Dono de prédio histórico, TJPB cobra explicações da Prefeitura de Areia sobre obra embargada

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Fachada do Casarão José Rufino, em Areia — Foto: Ewerton Correia/TV Paraíba

Por Phelipe Caldas

O Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) decidiu na terça-feira (24) enviar um pedido de explicações à Prefeitura Municipal de Areia sobre as obras embargadas no Casarão José Rufino, localizado no centro do município paraibano. O prédio colonial de 1818 é de propridade do TJPB e estava cedido à Prefeitura, mas havia uma cláusula que dizia que qualquer intervenção no local só poderia acontecer mediante autorização prévia.

Nessa segunda-feira (23), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) na Paraíba tinha ido até o local e constatou a veracidade de uma denúncia de que uma tijolaria de mais de 200 anos vinha sendo destruída de forma deliberada, sem autorização do órgão que regula edificações tombadas do país.

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De acordo com o Iphan, o “dano é irreversível”. No prédio do período colonial existem oito senzalas que remetem ao início do século 19, mas três delas já haviam sido destruídas. Uma situação grave, ainda de acordo com o Instituto, por se tratar de “singular e provável único exemplar de senzala urbana no Brasil”.

O TJ da Paraíba agora quer, num prazo máximo de dez dias, saber o porquê disso ter acontecido sem o conhecimento prévio da instituição, tal como prevê o contrato. O Tribunal não descarta a rescisão de contrato de cessão do prédio histórico.

Obra de Areia é embargada pelo Iphan — Foto:  Ewerton Correia/TV Paraíba
Obra de Areia é embargada pelo Iphan — Foto: Ewerton Correia/TV Paraíba

Inspeção do TCE-PB

Também na terça-feira (24), o Tribunal de Contas do Estado da Paraíba resolveu acatar uma resolução do procurador Marcílio Franca Filho, da Força-Tarefa do Patrimônio Cultural do Ministério Público de Contas da Paraíba, e entrou no caso do casarão para garantir que as obras irregulares no local não tenham sequência.

O TCE-PB determinou que a Prefeitura de Areia e a prefeita Sílvia Farias da Cunha Lima, sob pena de multa, paralisem imediatamente as obras e se abstenham de novas despesas públicas que impliquem em qualquer alteração do prédio sem a autorização do Iphan. E que, além disso, a prefeita informe dados como o estado de conservação do bem cultural, a motivação técnica para a obra, o que foi feito com as peças centenárias retiradas do piso e toda a documentação que comprove a suposta legalidade da obra.

Por fim, ficou decidido que uma auditoria do TCE vai realizar uma inspeção in loco no prédio histórico para saber ao certo a real dimensão do dano causado.

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