Ex-ministro de Bolsonaro, Weintraub diz que não irá votar e cita suspeitas de corrupção contra Flávio

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por Folhapress

Dois homens de terno escuro e gravata trocam um envelope em ambiente formal com fundo azul decorado com estrelas. Um terceiro homem aparece desfocado ao fundo.
O ex-presidente Jair Bolsonaro e o então ministro da Educação, Abraham Weintraub, durante cerimônia de posse de Nelson Teich no Ministério da Saúde, em foto de abril de 2020 – Pedro Ladeira/Folhapress

Abraham Weintraub, ex-ministro da Educação do governo Jair Bolsonaro (PL), afirmou que não irá às urnas no segundo turno, marcado para 25 de outubro, repetindo a abstenção do primeiro.

“Entre dois males, não escolha nenhum”, afirmou ele, hoje residente nos Estados Unidos, citando uma frase atribuída ao teólogo Charles H. Spurgeon.

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Apesar da proximidade com os filhos do ex-presidente durante o mandato à frente do MEC, o ex-ministro afirmou não votar em Flávio Bolsonaro (PL-RJ) devido às suspeitas de corrupção ligadas ao senador.

“Quando apoiei [Jair] Bolsonaro, não havia suspeitas de corrupção como há agora. Meu rompimento foi em 2020, com a entrada do centrão”, disse ao Painel. “Nunca votei em [Paulo] Maluf ou Lula, por não acreditar que fossem minimamente honestos. Nunca votei em gente assim. Não vou começar a fazer isso depois de velho.”

Flávio Bolsonaro é investigado por possíveis crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção no inquérito que apura a produção do filme “Dark Horse”, uma cinebiografia sobre seu pai.

A decisão que tornou o candidato alvo foi dada pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), em 22 de julho deste ano, a pedido da PF (Polícia Federal).

Weintraub diz ainda que “o Brasil não é uma democracia plena”, pois “não há voto independente como foi determinado pelo acordo de San José da Costa Rica [conhecido como a Convenção Americana sobre Direitos Humanos] ou urnas auditadas conforme a lei que foi aprovada”. “Não participo de coisa errada”, acrescentou.

O economista chefiou a pasta de Educação entre abril de 2019 e junho de 2020. Ele foi demitido do cargo após declarações contra ministros do STF –em especial, uma em que dizia querer “botar todos esses vagabundos na cadeia, começando no STF”.

A fala inflamou a crise entre o governo e o Supremo, e Weintraub acabou no inquérito do STF sobre divulgação de notícias falsas e ofensas aos ministros da corte.

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