Olheiro de modelos ligado a Epstein é encontrado morto na França
Daniel Siad, caça-talentos de modelos acusado de recrutar mulheres para o criminoso sexual Jeffrey Epstein, foi encontrado morto em sua casa nos arredores de Paris.

A Justiça francesa investigava o homem, de 69 anos, após diversas denúncias de mulheres, especialmente por estupro. Ele negava as acusações e afirmava que queria ser interrogado para apresentar sua versão dos fatos.
Siad foi encontrado morto na segunda-feira (20) em sua casa em Colombes, e, no mesmo dia, a Justiça abriu uma investigação para determinar as causas da morte.
“Morreu e era inocente”, disse à agência AFP sua advogada, Menya Arab-Tigrine. “Se ele morreu de um infarto, essa espera [judicial] insuportável, a pressão e a angústia com as quais vivia diariamente devem ter tido alguma influência”, criticou.
A primeira denúncia contra ele foi apresentada em fevereiro pela ex-modelo sueca Ebba P. Karlsson. A mulher não conhecia sua identidade antes de reconhecê-lo nos arquivos relacionados a Epstein, nos quais Daniel Siad é mencionado em mais de mil documentos.
Em sua denúncia, Karlsson acusa Siad de tê-la estuprado quando ela tinha 20 anos e, em seguida, de tê-la explorado sexualmente, apresentando-a a Gérald Marie, antigo diretor da prestigiosa agência de modelos Elite, a quem ela também acusava de tê-la estuprado. Ambos negaram as acusações.
“Estou chocada”, disse Karlsson, sobre a morte do homem. “Daniel Siad estava prestes a ser detido. Trabalhamos tão duro para obter justiça e agora… É muito frustrante”, acrescentou.
“Todas nós tínhamos medo de que o matassem para impedi-lo de falar sobre os outros criminosos. Espero que seja realizada uma investigação minuciosa sobre as circunstâncias de sua morte.”
Karlsson e Lisa Brinkworth —que acusa Marie de agressão sexual em 1998— fundaram o coletivo Victorious Angels – We Rise, que há vários anos denuncia violências sexuais no meio da moda e no entorno de Epstein.
Em 2019, Jeffrey Epstein, detido nos Estados Unidos por exploração sexual de menores, foi encontrado enforcado em sua cela.
Em 2022, o agente de modelos francês Jean-Luc Brunel, próximo de Epstein, também foi encontrado morto. Ele se suicidou na prisão, após ter sido indiciado por estupros de menores e assédio sexual.
“É devastador que as sobreviventes do caso Brunel tenham sido primeiro privadas de justiça, e agora as do caso Siad”, lamentou Brinkworth. “A polícia deveria tê-lo prendido” após as denúncias, acrescentou.
Seus advogados, Colomba Grossi e William Bourdon, apontaram uma falha grave da Procuradoria de Paris, que, segundo eles, “debocha das vítimas de crimes sexuais”.
Após a morte de Brunel, as investigações foram encerradas sem que se aprofundassem em seu entorno, apesar de o nome de Siad ter aparecido no caso.
A divulgação, nos Estados Unidos, de milhares de arquivos pertencentes a Jeffrey Epstein as reativou, com a abertura, no início de 2026, de uma ampla investigação por parte da Procuradoria de Paris.

Siad representava uma pista valiosa, afirmou à AFP Juliette G., ex-modelo francesa de 43 anos que diz ter sido recrutada por ele em Paris para ser apresentada a Epstein em 2004.
Em junho, os investigadores a convocaram como testemunha para obter informações complementares, mas, com a morte, “desaparece mais um elo para esclarecer a história e encontrar os responsáveis”, lamentou.


