Gastos com filme sobre Bolsonaro coincidem com envio de emendas de Mario Frias para produtora, aponta PF

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Jim Caviezel como Jair Bolsonaro no filme 'Dark Horse' - Divulgação

Por Márcio Falcão, Reynaldo Turollo Jr, Ana Flávia Castro, Mariana Laboissière, Gustavo Garcia, TV Globo e g1

A Polícia Federal apontou uma coincidência entre movimentações financeiras envolvendo a Go Up Entertainment, empresa responsável pelo filme “Dark Horse” — cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro —, e o envio de recursos de emendas parlamentares pelo deputado federal Mario Frias (PL-RJ) a ONGs chefiadas por Karina Gama, produtora do filme.

O Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Gama, recebeu R$ 2 milhões em recursos de duas emendas parlamentares de autoria do parlamentar. O relatório da PF, que teve o sigilo retirado nesta quinta-feira (10), trata de suspeitas de desvios desses recursos.

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A TV Globo entrou em contato com Mario Frias e com a defesa de Karina Ferreira da Gama, mas ainda não obteve resposta.

No relatório, investigadores destacam a natureza das despesas custeadas pela produtora no período do repasse do dinheiro. Apontam suspeitas de que verbas públicas podem ter sido usadas para custear hospedagem em hotel de alto padrão, refeições e pagamentos a outras produtoras ligadas ao filme (entenda mais abaixo).

O relatório da PF faz parte da decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou uma operação nesta quinta-feira (10) para o cumprimento de mandados de busca e apreensão contra Mario Frias, Karina Gama e outros investigados.

Entre as organizações alvos de mandados estão o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC), ambos presididos por Karina Ferreira da Gama. Ela também é dona da produtora Go Up Entertainment, responsável pela produção da cinebiografia Dark Horse.

Karina Gama, produtora do filme 'Dark Horse', e o deputado Mario Frias (PL-SP) são alvos de ação da Polícia Federal, que cumpre mandados de busca nesta quinta-feira (10). — Foto: Reprodução e Câmara dos Deputados
Karina Gama, produtora do filme ‘Dark Horse’, e o deputado Mario Frias (PL-SP) são alvos de ação da Polícia Federal, que cumpre mandados de busca nesta quinta-feira (10). — Foto: Reprodução e Câmara dos Deputados

🎥 O filme “Dark Horse” (termo em inglês para “azarão”) passou a ser alvo de investigações após reportagens revelarem que a produção teria sido financiada por Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. Ele está preso em Brasília.

➡️O senador Flávio Bolsonaro (PL) admitiu ter intermediado as negociações e cobrado pagamentos de Vorcaro — que chegou a repassar cerca de R$ 61 milhões ao projeto antes de ser preso.

Movimentações financeiras

A PF analisou as movimentações financeiras da produtora e identificou que a Go Up Entertainment, responsável pelo filme, movimentou R$ 19.033.071 entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025, segundo a investigação.

Nesse período, a empresa recebeu valores de diferentes remetentes, entre eles o próprio deputado federal Mario Frias.

Segundo a PF, o filme foi gravado em São Paulo entre 20 de outubro e 7 de dezembro de 2025. O período coincide, em parte, com as movimentações financeiras analisadas pelos investigadores, realizadas entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025.

“Nesse sentido, segundo fontes abertas, o filme foi gravado justamente em São Paulo, entre 20 de outubro e 07 de dezembro de 2025. Assim, chama a atenção a coincidência temporal das gravações com o período da referida comunicação (10/11/2025 a 30/12/2025), bem como a natureza das despesas, que envolvem hotel de alto padrão e refeições, além de despesas com produtoras”, diz o relatório da PF.

A movimentação financeira também chamou a atenção dos investigadores porque, no mesmo período, uma empresa identificada como NTT Brasil, de Heric Dias, transferiu R$ 750 mil para a Go Up Entertainment.

O valor é próximo dos R$ 700 mil recebidos pela Dinâmica Editora e pelo Instituto Super Poder Educacional, empresas do mesmo grupo empresarial, por meio do Instituto Conhecer Brasil (ICB), que receberam recursos de emendas parlamentares.

Com isso, a PF aponta indícios de que recursos originalmente destinados a contratos executados pelo ICB tenham sido repassados, por meio de contratações com indícios de fraude, a empresas ligadas ao grupo de Heric Dias. Posteriormente, segundo os investigadores, esses valores podem ter chegado à Go Up Entertainment por meio de uma transferência feita pela NTT Brasil.

Pagamentos feitos por Mario Frias

Outro ponto destacado pela investigação é uma transferência de R$ 645,4 mil feita pelo próprio deputado Mario Frias para a Go Up Entertainment. No entanto, a PF aponta que os rendimentos mensais do parlamentar são de R$ 44.008,52.

“Destaca-se, ainda, o envio de R$ 645.400,00 para a Go Up pelo próprio Deputado Federal Mário Frias, cujos rendimentos mensais alcançam a monta de R$ 44.008,52, colocando em questão o lastro financeiro para dar suporte às transferências feitas para a pessoa jurídica de Karina Gama no curto espaço de menos de sessenta dias”.

Ou seja, a PF questiona se o deputado teria recursos suficientes para justificar as transferências feitas para empresas ligadas a Karina Gama em um período de menos de 60 dias.

O ex-marqueteiro do candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, enviou um repasse de R$ 1 milhão para a Go Up Enterteinment.

O relatório do Coaf reproduzido na decisão do ministro Flávio Dino afirma que a empresa movimentou R$ 19 milhões no período analisado, sendo R$ 8,9 milhões a crédito e R$ 10 milhões a débito. Entre os principais repasses estão Marcello e o deputado Mario Frias.

🔎Lopes atuava nos bastidores da pré-campanha. Ele deixou a equipe em meio às críticas à reação da campanha após a divulgação de mensagens e notícias sobre um encontro de Flávio com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. O episódio aumentou a pressão sobre a equipe de comunicação.

Outras emendas

A Polícia Federal (PF) aponta que além do deputado federal Mario Frias, os parlamentares Marcos Pollon (PL-MS) e Bia Kicis (PL-DF) também assinaram emendas parlamentares para uma organização presidida por Karina Ferreira da Gama, dona da produtora do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A Academia Nacional de Cultura (ANC), outra organização também presidida por Karina Gama, foi indicada como beneficiária de R$ 1 milhão em emendas destinadas por Marcos Pollon; e R$ 150 mil destinadas por Bia Kicis. Esses valores, porém, não foram efetivamente pagos.

A PF destaca que Marcos Pollon é eleito pelo Mato Grosso do Sul, e Bia Kicis pelo Distrito Federal. As emendas analisadas, porém, foram destinadas ao estado de São Paulo.

Essa diferença entre o estado pelo qual os parlamentares foram eleitos e o local que recebeu os recursos, segundo os investigadores, pode indicar descumprimento das regras que exigem uma relação entre a origem da emenda e o estado beneficiado.

Operação ‘Make Up’

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o cumprimento de mandados de busca e apreensão contra suspeitos de envolvimento em um esquema de desvio de emendas parlamentares.

As medidas foram determinadas nesta quinta-feira (10) no âmbito da Operação Make Up, realizada conjuntamente pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU), que investiga organizações ligadas ao filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A ação cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal.

Além do cumprimento de mandados de busca e apreensão, o ministro também determinou a aplicação de medidas cautelares contra o deputado federal Mario Frias (PL-SP), proibindo o parlamentar de deixar o país e de manter qualquer contato com os demais investigados no inquérito que apura desvios de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares.

➡️Dino é o responsável por autorizar esse tipo de ação porque ele é o relator de processos no Supremo que investigam irregularidades no repasse desses recursos públicos, enviados por parlamentares para suas bases eleitorais.

Entre as organizações alvos de mandados estão o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC), ambos presididos por Karina Ferreira da Gama. Ela também é dona da produtora Go Up Entertainment, responsável pela produção da cinebiografia Dark Horse.

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