Trump promete dar R$ 25 mil a cada americano caso os republicanos vençam as eleições de novembro

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por Folhapress

Homem de terno azul escuro e gravata azul aponta para a plateia durante evento noturno. Atrás dele, multidão segura pequenas bandeiras dos Estados Unidos, com iluminação forte acima do palco decorado com estrelas douradas.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante Convenção Nacional do Partido Republicano, em Dallas, no Texas – Andrew Harnik – 9.set.26/Getty Images via AFP

O presidente Donald Trump prometeu na quarta-feira (9) pagar US$ 5.000 (R$ 25,5 mil) a cada adulto americano caso o Partido Republicano consiga manter o controle do Congresso nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, as chamadas midterms, marcadas para novembro.

A declaração foi feita durante a convenção nacional do Partido Republicano na quarta-feira (9). “Se os republicanos vencerem, vocês vencem conosco e receberão US$ 5.000. Isso será chamado de dividendo Trump”, afirmou. O presidente não explicou de onde viriam os recursos para financiar esse pagamento, limitando-se a afirmar que o “país está ganhando muito dinheiro”.

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Trump atacou democratas e usou o evento para tentar alavancar os candidatos da legenda. “Se entregarmos o futuro dos EUA aos democratas de esquerda radical, nossa nação passará a próxima década apenas tentando se reerguer”, afirmou Trump.

“Votem nos republicanos, e deixaremos o mundo comendo poeira por muitas gerações.”

Os republicanos que deram início ao evento, uma incomum convenção para as eleições de meio de mandato, já haviam retratado os democratas como “perigosos” e “extremistas”, ao mesmo tempo em que elogiavam o histórico do presidente Trump.

Sem assuntos oficiais do partido na pauta, o encontro se assemelha mais a um comício de campanha de Trump do que a uma convenção partidária tradicional, realizada a cada quatro anos para indicar os candidatos à Presidência e à vice-Presidência.

O encontro de dois dias ressalta até que ponto o destino dos republicanos está ligado a Trump e serve como vitrine para sua estratégia antes das eleições de meio de mandato de 3 de novembro. O evento está tão centrado em Trump que o presidente do Comitê Nacional Republicano, Joe Gruters, informalmente o apelidou de “Trumpapalooza”, uma referência ao popular festival de música Lollapalooza.

Durante seu discurso, Trump falou extensivamente sobre os assuntos que mais lhe importam, como imigração e segurança, mas não se aprofundou sobre o custo de vida, que, segundo as pesquisas, é o maior obstáculo para os republicanos nessas eleições.

O presidente abordou os preços da gasolina e a guerra com o Irã com o mesmo discurso que havia usado mais cedo na quarta-feira (9): “O preço do petróleo vai cair assim que vencermos a guerra com o Irã”, disse. Ele ainda sugeriu renomear o estreito de Hormuz para “estreito de Trump” e voltou a dizer que gostaria de mudar o nome do estado do Novo México para Nova América, em consonância com os decretos que instruíram agências governamentais a renomear o lago Ontário para lago América e o golfo do México para golfo da América.

A multidão aplaudiu Trump depois que ele disse que viajará para todos os estados decisivos no pleito de novembro e pediu para que fingissem que ele também estaria nas cédulas. Para muitos democratas, no entanto, a ideia de mais presença de Trump nas eleições pode ser benéfica, dada a impopularidade crescente do presidente nas pesquisas mais recentes.

Muitos republicanos envolvidos em disputas acirradas pela Câmara e pelo Senado não compareceram à convenção, o que ressalta as preocupações dentro do partido de que o apelo de Trump aos apoiadores leais possa não ser suficiente para superar a insatisfação dos eleitores com a inflação e a guerra contra o Irã.

Aqueles que subiram ao palco em Dallas na manhã desta quarta lançaram diversos insultos contra os democratas, oferecendo munição política aos republicanos mais ferrenhos ao atacar os opositores em questões como mulheres transgênero no esporte e segurança nas fronteiras.

Muitos chamaram os democratas de “socialistas” e “comunistas”, ecoando uma das frases de ataque favoritas de Trump após algumas vitórias de socialistas democratas nas primárias do Partido Democrata. Os democratas são “perigosos, radicais e esquisitos”, disse o senador Tim Scott, da Carolina do Sul, presidente do comitê de campanha do partido no Senado.

Há muito em jogo para ambos os partidos. Com as eleições a menos de dois meses, os republicanos enfrentam a perspectiva de perder o controle de pelo menos uma das câmaras do Congresso, com pesquisas de opinião mostrando que os democratas estão mais motivados a votar e os índices de aprovação de Trump em baixa acentuada.

Além do discurso desta noite, Trump ainda dará a palavra final do evento na noite de quinta, após a fala do vice-presidente J. D. Vance.

O partido que controla a Casa Branca historicamente perde cadeiras no Congresso nas eleições de meio de mandato, e a popularidade de Trump caiu à medida que a guerra com o Irã e seu regime de tarifas aumentaram os custos da energia e os preços ao consumidor.

A convenção enfrenta forte concorrência pela audiência com o início da temporada da NFL, liga de futebol americano, já que as duas noites coincidem com grandes jogos do Super Bowl.

Ainda assim, após meses de manchetes negativas sobre a guerra com o Irã e a inflação, muitos republicanos veem o encontro como sua melhor chance de promover candidatos, destacar diferenças em relação aos democratas em questões de acessibilidade, imigração e saúde, e motivar um eleitorado republicano que demonstra menos entusiasmo em votar do que os democratas, de acordo com uma pesquisa da Reuters/Ipsos.

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