EUA vão transmitir execução de ex-major por fuzilamento aprovada por Trump
Por Reuters

Os Estados Unidos transmitirão ao vivo a execução por fuzilamento, a ser realizada pelo Exército em 3 de dezembro, de Nidal Hasan, que matou 13 pessoas em Fort Hood, no Texas, em 2009, durante um ataque a tiros. Segundo uma autoridade do Pentágono ouvida pela Reuters, a medida seria inédita.
Hasan, um ex-psiquiatra do Exército que afirma ter agido em retaliação às guerras dos EUA no mundo muçulmano, deve se tornar a primeira pessoa a ser executada por fuzilamento pelas Forças Armadas dos EUA desde 1945, logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, segundo especialistas.
A execução do ex-major foi aprovada pelo presidente Donald Trump mediante recomendação do secretário de Defesa, Pete Hegseth, disse o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, na segunda-feira (5).
Parnell observou que Hasan gritou “Allahu Akbar” —”Deus é o maior”, em árabe— durante o ataque, que matou 12 soldados da ativa desarmados e 1 militar aposentado, além de ferir outras 32 pessoas.
A morte por pelotão de fuzilamento foi uma das várias formas de pena capital que o governo Trump adicionou recentemente aos métodos permitidos para executar os crimes federais mais graves, juntamente com a eletrocussão e a asfixia por gás.
O número de opções para execuções federais foi ampliado, em parte, devido às dificuldades crescentes em obter substâncias para injeções letais —método que, por vezes, também se mostrou problemático de executar condenados por outros motivos.
Planos do estado do Tennessee para executar uma mulher pela primeira vez em mais de 200 anos fracassaram na semana passada, quando funcionários da prisão falharam na tentativa de administrar duas injeções letais, deixando a condenada, Christa Pike, viva, porém hospitalizada.
Seus advogados informaram na terça-feira que ela recuperou a consciência. “O prognóstico dela permanece incerto, mas esperamos, no mínimo, uma longa recuperação”, disseram os advogados.
O ataque do ex-major ocorreu semanas antes de Hasan, hoje com 56 anos, ser enviado ao Afeganistão. Ele ficou parcialmente paralisado e confinado a uma cadeira de rodas após ser baleado pela polícia durante sua prisão.
Execuções militares são raras e, segundo o Código Uniforme de Justiça Militar, uma sentença de morte imposta por corte marcial não pode ser executada “até ser aprovada pelo presidente”.
Em um comunicado sobre a decisão de Trump, o grupo americano Death Penalty Action, que se opõe à pena capital, afirmou: “Não há nada que Donald Trump ame mais do que o poder de matar”.
Se Hasan for morto, será a primeira execução militar desde 1961, segundo o grupo. De acordo com o Centro de Informação sobre Pena de Morte, a execução de 1961 foi realizada por enforcamento. A última execução conhecida por um pelotão de fuzilamento militar dos EUA ocorreu em novembro de 1945, informou o centro.
Pelo menos cinco estados preveem o uso de pelotões de fuzilamento em suas legislações, segundo o centro. Em 2025, a Carolina do Sul realizou a primeira execução desse tipo nos EUA em 15 anos.


