Secretário de Estado dos EUA lança iniciativa global contra ‘terrorismo da extrema esquerda’

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O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, lançou na quinta-feira (16) uma iniciativa liderada por Washington para coordenar esforços internacionais de “combate ao terrorismo de extrema esquerda”. A autoridades de mais de 60 países, o americano afirmou que a violência atribuída a grupos desse espectro político foi negligenciada nos últimos anos.

Homem de terno escuro e gravata azul olha para a esquerda com expressão neutra. Ao fundo, várias bandeiras coloridas desfocadas, sugerindo ambiente oficial ou internacional.
O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, faz um discurso de abertura durante o “Ministerial sobre o Ressurgimento do Terrorismo Político”, em Washington – Brendan Smialowski/AFP

Durante o discurso de abertura da conferência em Washington, intitulada Ministerial sobre o Ressurgimento do Terrorismo Político, o secretário afirmou que a ameaça da militância islâmica foi “severamente reduzida” graças à cooperação internacional, mas disse que o crescimento da violência de esquerda representa um “ponto cego” para os governos.

“Podemos e devemos identificar e mapear essa ameaça e reconstruir nossa arquitetura de contraterrorismo para derrotá-la”, disse Rubio. O secretário descreveu uma ameaça transnacional representada por organizações que, segundo ele, têm políticos e infraestruturas como alvos e são motivados pelo “ódio ao Ocidente e ao seu sucesso”.

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Entre os países convidados para o evento estava o Brasil. O Ministério das Relações Exteriores avaliou a participação, segundo apurou a Folha, mas decidiu não enviar representante.

O presidenteDonald Trump fez do combate a grupos de esquerda uma das prioridades de seu governo. O tema ganhou destaque durante a campanha eleitoral de 2024, e o republicano prometeu adotar medidas contra organizações que acusa de incentivar a violência após o assassinato do ativista conservador e aliado político Charlie Kirk, no ano passado.

Organizações que atuam em defesa das liberdades civis, caso da União Americana pelas Liberdades Civis, porém, alertaram que a classificação de grupos como organizações terroristas poderia atingir movimentos de protesto legítimos e adversários políticos em vez de representar uma resposta a ameaças reais à segurança.

Em maio, Washington já havia organizado um seminário sobre segurança pública para discutir a suposta ameaça de grupos de extrema esquerda. Rubio afirmou ainda que os EUA pretendem realizar um segundo encontro sobre o tema na Alemanha.

“Ou cooperamos através de nossas fronteiras ou os terroristas continuarão a explorar as brechas entre elas”, disse o secretário. “Os EUA estão construindo a infraestrutura, a parceria e a estratégia para derrotar a praga do terror de extrema esquerda.”

Desde novembro, Washington classificou quatro grupos europeus —Antifa Ost, Federação Anarquista Informal/Frente Revolucionária Internacional, Justiça Proletária Armada e Autodefesa de Classe Revolucionária— de organizações terroristas estrangeiras. A medida permite, entre outras ações, a oferta de recompensas de até US$ 10 milhões (R$ 51 milhões) por informações sobre seus financiamentos.

Rubio afirmou ainda que grupos de esquerda mantêm relações com governos estrangeiros considerados hostis pelos EUA. Ele citou as redes de aliados do Irã que, segundo ele, estariam “cada vez mais intimamente ligadas a grupos militantes de esquerda ao redor do mundo”, mas não apresentou provas.

O secretário também acusou os líderes de Cuba de terem “ajudado a construir a extrema esquerda” nos EUA, novamente sem apresentar provas que respaldassem a declaração.

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