Porto de Cabedelo firma protocolo para integrar projeto de corredor logístico com a Europa
por TH+ SBT

O Porto de Cabedelo firmou um protocolo de cooperação com o município de Castelo Branco, em Portugal, para participar de um projeto que pretende criar uma nova conexão logística para mercadorias provenientes do Atlântico e destinadas ao mercado europeu.
A proposta é que o terminal paraibano se conecte ao futuro Porto Seco de Castelo Branco, planejado para funcionar como um ponto de desembaraço aduaneiro e distribuição de mercadorias com destino à Europa.
O projeto pretende ainda utilizar os portos marítimos portugueses de Lisboa e Setúbal como portas de entrada das cargas no continente.
Apesar da dimensão internacional do anúncio, o protocolo representa uma etapa de articulação. Não há informação de que uma nova linha marítima entre Cabedelo e Portugal tenha sido criada ou contratada.
Como funcionaria a ligação
O chamado porto seco é uma estrutura logística instalada no interior do território, sem acesso direto ao mar.
A proposta de Castelo Branco é receber cargas desembarcadas em portos marítimos portugueses e concentrar serviços como armazenamento, logística e procedimentos aduaneiros antes da distribuição para outros destinos europeus.
Segundo o município português, a intenção é transformar Castelo Branco em um centro de desalfandegamento de mercadorias provenientes de portos atlânticos da América Latina e de países africanos de língua portuguesa.
Nesse desenho, Cabedelo funcionaria como um dos portos parceiros do outro lado do Atlântico.
A Câmara Municipal de Castelo Branco afirma que o objetivo é captar novos fluxos internacionais e, ao mesmo tempo, aumentar a escala das operações dos portos de Lisboa e Setúbal.
Projeto português começou a ser articulado antes do acordo com a Paraíba
A criação do porto seco já vinha sendo discutida em Portugal antes da missão à Paraíba.
Em julho, o presidente da Câmara de Castelo Branco, Leopoldo Rodrigues, anunciou que o município havia manifestado formalmente ao governo português interesse em sediar uma das seis grandes áreas empresariais previstas no programa Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência.
Na ocasião, ele informou que o projeto do porto seco estava sendo desenvolvido em articulação com o presidente da Administração do Porto de Lisboa, Vítor Caldeirinha.
Também estavam sendo buscadas conexões com portos da América Latina e de países africanos banhados pelo Atlântico.
O município português afirma que pretende assinar protocolos semelhantes com as administrações dos portos de Lisboa e Setúbal. Segundo a prefeitura de Castelo Branco, Setúbal já havia manifestado disposição para participar do projeto.
O que o acordo pode significar para a Paraíba?
Caso o corredor avance para a fase operacional, o projeto pode criar uma alternativa de entrada de mercadorias movimentadas por Cabedelo no mercado europeu.
Mas ainda não é possível afirmar que o arranjo reduzirá frete, tempo de viagem ou custos aduaneiros para empresas paraibanas.
Nenhuma das fontes públicas consultadas apresenta, até agora, estudo comparativo de custos, tarifas, tempo de trânsito ou estimativa de volume de carga.
Também ainda não foram divulgados:
- prazo para implantação do Porto Seco de Castelo Branco;
- investimento necessário para a estrutura;
- armadores que participariam da operação;
- frequência de eventuais serviços marítimos;
- empresas paraibanas interessadas;
- volume de cargas previsto;
- data para início das operações;
- produtos que serão priorizados.
Portanto, o impacto econômico dependerá das próximas etapas do projeto.
Quais produtos paraibanos poderiam usar a conexão?
O protocolo não especifica quais mercadorias da Paraíba serão incluídas no futuro corredor.
O histórico do Porto de Cabedelo, no entanto, mostra que o terminal já realizou operações de exportação para a Europa.
Um exemplo é a ilmenita extraída em Mataraca, no Litoral Norte paraibano. Em 2023, o porto anunciou uma operação de 20 mil toneladas do minério com destino à França. Desde 2017, mais de 160 mil toneladas de ilmenita já haviam passado pelo terminal paraibano.
Em operação anterior, o Porto de Cabedelo também exportou granito paraibano para a Itália. Na mesma época, outra carga de ilmenita seguiu para Rotterdam, na Holanda, antes de chegar à França.
Esses registros demonstram que Cabedelo já possui histórico de operações destinadas ao continente europeu.
Isso, porém, não significa que ilmenita, granito ou qualquer outro produto estejam contemplados no protocolo recém-assinado. A definição das cargas dependerá das empresas, dos mercados compradores e das condições comerciais e logísticas futuras.
Castelo Branco busca posição estratégica na Península Ibérica
A localização de Castelo Branco também ajuda a explicar o interesse do município no projeto.
A cidade fica na região central de Portugal, próxima à fronteira com a Espanha, e pretende utilizar o porto seco como parte de uma estratégia para atrair indústrias e centros logísticos.
Em julho, a prefeitura portuguesa apresentou o projeto durante um congresso transfronteiriço realizado em Cáceres, na Espanha, diante de empresários e representantes públicos dos dois países.
A intenção é que cargas desembarcadas no litoral português possam ser desembaraçadas no interior e, a partir dali, distribuídas para diferentes mercados europeus.
Protocolo ainda não aparece detalhado no portal de Cabedelo
Até esta atualização, o site oficial da Companhia Docas da Paraíba não apresentava uma notícia específica com o inteiro teor do protocolo firmado com Castelo Branco.
As informações públicas mais detalhadas sobre o acordo foram divulgadas pelo próprio município português e por veículos de imprensa de Portugal.
Por isso, ainda não é possível estabelecer obrigações específicas assumidas pela Docas-PB, vigência do protocolo ou metas comerciais a partir das fontes disponíveis.
A divulgação do documento integral poderá esclarecer se o acordo prevê estudos técnicos, intercâmbio de informações, prospecção conjunta de empresas, metas de movimentação ou outras etapas para tornar a conexão operacional.
Comitiva segue agenda no Brasil
A missão é liderada pelo presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco, Leopoldo Rodrigues, e começou em 27 de setembro.
Depois da passagem pela Paraíba, a delegação seguiu para São Paulo, onde participa da ABAV Expo 2026 e realiza encontros destinados à atração de investimentos e promoção econômica e turística da região portuguesa. A agenda brasileira segue até 3 de outubro.
O que já está confirmado
Acordo: protocolo de cooperação entre Castelo Branco e Porto de Cabedelo
Projeto: futuro Porto Seco de Castelo Branco
Objetivo declarado: criar ponto de desembaraço de mercadorias destinadas à Europa
Portos portugueses envolvidos na articulação: Lisboa e Setúbal
Situação: projeto ainda em estruturação
Rota marítima direta Cabedelo–Portugal: não anunciada
Prazo para operação: não divulgado
Cargas paraibanas já definidas: não divulgadas
Redução de custos: ainda não demonstrada


