Ondas de calor, secas e incêndios alimentam ecoansiedade na França

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por AFP

Chamas altas consomem árvores e arbustos em floresta durante incêndio noturno. Fumaça densa e fogo iluminam a cena em tons alaranjados.
Incêndio florestal na comuna francesa de Saint-Jean-d’Illac, a 30 km de Bordeaux, em julho deste ano – Romain Perrocheau – 26.jul.26/AFP

Em um verão marcado por ondas de calor, incêndios florestais e seca, o engenheiro André, 32, disse que teve de parar de trabalhar e não conseguia pensar em outra coisa. Assim como muitos franceses, ele sofre de ecoansiedade.

A pesquisadora belga-canadense Véronique Lapaige definiu, em 1996, o termo como “um fenômeno híbrido e um mal-estar identitário” ligado à consciência das transformações do planeta e à dificuldade de se projetar nele.

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Segundo um estudo de 2025, 16,6 milhões de franceses apresentam sintomas de sofrimento psicológico relacionados ao meio ambiente, sobretudo as pessoas de 25 a 34 anos.

A Europa Ocidental teve o início de verão mais quente já observado, e a França bateu um recorde, com 52 dias de onda de calor desde meados de junho, distribuídos em três episódios, um dos quais ainda não terminou.

Só em julho, entre os dias 2 e 22, o país registrou 1.243 mortes a mais do que o esperado para o período. Com isso, neste ano somam 7.300 os óbitos que podem estar ligados às ondas de calor.

André, que prefere não ter seu nome completo divulgado por causa de seu trabalho e por sentir vergonha, tirou uma licença médica durante a onda de calor de junho após apresentar fortes crises de angústia.

Ele afirmou ter ficado completamente paralisado e não conseguir se concentrar, preocupado especialmente com os próximos verões.

Os incêndios florestais devastadores e as ondas de calor deste verão aumentaram em 2,6 milhões o número de pessoas que sofrem de ecoansiedade, afirmou o diretor do Observatório da Ecoansiedade, Pierre-Éric Sutter, com base nos primeiros resultados de um estudo que será publicado em setembro.

O aumento dessa angústia climática preocupa as autoridades francesas, que lançaram no fim de julho a campanha “Como lidar com a ecoansiedade?”.

Sutter distingue sete graus de ecoansiedade, que vão da preocupação ao desenvolvimento de pensamentos suicidas. “A ecoansiedade não é uma doença, mas pode levar a pessoa a adoecer.”

O especialista recomenda, entre outras medidas, grupos de apoio para que as pessoas percebam que não estão sozinhas.

Esse é o objetivo da associação Makesense, que desde 2025 organiza encontros para discutir esses temores.

“Neste verão, tive uma sensação de apocalipse. Tive que abandonar as redes sociais, estava paralisado de medo diante da ideia de ver as notícias”, afirmou Cyril Chedeville, 59, originário de uma região afetada por incêndios.

A médica e palestrante sobre ecoansiedade Anne-Catherine Lanchou disse que a recuperação passa por quatro eixos, entre os quais a regulação das emoções.

Mas, na maioria dos casos, engajar-se em uma causa ambiental é uma etapa fundamental. “Começamos a melhorar quando passamos à ação, quando pensamos: ‘Eu também tenho um papel a desempenhar’’.”

Albane, 39, direcionou toda a vida profissional para a questão ambiental após desenvolver ecoansiedade durante uma aula sobre mudanças climáticas em 2010. Hoje, trabalha como consultora de desenvolvimento sustentável para empresas.

O objetivo, reconhece, não é eliminar o medo: “É aprender a viver com ele”.

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