Ex-chefe de gabinete de Lula pediu quadro que lobista disse custar € 100 mil, diz jornal

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por Folhapress

Dois homens de terno conversam em ambiente formal com bandeira do Brasil ao fundo. O homem à esquerda, Marco Aurélio, é branco, tem cabelos castanhos curtos e lisos e barba castanha, usa óculos e faz gesto com a mão direita; o homem à direita, Lula, é branco, tem cabelos e barba grisalhos e curtos e observa atentamente.
O cientista político Marco Aurélio Santana Ribeiro (esq.), conhecido como Marcola, e o presidente Lula no Palácio do Planalto, em Brasília – Evaristo Sá – 3.jun.26/AFP

O ex-chefe de gabinete do presidente Lula Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola, pediu um quadro à lobista Roberta Luchsinger, que ela disse estar avaliado em € 100 mil, segundo o jornal O Estado de S. Paulo.

De acordo com a reportagem, Marcola perguntou a Luchsinger, num aplicativo de mensagens: “E meu quadro?? Kkk”. A lobista, então, teria enviado uma foto, informando que a obra estava sendo emoldurada e seria entregue.

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“Ela ainda afirma que vai preparar documentação e que o quadro estava no ‘carrossel do louvre’. Na sequência ela afirma que o quadro vale 100 mil euros”, diz a Polícia Federal, ainda de acordo com o jornal.

A defesa de Marco Aurélio Ribeiro nega ter recebido a obra de arte ou outros objetos de valor. Ressalta ainda que a mensagem foi acompanhada de “kkk”, o que evidenciaria “que não se trata de uma cobrança de fato”.

A defesa ainda afirma que não teve acesso à íntegra dos autos e do inquérito, “que vem sendo parcialmente vazado com objetivo de distorcer o próprio teor da investigação”. Os advogados ainda afirmam que “Marco Aurélio nunca intermediou negociações ou encaminhou qualquer documento referente a compras ou licitações públicas”.

A conversa, ocorrida em dezembro de 2024, foi transcrita pela PF e citada como possível pagamento, ainda de acordo com o jornal.

Os diálogos indicariam ainda que Roberta encaminhou a Marcola uma relação de assuntos de seu interesse no governo federal e recebeu dele a orientação para tratar do tema por telefone.

A suspeita é que Marcola tenha recebido vantagens indevidas, inclusive financeiras, para auxiliar Roberta Luchsinger na sua atuação como lobista junto ao governo federal. O chefe de gabinete tinha a confiança do presidente Lula, por vezes intermediando ligações, uma vez que o presidente não tem celular.

Marcola recebeu R$ 249 mil de Luchsinger, numa operação descrita pelo ex-chefe de gabinete do presidente como um empréstimo pessoal e já quitado. Ele deixou o Planalto em junho para integrar a campanha de Lula, mas saiu da função após as revelações virem à tona.

Nesta semana, a Folha revelou que a lobista Roberta Luchsinger pagou R$ 217 mil em faturas de cartão de crédito, financiamento de um veículo e outras despesas para Marcola.

A crise atingiu Lula em duas frentes. Um dos seus filhos, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, é amigo de Roberta Luchsinger. A PF aponta que ele seria beneficiário indireto da ação da lobista, que teria buscado contatos políticos para facilitar a venda de medicamentos à base de canabidiol ao governo federal.

Ainda de acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, a investigação cita Lulinha como “destinatário de pagamentos e benefícios” custeados pelo empresário Cléber Ribas.

A defesa de Lulinha nega qualquer irregularidade e diz que há perseguição de setores bolsonaristas da PF.

Ribas buscava contratos com a Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência). De acordo com a PF, Roberta Luchsinger cobrava do empresário pagamentos que dizia serem destinados a Lulinha. O filho do presidente, por sua vez, em ao menos uma ocasião pediu a ela a emissão de uma nota fiscal e, segundo os investigadores, se beneficiava dos recursos para despesas pessoais.

Ainda de acordo com o jornal, Roberta Luchsinger teria afirmado em mensagens que Lulinha marcou uma reunião no Planalto, em maio de 2024, entre Marcola e o governador do Maranhão, Carlos Brandão. De acordo com as mensagens da lobista, Lula faria a “liberação da obra dele”. O governador negou articulação de Roberta e disse que não depende de terceiros para as agendas com o presidente. O Palácio do Planalto foi procurado, mas não comentou até a publicação deste texto.

Segundo a reportagem, Roberta Luchsinger teria conversado com Lulinha sobre a agenda de Marcola e sugerido ao filho do presidente Lula: “Eu já avisei o Brandão que você conseguiu a agenda, então se quiser falar com o governador, tá confirmado às 16h, fazer uma moral, tá?”.

Em junho, Lula foi ao estado e anunciou um investimento de R$ 59 milhões no Maranhão através do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). O grupo de Brandão encontra dificuldades de articulação desde que rompeu com o PT, após a indicação do ministro Flávio Dino para o STF (Supremo Tribunal Federal).

Segundo o jornal, Lulinha é citado pela PF como “destinatário de pagamentos e benefícios” custeados pelo empresário Cléber Ribas, que buscava contratos com a Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência) e hoje tem contratos com o Ministério do Desenvolvimento Social.

Roberta Luchsinger cobraria do empresário pagamentos que dizia serem destinados ao filho do presidente. Lulinha, em ao menos uma ocasião, teria pedido a ela a emissão de uma nota fiscal, participou de reuniões de interesse empresarial e, segundo os investigadores, se beneficiava dos recursos para despesas pessoais.

Em nota, a defesa de Lulinha disse que não teve acesso integral aos autos e por isso não pode atestar a autenticidade das mensagens nem a integridade da cadeia de custódia das provas, mas afirmou que só o próprio Fábio fala em seu nome.

A defesa disse ainda que setores da Polícia Federal estão instrumentalizados por interesses políticos e eleitorais para contaminar o processo eleitoral de 2026. Segundo a nota, a PF já tem em mãos há tempos o sigilo bancário e fiscal de Fábio e não comprovou um único real de origem suspeita. O que foi apresentado, diz, seria “um quebra-cabeça de ilações” com o objetivo de impedir a reeleição de Lula.

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