateral entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump, dos Estados Unidos, durante a cúpula do G7, que ocorrerá na próxima semana, na França. Tampouco recebeu dos americanos qualquer sinalização para um encontro do tipo num momento de recrudescimento da disputa comercial após o anúncio de um novo tarifaço.
Não há preparativos, por ora, para um encontro entre os dois líderes durante a cúpula. Uma reunião nos moldes da realizada em outubro do ano passado, na Malásia, com equipes de negociação de ambos os países e uma estrutura diplomática mais robusta, é considerada improvável.
A avaliação do Palácio do Planalto é de que, do ponto de vista político, não há necessidade de uma nova reunião entre Lula e Trump neste momento. Auxiliares mencionam que o grupo de trabalho criado após o encontro em maio entre os dois, na Casa Branca, já está encarregado de conduzir as tratativas sobre o tema.
Em relação à investigação comercial que recomendou a imposição de uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, interlocutores do governo citam o prazo até 15 de julho para que o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) divulgue seu relatório final. A decisão sobre a adoção ou não das tarifas caberá, em última instância, a Trump.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, reuniu-se em 28 de maio com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, para discutir o tema. Uma nova rodada de conversas entre os dois deverá ocorrer em breve. O governo brasileiro aguarda um novo contato de Greer para avaliar os próximos passos da negociação.
Por esses motivos, integrantes do governo brasileiro avaliam que não faria sentido promover um novo encontro entre Lula e Trump apenas para reiterar posições que já foram apresentadas pela gestão petista, inclusive sobre a decisão dos EUA de classificar o CV (Comando Vermelho) e o PCC (Primeiro Comando da Capital) de organizações terroristas.
O evento do grupo que reúne Alemanha, Canadá, Estados Unidos, Itália, Japão, Reino Unido e França será realizado em Évian-les-Bains, no leste francês, de 15 a 17 de junho. Lula deverá se encontrar com o presidente francês, Emmanuel Macron, e com a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi.
O governo brasileiro também avalia que a cúpula poderá servir de palco para o anúncio do início das negociações de um acordo de livre comércio entre o Mercosul e o Japão, uma pauta defendida por Lula durante a presidência brasileira do bloco. A formalização do anúncio, contudo, depende da disponibilidade e do calendário dos demais países envolvidos.
No G7, Lula participará de sessões sobre parcerias internacionais e crescimento econômico equilibrado. Em seus discursos, o presidente brasileiro deverá reforçar recados a Trump com críticas ao unilateralismo e ao protecionismo, mas sem menções diretas ao americano.
O tom do petista deverá ser diferente do que ele tem adotado em falas durante eventos no Brasil. Auxiliares avaliam que, no cenário doméstico, as declarações de Lula estão inseridas na dinâmica da disputa política e que uma postura mais contundente é necessária para evitar demonstrações de fragilidade.
No exterior, no entanto, o recado será mantido, mas deverá ser apresentado de uma forma mais polida.
