Lula e Flávio Bolsonaro veem Cury atrair voto antissistema e chance de despontar como terceira via

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por Folhapress

O candidato a presidente Augusto Cury (Avante), durante encontro do Sebrae em Curitiba – Equipe Campanha Augusto Cury

Integrantes das campanhas de Lula (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL) avaliam que o candidato Augusto Cury (Avante), que subiu 9 pontos em pesquisa de intenção de voto da BTG/Nexus, está conseguindo atrair o voto antissistema e se conectar com o eleitor insatisfeito para se tornar a terceira via da atual eleição.

Em conversas reservadas, petistas afirmam ter detectado uma movimentação estranha nas redes sociais. O fenômeno lembraria, de acordo com aliados de Lula, os métodos de Pablo Marçal (PRTB).

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Marçal foi condenado à inelegibilidade por causa dos “campeonatos de cortes” –ele oferecia prêmios para seguidores que postassem os trechos de vídeos dele com mais audiência durante a campanha para a Prefeitura de São Paulo, em 2024. Mesmo inelegível, Marçal registrou candidatura à Presidência da República.

A equipe de Flávio também diz ter identificado o uso de robôs da Índia para inflar o candidato nas redes, o que teria impulsionado seu crescimento nas pesquisas. Parte dos auxiliares diz que há ainda uma influência da participação de Cury no debate da TV Bandeirantes no último dia 23, que o tornou ais conhecido, e uma conexão dele com o eleitorado descontente com o governo e com seus opositores.

Augusto Cury negou, nesta segunda-feira (31), que sua campanha tenha feito algum tipo de manipulação de redes sociais com robôs ou contratos com influenciadores.

“Não tem história de robô. Na verdade, são milhões de pessoas que acreditam na pacificação e estão cansadas desta polarização insana”, respondeu ele, que ganhou mais de 2 milhões de seguidores em uma semana. “O que aconteceu foi uma revolução totalmente silenciosa a partir do primeiro debate. As pessoas estão vendo sinceridade nas nossas propostas.”

Pesquisa Nexus divulgada nesta segunda-feira mostrou que Cury passou de 2% das intenções de voto para o primeiro turno para 11% em cerca de um mês. Lula oscilou de 41% para 39% e Flávio, de 37% para 33%. A margem de erro é de dois pontos percentuais. A pesquisa está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o código BR-08900/2026.

O desempenho de Cury é melhor entre jovens, com 22% das intenções de voto. Ele também alcança votação relevante no Nordeste (14%) e entre eleitores com ensino superior (17%). Na projeção de segundo turno, 23% de quem declarou voto em Augusto Cury afirma que votará em Lula, e 46% em Flávio.

Integrantes da campanha petista ouvidos pela reportagem avaliam que, mesmo que o crescimento de Cury tenha sido artificial por meio de operações em redes sociais, a estratégia foi bem-sucedida. Em terceiro lugar na disputa, o candidato passa a ter mais visibilidade. Além disso, ele teria um perfil que agrada a setores da classe média, na visão dos petistas: uma pessoa rica que não precisa da política para sobreviver.

Aliados de Lula dizem que o candidato do Avante é uma novidade que pode atrair eleitores que não querem votar nem no presidente nem em Flávio Bolsonaro. Isso dificulta o esforço do petista para conquistar eleitores de centro e obter a maioria necessária para ser reeleito.

Parte dos políticos que apoia Lula vislumbra o risco de, em um segundo turno, Cury apoiar Flávio contra o petista após ficar fortalecido por uma boa votação na primeira rodada. Por outro lado, o grupo vê a possibilidade de o candidato do Avante e o candidato bolsonarista tentarem desgastar um ao outro, caso fique claro que disputam o mesmo eleitorado.

Ainda assim, entusiastas de Lula afirmam que o avanço de Cury atrapalha mais Flávio Bolsonaro do que o presidente. Apesar disso, a análise é que o bolsonarismo tem piso de votação alto e, por isso, o senador está garantido no segundo turno.

Ao contrário dos petistas, os bolsonaristas veem o prejuízo da nova posição de Cury sendo maior para Lula do que para Flávio. A campanha do PL afirma que, para crescer, o adversário do Avante tirou votos de ambos os lados —na proporção de dois votos de Flávio para um de Lula.

Ainda que Flávio perca votos no primeiro turno, portanto, a avaliação é a de que, no segundo turno, o bolsonarista vai se beneficiar mais do que o petista da migração de votos do rival do Avante. Aliados de Flávio dizem que isso vale também para os demais adversários, ou seja, ele deve congregar o voto útil de todos os candidatos contra Lula no segundo turno, o que o torna favorito na disputa.

Parte dos auxiliares de Flávio diz acreditar que Cury deve murchar e voltar ao seu tamanho anterior, principalmente por ter tido um resultado ruim na sabatina do Jornal Nacional. Seria um voo de galinha, dizem.

A campanha de Flávio afirma ainda que o fato de Cury ter atingido 11 pontos atrapalha o plano de Lula de vencer a eleição no primeiro turno com mais da metade dos votos —o teto do petista na primeira etapa da disputa ficaria mais baixo. Por outro lado, também fica mais difícil para Flávio se aproximar do petista ainda no primeiro turno.

Seguindo essa leitura de que Cury prejudica Lula e pode se tornar um repositório de votos para Flávio no segundo turno, a campanha do PL não deve agir para tentar atingi-lo, mesmo sabendo que seu crescimento tem origem em comportamento irregular nas redes sociais, o que poderia até levar à cassação da candidatura.

Eles mencionam ainda que Renan Santos (Missão), que fez 3% na pesquisa, é outro grande prejudicado por Cury, que assume o papel de terceira via. Na visão dos bolsonaristas, o crescimento do candidato do Avante enterra as pretensões de Renan de terminar a disputa em terceiro lugar.

Os demais candidatos que pontuaram na pesquisa de intenção de voto da Nexus foram Ronado Caiado (PSD, 5%), Romeu Zema (Novo, 1%) e Samara Martins (UP, 1%).

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