Diálogos de Vorcaro citam filho de Kassio Nunes Marques e pagamento de R$ 500 mil

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por coluna Mônica Bergamo, Folhapress

Dois homens vestidos com terno azul e capa preta conversam em ambiente interno. Um deles sorri enquanto olha para o outro, que está de costas para a câmera. Cadeiras amarelas ao fundo indicam ambiente formal, possivelmente jurídico ou acadêmico.
O ministro Kassio Nunes Marques em sessão de reabertura dos trabalhos do judiciário no STF – Pedro Ladeira/Folhapress

O conteúdo integral do celular de Daniel Vorcaro entregue a ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) na segunda (14) revela diálogos em que o ex-banqueiro trata de pagamentos que seriam destinados ao advogado Kevin Marques, filho do ministro Kássio Nunes Marques.

Eles seriam feitos por meio da Consult Inteligência Tributária.

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As mensagens foram trocadas entre Luiz Rennó, então diretor jurídico do Banco Master, e o ex-banqueiro. Nelas, Rennó fala em pagamentos mensais de R$ 500 mil.

Procurado, o ministro Kassio Nunes Marques não se manifestou sobre os diálogos que citam Kevin Marques.

A assessoria do filho do magistrado afirma por meio de nota que “o advogado Kevin Marques não prestou serviço ao banco Master nem recebeu dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro. Como informado anteriormente, o advogado Kevin Marques recebeu R$ 281,6 mil da Consult, empresa à qual prestou serviços jurídicos especializados na área tributária administrativa. A atuação profissional do advogado Kevin Marques em favor da Consult não tem qualquer relação com o Supremo Tribunal Federal”.

O conteúdo das conversas deve ser abordado na sessão desta terça (15) do STF que decidirá pela abertura, ou não, de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes por envolvimento com Vorcaro.

Ministros vão dizer que Moraes merece o mesmo tratamento e benefício da dúvida que outros integrantes do STF que foram citados ou tiveram familiares citados em diálogos de Vorcaro.

Na primeira mensagem localizada agora no arquivo do celular que cita o filho de Nunes Marques, o diretor Rennó repassa a Vorcaro, no dia 1 de outubro de 2024, a informação de que o STF tinha tomado uma decisão favorável à destilaria Alcídia, de Teodoro Sampaio, que reconhecia a responsabilidade da União sobre prejuízos causados a usinas do setor sucroalcooleiro nas décadas de 1980 e 1990.

Com isso, a União teria que pagar indenizações bilionárias às usinas. Vorcaro tinha negócios e interesse na área, já que o Banco Master mantinha em seu balanço carteira de precatórios do setor estimada em R$ 10 bilhões.

Votaram a favor da tese os ministros Edson Fachin, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques. Ficaram vencidos Gilmar Mendes e André Mendonça.

Nunes Marques inicialmente se declarou impedido de votar, mas depois reviu a posição e desempatou o julgamento a favor da destilaria.

Em seguida, Rennó envia o print com os contatos de Kevin Marques, e embaixo a legenda: “Dominado aqui”.

No ano seguinte, em 4 de julho de 2025, Rennó volta a falar do assunto com Vorcaro. Ele envia o print com os mesmos contatos de Kevin Marques e escreve: “Esse aqui _ 500 mil mês – mantém? Kkkkkkkkk. Então esse aqui já era, né?”. Vorcaro responde: “Kkkkkkk”.

Em 8 de agosto de 2025, Rennó diz a Vorcaro: “Dos pagamentos essenciais está faltando a Consult”. Em seguida, envia o mesmo print com os contados de Kevin Marques, e escreve: “Aqui. Esse aí. Único ‘meu’ que faltou”.

Em nota, a assessoria de Nunes Marques afirma que, “em relação ao processo citado sobre a usina, o ministro Kassio Nunes Marques estava impedido por anotação da Secretaria porque decidiu o caso como vice-presidente do TRF-1.

Posteriormente compreendeu que tecnicamente não estava impedido, por se tratar de tese ampla, pediu retificação à Secretaria e acabou votando. Votou diversas vezes no mesmo sentido enquanto estava no TRF-1.

Embora na mensagem eles [Rennó e Vorcaro] estivessem comemorando o resultado, não se tratava de ação sobre o Master, era uma tese que se aplicaria a diversas empresas. O ministro nunca votou a favor do Banco Master, e o filho nunca recebeu dinheiro de Daniel Vorcaro”.

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