PL turbina candidatos ao Senado após Bolsonaro mirar STF e repassa quase o dobro que PT

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por Folhapress

Senadores reunidos em grupos no plenário do Senado Federal, com teto iluminado por luzes douradas e painel eletrônico azul exibindo informações ao fundo.
Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa ordinária; das 81 cadeiras, 54 serão renovadas nestas eleições – Carlos Moura – 1.set.26/Carlos Moura/Agência Senado

O PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, repassou R$ 91,6 milhões aos candidatos da sigla ao Senado desde o início da campanha. O valor é quase o dobro dos R$ 48,2 milhões repassados pelo PT, segundo levantamento feito a partir das prestações de contas das legendas à Justiça Eleitoral.

O montante foi repassado a 30 candidatos distribuídos em 24 unidades federativas. É a sigla com maior número de beneficiados por repasses da direção nacional na disputa pelo Senado e também com a maior capilaridade. O PT distribuiu recursos para 18 candidatos em 15 estados mais o Distrito Federal.

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Entre os 15 candidatos ao Senado que mais receberam recursos das direções nacionais, nove são do PL, espalhados por oito estados. O dinheiro, porém, se concentra sobretudo no Sudeste: São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais reúnem 9 dos 15 nomes.

São Paulo se destaca ainda por combinar concentração financeira e diversidade partidária, com quatro candidatos de quatro siglas diferentes entre os maiores beneficiários.

Simone Tebet (PSB), concorrente a uma das duas vagas pelo Senado em São Paulo, é dona da maior fatia dos repasses feitos pelos diretórios nacionais, com R$ 6,5 milhões. Em segundo lugar, outro concorrente pelo mesmo estado, André do Prado (PL), aparece com R$ 6 milhões.

Nestas eleições, o PL dispõe da maior fatia do Fundo Eleitoral, com R$ 881,7 milhões, cerca de 17,8% do total. O PT ficou com a segunda maior parcela, de R$ 615,4 milhões.

No Senado, 54 das 81 vagas estarão em disputa, maior número desde 2018. Cada estado e o Distrito Federal irão eleger dois representantes, com mandatos de oito anos. No total, 315 candidatos disputam as vagas.

Desses, 32 são senadores em exercício que disputam a reeleição. A média nacional é de 5,8 candidatos por vaga, mas esse dado muda entre os estados; em São Paulo, são 15 candidatos para duas vagas, enquanto o Piauí tem 20 postulantes para duas cadeiras.

Ao todo, as direções nacionais analisadas já repassaram ao menos R$ 365,1 milhões às campanhas para senador. O montante equivale a cerca de R$ 6,8 milhões para cada uma das 54 cadeiras em disputa.

A disputa por cadeiras na Casa para pautar pedidos de impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) é uma das prioridades de Bolsonaro. O movimento ocorre após a decisão da Suprema Corte que o condenou à prisão pela trama golpista, em setembro do ano passado.

Os pedidos de impeachment de ministros do STF tramitam no Senado. Após o protocolo, o pedido passa pela análise da Casa antes de poder ser submetido aos senadores. Por decisão liminar do ministro Gilmar Mendes, do STF, atualmente em vigor, são necessários dois terços dos integrantes do Senado, ou 54 votos, para a abertura do processo. O mesmo quórum é exigido para uma eventual condenação.

Diante disso, o ex-presidente teve papel central na escolha das candidaturas do PL ao Senado, o que inclui integrantes de sua família, como a mulher Michelle, candidata do partido pelo DF, e o filho Carlos por Santa Catarina.

A oposição a ministros do STF voltou ao centro do debate da campanha eleitoral diante de novos desdobramentos do caso Master, após a divulgação de mensagens e encontros envolvendo Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro e da revelação de um encontro do ex-banqueiro com André Mendonça.

Pesquisas Datafolha e Quaest realizadas na segunda quinzena de agosto mostraram que quatro candidatos do PL lideram isolados na disputa pela primeira vaga em seus estados. É o caso de Michelle Bolsonaro (DF), Reinaldo Azambuja (MS), Eduardo Gomes (TO) e Fernando Máximo (RO).

A análise da prestação de contas das direções partidárias como doadoras de campanha disponível na Justiça Eleitoral evidencia estratégias de outras siglas para conquistar uma cadeira no Senado.

Há também transferências entre siglas. A direção nacional do União Brasil, por exemplo, repassou recursos para candidatos filiados ao Republicanos, PP e PL. O Cidadania destinou R$ 1,5 milhão a uma candidata do PSDB e R$ 400 mil a João Roma (PL). O PCdoB transferiu R$ 200 mil para Eliziane Gama (PT). Já o PSOL destinou R$ 1,1 milhão a Marina Silva (Rede), além de R$ 50 mil a Leila Barros (PDT) e R$ 50 mil a Erika Kokay (PT).

Por sua vez, o PDT, sexto colocado em volume de recursos, repartiu seus R$ 24,5 milhões entre nove candidatos. Entre os filiados à legenda, Marília Arraes recebeu R$ 4 milhões, Leila Barros, R$ 3,75 milhões, e Rafael Motta, R$ 3,7 milhões.

No PT, os maiores repasses da direção nacional foram para Benedita da Silva (RJ) e Marília Campos (MG), com cerca de R$ 5,34 milhões cada, seguidas por Eliziane Gama (MA), com R$ 4,25 milhões; Gleisi Hoffmann (PR), com R$ 4 milhões; e Erika Kokay (DF) e Samanda Alves (RN), com R$ 3,43 milhões cada.

São Paulo aparece como o estado que mais concentra dinheiro das direções nacionais entre as candidaturas analisadas, com cerca de R$ 27,6 milhões. Depois aparecem o Rio de Janeiro, com R$ 24,8 milhões, Minas Gerais (R$ 21,9 milhões), Distrito Federal (R$ 17,2 milhões) e Rio Grande do Sul (R$ 16,6 milhões).

Na disputa por uma das duas vagas no Senado por São Paulo, o ex-secretário de Segurança Pública Guilherme Derrite (PP) recebeu R$ 5,9 milhões da direção nacional do partido.

Em 2022, o senador Marcos Pontes (PL-SP) foi eleito com despesas de campanha declaradas em R$ 4,5 milhões (R$ 5,3 milhões em valores atualizados pela inflação). No mesmo pleito, o senador Romário (PL-RJ) foi reeleito após gastar R$ 5 milhões (R$ 6 milhões atualizados).

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