Operador do teleprompter de Trump é investigado por suspeita de usar informação privilegiada em apostas

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O operador de teleprompter de longa data de Donald Trump, Gabriel Perez, foi afastado das funções e está sendo investigado por órgãos reguladores federais por suspeita de uso de informação privilegiada na plataforma de mercado de previsões Kalshi, segundo duas pessoas a par do assunto.

Homem de terno azul e gravata vermelha fala em microfone atrás de púlpito branco, ajustando proteção acrílica transparente. Fundo com cortinas azuis.
Gabriel Perez prepara o teleprompter para discurso do presidente Donald Trump, em evento de campanha na Flórida – Carlos Barria – 6.nov.24/Reuters

A Kalshi identificou a atividade suspeita de negociação por meio de informações coletadas como parte de seus processos de cadastro de clientes e vigilância de mercado e encaminhou o caso à Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC), afirmou uma das fontes.

“Nossa equipe de vigilância prontamente sinalizou e encaminhou essas negociações à CFTC após uma investigação interna. Temos auxiliado os reguladores neste caso e fornecido as evidências que coletamos, como fazemos em qualquer encaminhamento”, disse Robert DeNault, chefe da área de fiscalização da Kalshi, à agência Reuters em um comunicado.

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Perez, o operador do teleprompter, está cooperando plenamente com a CFTC neste caso, disse a segunda pessoa. As fontes pediram anonimato porque o assunto é confidencial.

“O presidente está ciente da situação do operador do teleprompter, e o funcionário está agora em licença sem vencimento”, disse a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, na quinta-feira (16). Leavitt acrescentou posteriormente que Perez não trabalhará mais na Casa Branca.

Ela reiterou que Trump considera o suposto fato “profundamente lamentável e, francamente, uma vergonha”. “Existem diretrizes éticas muito rígidas aqui na Casa Branca que estabelecem explicitamente que isso não deve ser feito”, acrescentou.

Questionada se outros funcionários da Casa Branca tinham acesso ao Kalshi e ao Polymarket em seus dispositivos do governo, Leavitt disse que não sabia. Ela acrescentou que, até onde sabia, não havia outros funcionários da Casa Branca ou do governo suspeitos de usar informações privilegiadas para fazer apostas.

Várias autoridades e executivos foram recentemente investigados por suspeita de uso de informações privilegiadas em plataformas de mercado de previsão, como o Polymarket e o Kalshi.

No início deste ano, um soldado do Exército dos EUA foi acusado de fazer apostas relacionadas à captura do líder venezuelano Nicolás Maduro no Polymarket. Em junho, órgãos reguladores federais iniciaram uma investigação sobre o ex-deputado George Santos por possível uso de informações privilegiadas no Kalshi.

Os chamados “mercados de menções” da Kalshi incluem contratos que permitem aos operadores apostar se uma palavra ou frase específica será dita durante eventos públicos, como discursos, transmissões ou teleconferências sobre resultados financeiros de empresas.

Esses mercados têm enfrentado escrutínio regulatório, inclusive por parte da CFTC, devido a preocupações de que possam estar vulneráveis a uso de informações privilegiadas ou manipulação por pessoas com acesso antecipado a discursos preparados ou transcrições de discursos.

A Kalshi congelou a conta de Perez antes que os lucros, que totalizavam mais de US$ 90 mil (R$ 460 mil), fossem retirados da plataforma, disseram as fontes.

A investigação interna incluiu uma entrevista com Perez, e os formadores de mercado também relataram possíveis irregularidades em várias negociações no mercado de menções por meio de canais de denúncia, acrescentou a primeira fonte.

A Kalshi havia anunciado em junho que exigiria a divulgação de informações profissionais dos usuários que negociassem contratos sensíveis e lançaria um portal de denúncias —medidas destinadas a alinhar a plataforma às expectativas regulatórias de integridade do mercado.

Startups de mercados de previsão, como a Kalshi e a Polymarket, vêm enfrentando riscos regulatórios há anos, incluindo preocupações com manipulação de mercado e uso de informações privilegiadas.

Essas plataformas permitem que os usuários negociem contratos vinculados ao resultado de eventos futuros, como esportes, resultados eleitorais e condições meteorológicas. A ABC News foi a primeira a noticiar a investigação da CFTC sobre Perez na manhã desta quinta.

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