Prefeito de cidade baiana é alvo da PF por suspeita de fraude e desvio de recursos

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Operação da Polícia Federal investiga fraudes na Prefeitura de Ilhéus e apreende R$ 915 mil em dinheiro vivo - Divulgação/Polícia Federal

O prefeito de Ilhéus (BA), Mário Alexandre (PSD), foi alvo na quinta-feira (26) de uma operação da Polícia Federal que mira os crimes de fraude a licitação e desvios de recursos públicos em contratos da prefeitura.

A Operação Barganha cumpre 17 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Tribunal Regional Federal, nos municípios de Ilhéus, Itabuna, Salvador, Lauro de Freitas e Vitória da Conquista.

Além do prefeito, o ex-secretário de Gestão e atual candidato à Prefeitura de Ilhéus, Bento Lima (PSD), está entre os alvos. O inquérito tramita em segredo de Justiça.

Em nota, a prefeitura de Ilhéus informou que colabora com as investigações e confia nas instituições e no devido processo legal: “É importante destacar que situações como essa contribuem para que os fatos sejam devidamente esclarecidos, reforçando o compromisso da administração com a transparência e a justiça”, informou.

As investigações apontam para existência de um esquema de pagamento de propina a agentes públicos para que empresas fossem beneficiadas com contratos na gestão municipal.

O esquema era definido antes mesmo da licitação, que direcionava a escolha das empresas vencedoras dos certames. Os contratos investigados são estimados em cerca de R$ 45 milhões.

A Polícia Federal também identificou superfaturamento na prestação de serviços em contratos de saúde, educação e limpeza urbana.

A investigação teve como ponto de partida a Operação Anóxia, deflagrada em 2020, que investigava desvios de recursos públicos destinados ao combate à Covid-19 em Ilhéus.

O caso não apresentava indícios da participação do prefeito no esquema, fato que só veio à tona, segundo os investigadores, após um dos alvos decidir firmar uma colaboração premiada.

Bento Lima, candidato de Mário Alexandre nas eleições deste ano, atuava como Secretário de Gestão do município e seria responsável, segundo o colaborador, por receber a propina destinada ao prefeito a partir dos recursos destinados à manutenção de um hospital de campanha montado na pandemia.

Os investigados podem responder por crimes de fraude em licitação ou contrato, corrupção passiva, corrupção ativa, falsidade ideológica, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Além das medidas de busca e apreensão, a Justiça também autorizou a quebra de sigilo bancário fiscal e apreensão de recursos dos envolvidos. Foram aprendidos R$ 915 mil em espécie durante a operação.

Em nota, o Ministério Público Federal informou que a investigação está sob sigilo e que não se manifestará sobre o caso.

O PSD informou que será instaurado um procedimento interno para a apuração dos fatos, que vai decidir sobre a permanência de Bento Lima como filiado. O partido ainda aconselhou Bento Lima a retirar sua candidatura a prefeito de Ilhéus.

“Tal orientação está alinhada com os princípios de ética e transparência que o partido defende, tanto na Bahia quanto em âmbito nacional, visando preservar a integridade e os valores do PSD”, informou o partido em nota.

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