Autor de impeachment de Dilma ataca Flávio Bolsonaro: ‘Cuidado com o precipício’
por UOL

O jurista Miguel Reale Júnior, ex-ministro da Justiça de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e um dos autores do pedido de impeachment de Dilma Rousseff (PT), fez duras críticas a Flávio Bolsonaro (PL). “Nada justifica que, ao se pretender mudar o rumo, tome-se o caminho do precipício”, escreveu nas redes sociais.
O disse o jurista
Reale Júnior chamou Flávio de figura “secundária” e “inexpressiva” e questionou o que o eleitor conhece sobre suas propostas. “Mas quem é Flávio que recebeu mais de 56 milhões de votos?”, escreveu. Segundo ele, pouco se sabe sobre o programa do candidato.
O jurista afirmou que votar em Flávio significaria apoiar a anistia aos envolvidos nos atos de 8 de Janeiro. Ele disse que o senador pretende beneficiar os condenados, começando pelo próprio pai. “Votar em Flávio é, portanto, legitimar o golpe”, afirmou.
Reale Júnior também acusou Flávio de submissão aos Estados Unidos e disse que sua eleição colocaria a soberania brasileira em risco. Ele citou a defesa da classificação do Comando Vermelho e do PCC como organizações terroristas após encontro do candidato com Donald Trump.
“Sendo Flávio submisso a Trump, cumpre estar o eleitor consciente de que ao nele votar dia 25 estará fragilizando nossa soberania” —- Miguel Real Júnior, jurista.
O modelo de segurança pública de El Salvador elogiado por Flávio também foi alvo de críticas. Para o jurista, uma política baseada em prisões de suspeitos sem o devido processo penal provocaria um “desastre humanitário” no Brasil.
Reale Júnior afirmou que o novo Congresso amplia os riscos de uma eventual Presidência de Flávio. Segundo ele, o avanço de parlamentares da direita radical cria um cenário em que propostas contra direitos de minorias, cotas e feminismo podem ganhar força.
“Cada eleitor que pretender sufragar o nome de Flávio deve estar ciente de que começa com o seu voto a construção de uma repressão indiscriminada, sem o devido processo penal” —- Miguel Real Júnior, jurista.
Apesar de reconhecer o desgaste do PT e de Lula, o jurista disse considerar uma vitória de Flávio mais perigosa. Para ele, governos petistas preservam a independência do país e não promovem “um estado policialesco”.
Reale Júnior foi um dos autores do pedido de impeachment de Dilma Rousseff apresentado em 2015. O documento, também assinado pelos advogados Hélio Bicudo e Janaina Paschoal (atual vereadora de São Paulo), apontou crimes de responsabilidade ligados às “pedaladas fiscais” e a decretos de crédito suplementar sem autorização do Congresso.


