Associação dos delegados rebate fala de Lula sobre chamar agentes que estão ‘fingindo trabalhar’

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Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foto: 20/03/2023REUTERS/Adriano Machado

Por Jéssica Valença, g1 e GloboNews

A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) criticou na quinta-feira (23) a declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre ter chamado delegados e agentes da Polícia Federal que estão “fingindo trabalhar” para combater o crime organizado.

Em nota, a ADPF manifestou preocupação diante do ocorrido e afirmou que o “foco do debate deveria estar em temas estruturantes e urgentes para o enfrentamento ao crime organizado”.

Lula fez a fala nesta quinta, durante a Feira Brasil na Mesa, realizada pela Embrapa, em Planaltina, Distrito Federal. Na ocasião, o petista comentava a nomeação de novos servidores da PF.

O presidente também afirmou que mandou o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, chamar todos os servidores que estão fora da corporação para ocupar seus cargos (leia mais abaixo).

A previsão do Executivo é de que todos os postos na Polícia Federal sejam ocupados até o fim do ano.

“Não se deve induzir a sociedade a acreditar que a anunciada medida de retorno será o que irá vencer o crime organizado”, diz um trecho da nota da Associação.

Nesse contexto, a entidade elenca uma série de limitações técnicas e de mão de obra enfrentadas pela Polícia Federal e frisa a necessidade de implementar políticas consistentes de valorização, retenção de talentos e financiamento adequado da instituição.

“Declarações que desqualificam policiais não contribuem para esse objetivo e fragilizam o debate público sobre segurança”, prossegue em outro parágrafo da nota.

A Associação reforça ainda a importância do diálogo contínuo com o governo federal para o aperfeiçoamento das “políticas de segurança pública em benefício da sociedade brasileira”.

Nomeação de novos policiais

Na quarta (22), o presidente anunciou a contratação de 1 mil novos policiais federais para reforçar o combate ao crime organizado.

Naquele dia, Lula gravou um vídeo para as redes sociais detalhando as nomeações. Segundo o presidente, ao todo serão 630 agentes, 160 escrivães, 120 delegados, 69 peritos e 21 papiloscopistas.

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