Flávio Bolsonaro mira SP com troca de marqueteiro e diz não entender rejeição entre mulheres
por Folhapress

A mais recente troca na equipe de comunicação de Flávio Bolsonaro (PL) e a decisão do candidato de participar de um encontro, na manhã desta sexta-feira (31), com vereadores de São Paulo têm como pano de fundo uma decisão da campanha de intensificar a presença no estado.
A equipe de Flávio avalia que o caminho para a Presidência passa por São Paulo, e a familiaridade com o estado foi um dos fatores que mais pesaram na contratação do marqueteiro Duda Lima para o time do senador.
Além de ter feito campanha para Jair Bolsonaro em 2022, Lima fez a campanha vitoriosa de Ricardo Nunes (MDB) há dois anos, quando o prefeito de São Paulo se reelegeu.
A estratégia é tentar ampliar a liderança em São Paulo —estado em que Flávio já está à frente de Lula (PT), segundo a mais recente pesquisa Genial/Quaest— para conquistar mais votos no país como um todo.
Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador que será candidato à reeleição, lidera com folga no estado, e a equipe do senador conta com sua influência sobre o eleitorado para concretizar o plano.
Segundo assessores do senador, Flávio deverá ter agendas de campanha na periferia da capital ao lado de Tarcísio e Nunes. A participação do prefeito na campanha tem sido vista como até mais ativa do que a do governador, segundo aliados do próprio Nunes.
Foi ele quem organizou, nesta sexta, um café do senador com vereadores, que reuniu 21 membros da Câmara Municipal. Enquanto Flávio discursava para o grupo, um de seus assessores fez as contas e avaliou que o conjunto de políticos paulistanos tinha 2,5 milhões de votos.
Ao se dirigir a eles, Flávio fez uma série de ataques ao governo Lula.
“Está fácil explicar para eles a diferença entre Bolsonaro e o império do mal que está colocado aí”, disse.
“Não dá para compreender como é que as pesquisas mostram, por exemplo, que as mulheres estão votando mais lá [em Lula] do que aqui. As pautas das mulheres são as pautas que nós defendemos”, disse.
“Pergunta para uma mãe se ela quer um filho drogado. É a direita ou a esquerda que é contra as drogas? Porque a esquerda faz programa de liberação de drogas. Não tinha aqui uma bolsa crack?”, questionou.
Flávio disse ainda que Lula tem “um governo vingativo que usa a máquina pública para perseguir adversários”, ao citar repasses do governo federal para a prefeitura e o governo do estado que, segundo ele, estariam represados. “É um presidente que se vinga do estado de São Paulo por causa do governador”, disse.
A mudança no comando da campanha segue a transferência do comitê eleitoral para São Paulo, efetivada no início do mês.
Como mostrou a Folha, a decisão teve alguns objetivos. Primeiro, acelerar agendas com Tarcísio e Nunes. Segundo, aproximar Flávio de nomes do mercado, grupo que tem manifestado resistência à candidatura do filho de Bolsonaro. Terceiro, facilitar as viagens do senador ao longo da campanha, especialmente para Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná.
Após a convenção nacional, que confirmou, no último sábado (25), a decisão do PL de lançar Flávio para concorrer à Presidência, a prioridade da campanha agora é fechar os palanques que ainda faltam ou estão incompletos, especialmente em Minas Gerais e no Rio de Janeiro.
Na quarta-feira (29), o Republicanos afirmou que o senador Cleitinho, líder nas pesquisas de intenção de voto em Minas Gerais, não será candidato a governador, frustrando os planos do parlamentar, que havia sinalizado a aliados seu desejo de disputar.
Sem candidato próprio no estado, o PL planejava apoiar Cleitinho em troca de uma aliança com o Republicanos no campo nacional. O palanque em Minas é especialmente importante, considerando que o estado tem o segundo maior colégio eleitoral do país.
No Rio de Janeiro, o PL tem candidato próprio, o deputado estadual Douglas Ruas, mas não estão definidos o vice nem o candidato ao Senado na chapa. Há cerca de duas semanas, o pré-candidato a vice, Rogério Lisboa (PP), anunciou a saída da coligação.
No campo nacional, o PP anunciou nesta sexta-feira (31) que ficará neutro na eleição presidencial. O Republicanos também deve rejeitar um acordo com Flávio, como mostrou a Folha. Com isso, em uma eleição com a direita fragmentada, o senador vai se encaminhando para uma candidatura sem grandes alianças.
A campanha de Flávio afirma, porém, que irá trabalhar até o último dia para tentar firmar alianças. Até esta sexta, nem a vice estava definida. O prazo para a definição de coligações termina em 5 de agosto, conforme a legislação eleitoral.
Depois dessa data, a equipe do filho de Bolsonaro prevê semanas focadas em afinar o plano de governo e produzir conteúdo eleitoral para rádio e TV. No dia 16 de agosto, tem início oficialmente a campanha eleitoral e, no dia 28 de agosto, começa o horário eleitoral gratuito.
A partir de 18 de agosto, a TV Globo começará a acompanhar diariamente as agendas dos candidatos à Presidência, o que, para um integrante da campanha de Flávio, marca o momento em que as pessoas que não costumam acompanhar a política passarão a dar mais atenção às eleições.
Só a partir do meio de agosto, segundo esse aliado, terá sido dado o pontapé na campanha eleitoral. Desse momento até o primeiro turno, no dia 4 de outubro, serão apenas seis semanas. Nesse intervalo, a pré-campanha do filho de Bolsonaro aposta em um cenário de estabilidade, com a disputa consolidada entre Flávio e Lula, sem espaço para a consolidação de uma terceira via.
A equipe avaliará, caso a caso, a quais debates televisivos o senador deve comparecer, considerando que Lula sinaliza que pode não participar dos encontros.


