Conversa de Lula com vereadora evangélica teve PL Antiaborto e sugestão para reforma tributária

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Lula e Janja com a vereadora de Goiânia Aava Santiago — Foto: Ricardo Stuckert

Por Rodrigo Castro e Lauro Jardim

Na conversa que teve esta semana com Lula e Janja num café da manhã no Planalto, a vereadora evangélica Aava Santiago (PSDB-GO) tratou de duas pautas que têm dado o que falar no Congresso: PL Antiaborto e a reforma tributária.

O presidente queria subsídios para melhorar a interlocução com esse segmento religioso, que tende a ser mais conservador. Mas embora não fosse o foco do encontro, o projeto que equipara o aborto acima de 22 semanas de gestação a homicídio simples foi citado.

Aava afirmou a Lula que a pauta estava longe de ser a prioridade do povo evangélico.

Disse ela ao petista:

“Presidente, se o senhor chegar numa mulher evangélica média, especialmente as pentecostais, da periferia, e dizer ‘você tem 23 segundos para falar’, pode ter certeza q não vai chegar nem perto de dizer encarcerar meninas estupradas. Se dobrar esse tempo, também não. Se der um minuto ou dez, não vai ser prioridade”.

Janja, aliás, elogiou a atuação da parlamentar na discussão do PL. As duas tiveram uma conversa a sós, por cerca de 20 minutos, antes de Aava ser recebida por Lula. O convite da primeira-dama, no entanto, foi feito à vereadora no dia 4 de junho, antes de o debate sobre o projeto escalar. A aprovação da urgência na Câmara foi no dia 12.

Aava também fez outras recomendações a Lula, que sinalizou disposição a pensar sobre elas. Entre as sugestões, uma diz respeito à reforma tributária.

A vereadora expôs ao presidente que há inúmeras iniciativas comunitárias menores de igrejas que carecem de maior atenção. Citou como exemplo a escola gratuita que a igreja da qual faz parte mantém por meio de convênio e se destacou no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

Aava indicou que o governo poderia fazer uma triagem melhor dessas iniciativas de interesse público e valorizá-las em detrimento de benefícios que servem a interesses de “peixes-grandes”, como Silas Malafaia.

Como isso seria feito? É uma questão para Lula e sua equipe.

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