Inflação é a menor para julho em 4 anos e fica abaixo do teto da meta, mas vem acima das projeções

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por Folhapress

Interior de supermercado atacadista com corredores largos e prateleiras altas cheias de produtos embalados. Clientes empurram carrinhos entre pilhas de mercadorias. Placas amarelas indicam promoções e preços.
Consumidores fazem compras em atacarejo em São Paulo – Danilo Verpa – 8.jul.26/Folhapress

A inflação oficial do Brasil, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), desacelerou a 0,07% em julho, após marcar 0,16% em junho.

O recuo dos preços de alimentos e combustíveis puxou o índice para baixo, segundo os dados divulgados nesta terça-feira (11) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A alta da energia elétrica e das passagens aéreas, por outro lado, impediu uma desaceleração maior.

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A taxa de 0,07% é a menor para o IPCA em meses de julho em quatro anos, desde 2022 (-0,68%), mas ficou acima das projeções do mercado financeiro. A mediana das expectativas estava em 0%, conforme a agência Bloomberg.

No acumulado de 12 meses, o IPCA desacelerou a 4,44% até julho, após registrar avanço de 4,64% até junho.

Com o novo resultado, o índice ficou abaixo do teto de 4,5% da meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central). O IPCA havia ultrapassado o teto em maio.

Para a economista Rafaela de Sousa, da consultoria Buysidebrazil, os dados revelam uma inflação em nível “mais moderado”, o que está muito associado a questões sazonais de maior oferta de alimentos neste período do ano.

Segundo ela, há margem para o BC seguir cortando a taxa básica de juros (Selic), embora os preços de serviços tenham mostrado patamar pior do que o esperado em julho. O IPCA de serviços acumulou alta de 5,86% nos últimos 12 meses, conforme o IBGE.

Rafaela prevê pelo menos mais uma redução de 0,25 ponto percentual na Selic na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) em setembro, o que levaria a taxa para 13,75% ao ano.

O economista Gabriel Pestana, da Genial Investimentos, afirmou que o IPCA reforça um cenário de inflação mais comportada, mas ainda com riscos concentrados em serviços. Ele também prevê novo corte de juros de 0,25 p.p. em setembro.

ALIMENTAÇÃO TEM MAIOR QUEDA EM DOIS ANOS

Conforme o IPCA, o grupo alimentação e bebidas teve queda de preços em julho pelo segundo mês consecutivo (-0,67%).

A redução foi a mais intensa desde julho de 2024 (-1%), gerando um impacto de -0,14 ponto percentual no índice. Vestuário (-0,66%) e educação (-0,03%) também mostraram quedas no mês passado.

A baixa de alimentação e bebidas foi puxada pelo recuo da alimentação no domicílio (-1,14%). O gerente do IPCA, Fernando Gonçalves, associou a trégua à oferta maior de produtos in natura.

As principais quedas foram do tomate (-29,09%), da batata-inglesa (-19,59%), da cenoura (-14,41%) e do café moído (-2,45%). Do lado das altas, o IBGE destacou o leite longa vida (2,47%) e as frutas (1,2%).

A alimentação fora do domicílio, em locais como bares e restaurantes, voltou a subir. Os preços aceleraram de 0,15% em junho para 0,55% em julho.

Segundo Gonçalves, a alta mais intensa pode refletir a pressão da demanda no período de férias, além dos custos de operação, como o da energia elétrica.

LUZ PRESSIONA EM JULHO E DEVE ALIVIAR EM AGOSTO

A conta de luz teve aumento de 3,09% em julho. Isso gerou um impacto de 0,13 ponto percentual no IPCA.

Trata-se da principal contribuição individual do lado das altas. A passagem aérea veio na sequência (0,09 p.p.), com aumento de 11,67% no mês passado.

O resultado da energia refletiu reajustes de concessionárias em São Paulo, Porto Alegre e Curitiba. Em julho, a bandeira amarela permaneceu em vigor no país, com acréscimo na conta de luz.

A energia, porém, tende a aliviar o IPCA em agosto. A previsão de analistas está associada à incorporação do desconto do bônus de Itaipu.

Do lado das baixas, o maior impacto individual no IPCA de julho veio do tomate (-0,10 p.p.), seguido pelas contribuições da gasolina (-0,07 p.p.) e da batata (-0,06 p.p.).

A gasolina caiu 1,37% em julho. O combustível engatou uma sequência de baixas nos três últimos meses, após ter sido pressionado pela alta do petróleo com a guerra no Irã, iniciada em fevereiro.

Etanol (-2,26%), óleo diesel (-1,22%) e gás veicular (-0,08%) também caíram de preços em julho. O governo Lula (PT) lançou medidas para conter a inflação de combustíveis após o início da guerra.

PROJEÇÕES E JUROS

A consultoria 4intelligence prevê leve queda (deflação) para o IPCA de agosto (-0,02%). Um dos fatores por trás da estimativa é o bônus de Itaipu.

Para o ano de 2026, a instituição manteve a projeção de alta de 5,3%. Conforme a 4intelligence, as incertezas da guerra no Irã e o fenômeno climático El Niño podem afetar a inflação.

O El Niño desafia o agronegócio ao alterar a distribuição das chuvas. Em caso de perdas no campo, os preços dos alimentos podem ficar mais caros para o consumidor. O evento climático também ameaça pressionar os custos em setores como o de energia.

“A formação do El Niño, com alta probabilidade de ser superforte entre outubro e dezembro de 2026, adiciona viés de alta sobre os alimentos, principalmente os in natura. Por fim, o cenário eleitoral e possíveis pressões cambiais também podem gerar impactos sobre os preços”, disse Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research.

Ele prevê IPCA de 5% em 2026 e corte de 0,25 p.p. na Selic em setembro.

A mediana das projeções do mercado financeiro aponta inflação de 5,02% no acumulado deste ano, conforme o boletim Focus mais recente, publicado pelo BC na segunda-feira (10).

A previsão seguiu acima do teto da meta, embora tenha caído pela sexta semana consecutiva.

A meta é considerada descumprida quando o acumulado permanece por seis meses seguidos de divulgação fora do intervalo de tolerância, que vai de 1,5% (piso) a 4,5% (teto). O centro é de 3%.

Na semana passada, o Copom reduziu a taxa básica de juros para 14% ao ano, com uma baixa de 0,25 ponto percentual na Selic pela quarta vez seguida.

O colegiado disse que a inflação continua pressionada pela demanda e que esse cenário requer juros em um nível alto o suficiente para frear a economia, conforme ata divulgada nesta terça.

Apesar do alerta, a autoridade monetária reconheceu que sua política tem surtido efeito, contribuindo para a desaceleração da inflação e ajudando a esfriar a atividade econômica.

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