Justiça revoga prisão preventiva de acusado de feminicídio brutal de jovem em Cajazeiras

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O juiz Ricardo Amorim, da 1ª Vara da Comarca de Cajazeiras, no Sertão da Paraíba, revogou a prisão preventiva de David Arayam de Lima Braga, acusado pela morte da jovem Ianny Marry Barreto Lira, de 28 anos. O crime aconteceu em outubro de 2023 e o indiciado foi preso em setembro de 2025, dentro da própria casa, no bairro Sol Nascente, em Cajazeiras.

Foto: reprodução

Ianny foi encontrada morta dentro da própria residência, localizada no bairro Sol Nascente, conhecido como Casas Populares, em Cajazeiras. Segundo a denúncia do Ministério Público, a vítima apresentava sinais de agressão e abuso sexual, estava com as mãos amarradas e uma peça íntima introduzida na boca. A causa da morte apontada na acusação foi asfixia mecânica direta.

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A principal suspeita recaiu sobre David, que mantinha um relacionamento com a vítima. Durante a investigação, um exame pericial identificou material genético do acusado nas unhas de Ianny.

Na decisão que revogou a prisão, entretanto, o magistrado considerou que o resultado do exame, isoladamente, não seria suficiente para demonstrar que David estava no local no momento do assassinato.

“O exame de DNA em questão é suficiente para vincular o réu ao local do crime e confirma a existência de contato dele com a vítima, mas não é suficiente para colocá-lo no momento do crime naquele local.”

A decisão atende a uma tese apresentada pela defesa, que apontou fragilidade das provas, ausência de contemporaneidade da prisão preventiva e possibilidade de transferência secundária do material genético.

Defesa sustenta que casal se encontrou antes do crime

O advogado Ítalo Estevam, que representa David, participou nesta segunda-feira (17) do programa Olho Vivo, da TV e Rede Diário, e apresentou os principais argumentos utilizados pela defesa.

Segundo ele, o material genético encontrado nas unhas da vítima não comprovaria a participação do acusado no homicídio, uma vez que David e Ianny teriam se encontrado durante a semana em que ocorreu o crime, inclusive na noite anterior.

A defesa também destacou que David teria procurado a polícia espontaneamente no dia do crime, antes de ser formalmente apontado como suspeito. Na ocasião, conforme o advogado, ele foi submetido a exame para verificar possíveis lesões, mas não apresentava ferimentos.

Para Ítalo Estevam, esse elemento seria incompatível com a hipótese de uma luta corporal entre acusado e vítima.

O advogado também mencionou conversas recuperadas dos celulares de David e Ianny e anexadas ao processo. Segundo a defesa, os diálogos indicariam a existência de uma relação afetiva sem registros de comportamento agressivo, possessivo ou de violência doméstica por parte do acusado.

Defesa questiona motivação

Durante a entrevista, o advogado também afirmou considerar que as circunstâncias em que Ianny foi encontrada indicariam características que, em sua avaliação, seriam incompatíveis com o perfil de seu cliente.

Ítalo Estevam classificou o caso como um crime de extrema brutalidade e sustentou que a forma como o corpo foi encontrado poderia indicar uma motivação relacionada a vingança ou ódio, hipótese que, segundo ele, não teria relação com David.

A defesa afirmou ainda que a decisão representa um momento importante para o acusado, embora reconheça que o processo ainda não chegou ao fim e que a revogação da prisão preventiva não representa uma declaração de inocência.

Acusação

Conforme o histórico processual apresentado na decisão, o corpo de Ianny foi encontrado no dia 15 de outubro de 2023, por volta das 14h, dentro da residência onde ela morava. Segundo a denúncia, o homicídio teria ocorrido durante a madrugada anterior.

A denúncia contra David foi recebida pela Justiça em 24 de novembro de 2024. Posteriormente, foi decretada a prisão preventiva do acusado, além da autorização para cumprimento de mandado de busca e apreensão.

Durante a instrução processual, foram ouvidas testemunhas e declarantes, prestados esclarecimentos complementares e realizado o interrogatório do réu.

Nas alegações finais, o Ministério Público pediu a pronúncia de David, para que ele fosse submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri. A defesa, por sua vez, sustentou a fragilidade do conjunto probatório, questionou a contemporaneidade da prisão e voltou a apontar a possibilidade de transferência secundária do material genético.

Com a decisão desta segunda-feira (17), David deixa a prisão preventiva, mas continua respondendo ao processo, que ainda terá prosseguimento na Justiça.

Por Patos Online
Com informações do Diário do Sertão

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