Governo dos EUA faz operação em casa de deputada democrata muçulmana crítica de Trump

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por Reuters

Seis agentes do FBI caminham em fila ao longo de uma calçada residencial, próximos a uma casa branca com cerca de madeira. Eles vestem roupas táticas e coletes com identificação do FBI, alguns carregando pastas e equipamentos.
Agentes federais fazem operação na casa da deputada democrata Ilhan Omar – Andrew Leyden – 12.out.26/Getty Images via AFP

Autoridades dos Estados Unidos realizaram na madrugada desta segunda-feira (12) uma operação de busca na casa da deputada democrata Ilhan Omar, na região de Washington. Representante do estado de Minnesota e crítica de Donald Trump, a congressista tem sido alvo de ataques do presidente.

Segundo o Departamento de Justiça, a ação faz parte de uma investigação em andamento.

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Uma pessoa familiarizada com o caso afirmou que a apuração envolve suspeitas de fraude imigratória. Parte da investigação diz respeito a documentos de imigração da parlamentar, nascida na Somália, que foram preenchidos pelo seu pai, já morto, quando ela era criança.

Em uma publicação nas redes sociais, Omar escreveu que o governo está sendo instrumentalizado para perseguir um inimigo político do presidente. “Há dez anos, Trump me ataca com mentiras infundadas e campanhas difamatórias”, afirmou. “Esta é apenas a mais recente escalada em sua campanha de intimidação política. Não vou me calar.”

Outros democratas acusaram Trump e seu governo de abuso de poder. Omar, 44, busca um quinto mandato na Câmara dos EUA nas eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro.

Ao anunciar a operação, um porta-voz do Departamento de Justiça afirmou que agentes da Investigação de Segurança Interna cumpriram um mandado de busca autorizado pela Justiça na região de Washington. O órgão integra o Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE), a agência de imigração americana.

O secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, indicado por Trump para o cargo, havia dito no mês passado que “algo vai acontecer” na apuração sobre a entrada da família de Omar nos EUA. “Se conseguirmos provar que você não deveria estar aqui desde o início, vamos deportá-la”, afirmou, na ocasião, ao podcaster conservador Benny Johnson.

A operação desta segunda-feira ocorreu pouco mais de três semanas antes das eleições de meio de mandato, nas quais o Partido Republicano tenta manter o controle do Congresso. Uma das principais representantes da ala progressista do Partido Democrata, Omar representa um distrito eleitoral considerado seguro para a legenda. Em 2024, foi reeleita com uma vantagem de 50 pontos percentuais.

Em uma declaração conjunta, o líder da minoria democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, e outros integrantes da liderança do partido na Casa afirmaram que a operação era “profundamente perturbadora” e levantava sérias questões sobre a instrumentalização do governo federal contra os adversários de Trump.

O comunicado diz que os republicanos têm perseguido Omar de forma implacável. Segundo os democratas, a “máquina de deportações em massa de Trump chegou à casa de uma integrante eleita do Congresso e de sua família”. O texto promete cobrar responsabilização pelo que chama de abuso de poder.

Democratas de Minnesota também condenaram a operação.

“Os americanos estão vendo isso pelo que realmente é”, escreveu nas redes sociais o governador democrata de Minnesota, Tim Walz. “O presidente Trump está abusando de seu poder para perseguir adversários políticos semanas antes de uma eleição.”

A deputada democrata Ilhan Omar – Brian Snyder – 28.jan.26/Reuters

As normas do Departamento de Justiça proíbem promotores e agentes federais de programar ações para influenciar o resultado de eleições ou beneficiar candidatos e partidos. Historicamente, o órgão evita tomar medidas investigativas contra candidatos nos cerca de 60 dias anteriores a uma votação.

Durante o segundo mandato de Trump, o Departamento de Justiça investigou e apresentou acusações contra diversos adversários políticos do presidente.

A pasta apresentou acusações contra o ex-diretor do FBI James Comey, a procuradora-geral do estado de Nova York, Letitia James, e John Bolton, ex-conselheiro de Segurança Nacional de Trump que posteriormente se tornou crítico do presidente. Também investigou parlamentares democratas, o senador democrata Adam Schiff e Lisa Cook, diretora do Fed.

‘OBSESSÃO ASSUSTADORA’

Omar é alvo constante de ataques de Trump, que retratou a comunidade somali-americana como uma ameaça a Minnesota em meio a uma onda de declarações contra somalis e muçulmanos. A deputada define a atenção do presidente como uma “obsessão doentia e assustadora”.

Na semana passada, Trump chamou Abdul El-Sayed, candidato democrata ao Senado por Michigan e muçulmano, de “extremista radical” e “simpatizante de terroristas”, ao mesmo tempo em que declarou apoio ao rival republicano dele, Mike Rogers.

Defensores dos direitos civis criticam a retórica de Trump contra minorias e imigrantes, inclusive quando ele chamou os somalis de “lixo”.

Em fevereiro, o presidente afirmou que Omar e a deputada democrata Rashida Tlaib, de Michigan, também muçulmana, deveriam ser “internadas em instituições” e mandadas de volta para “o lugar de onde vieram”. As duas haviam criticado Trump durante o discurso sobre o Estado da União, no qual ele exaltou a linha dura de seu governo contra a imigração e as operações de fiscalização migratória.

Omar diz que ela e a família receberam ameaças de morte, que atribui à “retórica política de ódio”, sobretudo às declarações de Trump.

No mês passado, um homem de Minnesota que jogou vinagre em Omar foi condenado a um ano e dois meses de prisão, após se declarar culpado de agredir uma autoridade federal. Anthony James Kazmierczak admitiu ter atacado a deputada por discordar de suas posições políticas progressistas.

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