Lula no Nordeste: “Trabalhamos com governadores sem perguntar partido”

Lula. Foto: Fábio Vieira

Por Ana Flávia Castro

O candidato à presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que pretende atuar em harmonia com todos os governos estaduais, caso seja eleito, ainda que os titulares não integrem o partido ou sejam apoiadores dele. A declaração ocorreu durante ato de campanha em Aracaju (SE), na manhã da quinta-feira (13/10).

“Trabalhamos com governadores sem perguntar de que partido é o governo. Essa não é uma pergunta que um presidente da República faz. Um presidente precisa saber se o problema existe e governar para o povo, e não para o governador”, afirmou. “No caso de estado para estado, se alguém me odeia, não tem problema. Eu não quero casar com governador”.

O candidato também foi questionado sobre a atual composição do Congresso Nacional. O PL, partido de Jair Bolsonaro, elegeu a maior bancada na Câmara dos Deputados e no Senado Federal nas eleições deste ano. Em contrapartida, Lula argumentou que “quando governa, não estabelece uma relação de amigos, e, sim, de entes federados”.

“Eu ainda não conheço os 40% que foram eleitos, mas eles significam a cara do povo no dia da eleição. Quando eu for conversar com os deputados, vou conversar independentemente do partido, com respeito à votação que ele teve. Um cara de direita, o voto dele não é inferior ao do cara de esquerda”, respondeu.

Na agenda em Sergipe, o candidato reforçou que pretende mudar parte da estratégia de campanha para o segundo turno, especialmente nos atos realizados em estados do Nordeste. Lula prometeu apresentar números deixados pelo governo na região, em contraponto aos argumentos do candidato à reeleição e adversário, quem ele voltou a chamar de “mentiroso”.

“Eu estou dizendo isso porque o atual presidente tem mentido muito. Ele tem distribuído panfletos dizendo que está fazendo tal coisa e, às vezes, ele não está fazendo nada”, disse. Mais uma vez, o petista acusou o mandatário brasileiro de “achar que as pessoas são bobas” e tentar enganá-las.

“Orçamento participativo”

O candidato do PT aproveitou a ocasião para reforçar a proposta que pretende colocar em prática — um programa de despesas e investimentos participativos — para tentar combater o orçamento secreto, medida implementada pelo governo Bolsonaro e altamente criticada pelo petista.

Segundo Lula, a proposta aproximaria a população das deliberações a respeito do dinheiro público.

“Nós vamos conversar com as pessoas. Eu estou pretendendo colocar em prática o orçamento praticipativo. A gente vai elaborar o orçamento e, depois, mostrar, antes de apresentar ao Congresso. O povo vai ver na internet, e, quem quiser dar palpite no orçamento, que dê. Não é tarefa fácil, vai ser a primeira vez, mas vamos tentar melhorar a relação do governo com a sociedade para que o povo participe do governo”, sugeriu.

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