Ciro Gomes agora chama Lula de 'fascistoide'

Pressionado a renunciar, Ciro Gomes agora chama Lula de 'fascistoide'

BRASÍLIA – O PDT anunciou nesta terça-feira, 4, que vai apoiar o candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, no segundo turno. O ex-ministro Ciro Gomes (PDT), que ficou em quarto lugar no primeiro turno e pautou sua campanha por fortes críticas ao petista, seguiu a decisão da legenda e divulgou um vídeo nas redes sociais.

“Eu gravo esse vídeo para dizer que acompanho a decisão do meu partido, o PDT. Frente às circunstâncias, é a última saída. Lamento que a trilha democrática tenha se afunilado a tal ponto que reste para os brasileiros duas opções, ao meu ver, insatisfatórias”, justificou Ciro. O pedetista se comprometeu a ocupar nenhum ministério caso o petista vença a disputa. “Não aceitarei cargo em um eventual governo, quero ser livre”, completou.

A decisão do PDT foi tomada após uma reunião da Executiva Nacional, que foi realizada de forma semipresencial, com uma parcela do partido na sede nacional da sigla, em Brasília, e outra parte participando por videoconferência. Ciro foi um dos que não estiveram na capital federal.

Desde 2018, Ciro tem escalado nas críticas ao PT e a Lula, de quem já foi ministro da Integração Nacional. Em diversas entrevistas e eventos, o pedetista chamava o petista de “enganador de serpentes” e disse que viu Lula “se corrompendo”.

No vídeo divulgado nesta tarde, Ciro afirmou que o risco para a democracia não está simbolizado nesta eleição, mas na falta de oportunidades para os mais pobres. “Não acredito que a democracia esteja em risco nesse embate eleitoral, mas sim no seu absoluto fracasso da nossa democracia em construir um ambiente de oportunidades, que enfrente a mais massiva crise social e econômica que humilha a esmagadora maioria do nosso povo”.

O ex-governador do Ceará afirmou que uma eventual vitória de Lula pode “oxigenar” a democracia, mas defende que haja renovação nas próximas eleições. “Espero que essa decisão ajude a oxigenar temporariamente que seja, a nossa democracia, mas se não houver a busca efetiva de novos ares, novos instrumentos, estaremos a mercê de um respirador de ar frágil e precário. Pelo Brasil, minha luta e do PDT seguiremos sempre firmes”.

O presidente do PDT, Carlos Lupi, minimizou as críticas de Ciro ao PT. “O processo político às vezes se acirra de uma maneira, eu vivi isso com Brizola e Lula lá em 1989. Um teria que engolir o sapo barbudo, o outro fugiu com a saia da mãe. Uma coisa muito forte. Isso não impediu Brizola de estar com Lula na campanha”.

De acordo com o dirigente partidário, quem for convidado pelo PT para subir no palanque de Lula, deverá ir. Lupi evitou dizer como o ex-governador do Ceará vai contribuir com a campanha do petista, mas afirmou que o ex-ministro não irá para a Europa, como fez em 2018. “O Ciro não viajará, ficará aqui no Brasil e já declarou esse apoio”. Lupi foi convidado pelo PT e deve ir ainda hoje para São Paulo se reunir com a campanha do ex-presidente.

Ciro também concorreu à Presidência em 1998, 2002 e 2018. Na campanha de 2022, ele teve seu pior desempenho e perdeu até no Ceará, sua base eleitoral e onde sempre liderava os votos nas eleições presidenciais anteriores. A disputa deste ano também encerrou a hegemonia do grupo de Ciro no governo cearense e, pela primeira vez em 16 anos, o candidato apoiado por ele perdeu. Roberto Cláudio (PDT) ficou em terceiro lugar para governador, atrás de Capitão Wagner (União Brasil) e de Elmano de Freitas (PT), que comandará o Estado a partir de 2023.

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