Terremotos na Turquia e na Síria: Por que há pessoas que morrem logo depois de resgatadas?

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Foto: Reprodução

Por Julia Vergin, Deutsche Welle

Em seguida ao grave terremoto na Síria e na Turquia, Zeynep ficou mais de 100 horas presa sob os destroços de uma casa desmoronada, antes que forças de resgate pudessem libertá-la.

“Ela está bem, considerando as circunstâncias”, informava um comunicado de imprensa da organização de ajuda humanitária ISAR Germany (International Search And Rescue), que participou da operação.

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Pouco mais tarde, porém, Zeynep morreu. “No caminho para o hospital, ela ainda riu”, conta o socorrista Bastian Herbst, da ISAR. Segundo ele, pode haver “120 mil razões” para o óbito, como lesões internas só diagnosticadas posteriormente. Um dos motivos para a morte de Zeynep, porém, pode ter sido a chamada morte pós-resgate.

Sangue frio letal

Uma das causas possíveis desse fenômeno é a hipotermia. Sob as temperaturas glaciais na área do desastre, os vasos sanguíneos se estreitam: desse modo o organismo assegura que o mínimo possível do precioso calor interno se perca no ambiente através da pele ou das extremidades.

Nessas partes do corpo, a temperatura do sangue baixa, enquanto no núcleo físico o sangue quente garante o funcionamento dos órgãos vitais. Mas o salvamento de Zeynep foi complicado.

“Tivemos que movê-la muito para poder libertá-la”, recorda Herbst. Nesse processo, pode ocorrer de os vasos se dilatarem, e o sangue frio fluir para os órgãos internos, provocando distúrbios do ritmo cardíaco e consequente morte.

Danos renais e fibrilação

O socorrista alemão conta que as pernas de Zeynep estavam soterradas sob pedras e escombros. Ela ainda conseguia mover os pés, mas é possível que os tecidos dos membros estivessem lesionados. Lesões musculares liberam a proteína mioglobina, responsável pelo transporte de oxigênio dentro das células do tecido.

Quando o acidentado fica livre, o sangue volta a circular subitamente, inundando o organismo com mioglobina, o que pode causar falência dos rins e consequente elevação dos níveis de potássio. O excesso desse mineral, por sua vez, provoca fibrilação ventricular, com risco de morte especialmente alto para portadores de enfermidades cardíacas.

Alívio de tensão pode precipitar fim

Outra causa é o proverbial “morrer na praia”: “Conhecemos isso dos naufragados: no momento em que veem a equipe de resgate, não podem mais, e se afogam”, explica Herbst.

Os hormônios do estresse cuidam para que as funções corporais se mantenham. Quando essa tensão cede, a consequência pode ser uma queda radical da pressão sanguínea.

Tampouco se descartam motivos psicológicos para uma morte pós-resgate: Zeynep perdeu o marido e os filhos no abalo sísmico. “Talvez ela tenha se dado conta do fato, e isso a privou da vontade de viver”, especula Bastian Herbst. “É algo que não sabemos.”

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