Produtora de filme sobre Bolsonaro diz que foi ameaçada e que, se presa, não tem nada para delatar
Karina Gama, dona da produtora de 'Dark Horse', filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) - Reprodução/Redes sociais
por coluna Mônica Bergamo, Folhapress
Um dos alvos, nesta quinta-feira (10), da operação da PF (Polícia Federal) que investiga desvio de recursos de emendas parlamentares para o filme ” Dark Horse”, a produtora Karina Gama afirmou à coluna que se sente ameaçada e que, se for presa, não tem o que delatar.
Em telefonema para a coluna um dia antes de sofrer busca e apreensão, a produtora da cinebiografia de Jair Bolsonaro afirmou que estava se sentindo ameaçada e chantageada. Disse que pessoas se passando por oficiais de Justiça, mas sem apresentar documentos, tocaram a campainha da casa dela às 21h fazendo perguntas.
Fornecedores de empresas dela e familiares também teriam sido abordados. “Estou apavorada”, disse.
Karina, que é dona da produtora Go Up, afirma que está colaborando com as investigações e que não entende a razão de ser pressionada. “Quando a PF me pediu documentos, eu forneci imediatamente”, diz ela.
Karina afirma ainda que foi procurada por um pastor evangélico de Brasília, segundo ela ligado à esquerda, que ofereceu ajuda e sugeriu que firmasse um acordo de delação premiada para se livrar de penalidades mais duras.
“Eu nunca captei dinheiro para o filme, eu nunca lidei com financiadores. Eu não sei nada sobre isso. Eu prestei um serviço, de produzir o ‘Dark Horse’ e fui remunerada”, afirma Karina.
Além do suposto desvio de recursos de emendas parlamentares, a PF investiga, em outra ação, o financiamento do ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao filme. Os recursos a ele foram solicitados pelo pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, em novembro do ano passado.
Em mensagem enviada ao dono do Banco Master às vésperas da prisão do ex-banqueiro, o filho de Bolsonaro afirmou: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”.
Dois meses antes, o senador escreveu ao dono do Banco Master para pedir dinheiro para “Dark Horse”, filme sobre seu pai.
Os recursos de Vorcaro foram enviados para o fundo Havengate, administrado por Paulo Calixto, advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
“Eu recebi recursos do fundo para produzir o filme, mas nunca soube quem eram seus financiadores”, afirma Karina.
Sobre a emenda de R$ 1 milhão que o deputado federal Mario Frias, também alvo da operação, destinou a um projeto desenvolvido pelo Instituto Conhecer Brasil, e que não teria sido realizado, Karina Gama afirma que todo o dinheiro ainda não usado está “em caixa”.
O projeto, de letramento financeiro para jovens empreendedores, recebeu os recursos no fim de 2025, diz ela. Era o fim do ano letivo, e por isso ele só avançou neste ano.


