Economista de Flávio Bolsonaro diz que, se eleito, ele vai fazer o mesmo que Javier Milei na economia; saiba o que isso significa
por Revista Fórum

Daniella Marques, coordenadora das políticas econômicas da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), declarou na segunda-feira (14) que Flávio, caso seja eleito presidente da República, pretende se inspirar nas políticas econômicas adotadas por Javier Milei, presidente da Argentina.
“O Milei é um ótimo exemplo em termos de voltar a ter capacidade de investimento, redução de burocracias em impostos. A taxa de juros compete ao Banco Central e, para o BC poder fazer o trabalho dele na redução de juros, precisa de um governo que seja responsável com as contas. Quem não cuida das contas, não cuida das pessoas, então a gente vai focar em botar as contas no azul para que se permita que haja redução dos juros do Brasil”, declarou Daniella Marques durante evento da Esfera Brasil.
O que significa adotar as políticas econômicas de Milei?
A referência de Daniella Marques a Javier Milei remete a um programa econômico baseado em forte ajuste fiscal, redução do tamanho do Estado, cortes de gastos públicos, desregulamentação da economia e diminuição de subsídios.
Entre os efeitos negativos registrados durante o governo Milei estão:
- Explosão da pobreza: no primeiro semestre de 2024, a pobreza atingiu 52,9% da população urbana, contra 41,7% no segundo semestre de 2023. A indigência chegou a 18,1%. Posteriormente, os indicadores recuaram significativamente.
- Recessão: a economia argentina encolheu em 2024. Dados consolidados pelo FMI apontam queda de 1,3% do PIB naquele ano.
- Corte agressivo dos gastos públicos: segundo o FMI, as despesas primárias tiveram uma contração real de aproximadamente 30% em 2024, com cortes em subsídios, aposentadorias, transferências às províncias e investimentos públicos.
- Pressão sobre aposentadorias: o ajuste atingiu os gastos previdenciários e provocou sucessivas manifestações de aposentados. Em 2025, protestos por aumento das aposentadorias terminaram inclusive com dezenas de feridos em Buenos Aires.
- Cortes nas universidades públicas: universidades enfrentaram forte compressão orçamentária no início do governo. Em 2024, estudantes e professores organizaram grandes protestos contra a política de austeridade e denunciaram dificuldades para manter o funcionamento das instituições.
- Queda do consumo, da indústria e da construção no início do ajuste: os primeiros meses do programa foram marcados por forte retração da atividade, particularmente nesses setores, em meio à perda do poder de compra provocada pela inflação e pelo ajuste fiscal.
- Desemprego ainda elevado: o FMI registra taxa de desemprego de 7,4% em 2025 e projeta 7,2% para 2026.
- Inflação anual ainda alta: embora tenha desacelerado fortemente em relação ao início do governo, a inflação encerrou 2025 em 31,5% e o FMI projeta 25% em 2026.
Argentina de Milei: inflação acumulada em três anos supera 300% e seria pior sem mudança na contabilidade
Um levantamento da consultoria argentina Qualy estima que a inflação acumulada durante o governo do presidente argentino Javier Milei teria sido 15,5 pontos percentuais maior caso o instituto oficial de estatísticas do país, o INDEC (equivalente ao IBGE no Brasil), tivesse adotado a nova forma de calcular os preços que estava planejada para começar em janeiro de 2026.
O consumo de produtos básicos de higiene recuou na Argentina em julho, segundo dados do relatório Radar, da consultoria Scanntech. O levantamento aponta queda nas vendas de itens como desodorantes, sabonetes, xampus e condicionadores nos autosserviços independentes, em um cenário de retração do consumo massivo no país. As informações são do jornal argentino El Destape.
De acordo com o estudo, o consumo acumulou queda de 4,1% nos primeiros sete meses de 2026.
Na comparação entre julho deste ano e o mesmo mês de 2025, os desodorantes registraram a maior retração entre os produtos de higiene analisados, com queda de 4,1%.
Os sabonetes de tocador tiveram redução de 2,7%, enquanto a categoria de xampus e condicionadores recuou 0,3%.
Já as vendas de cremes dentais permaneceram estáveis, sem variação em relação a julho do ano passado.
O papel higiênico foi a exceção entre os principais produtos de higiene, com aumento de 2,9% no consumo.
No segmento de limpeza doméstica, o cuidado com as roupas apresentou queda de 4,1%.
O levantamento também mostra que a redução no volume de produtos vendidos ocorreu ao mesmo tempo em que houve aumento da receita dos estabelecimentos.
Apenas entre os meses de junho e julho, os preços registraram alta de 3,4%. O ticket médio das compras chegou a 10.332 pesos argentinos, valor 28,9% superior ao registrado um ano antes.


