
O início do governo Lucas Ribeiro já é marcado por uma prática conhecida da velha política: a ocupação de cargos estratégicos por filhos, parentes e herdeiros políticos de aliados.
Apresentado como símbolo de renovação, o governador começa a gestão repetindo o velho modelo de acomodação política dentro da máquina pública. Enquanto o governo ainda não apresentou projetos concretos ou uma marca administrativa própria, o noticiário é dominado por nomeações de familiares de sobrenomes conhecidos da política paraibana.
O caso mais recente é o de Pedro Werton Feitosa, filho da ex-deputada Pollyanna Werton, nomeado Gestor de Programa Especial no Gabinete do Governador. Antes dele, Matheus Cartaxo Pires de Sá, filho do deputado Luciano Cartaxo, assumiu a secretaria executiva de Economia Solidária. Homero Pires Neto, filho do ex-secretário Lindolfo Pires, também foi nomeado para comandar a Secretaria da Juventude, Esporte e Lazer.
A lista inclui ainda Raniere Barbosa, filho de Ricardo Barbosa, indicado para a Companhia Docas; Ítalo Oliveira, filho do vereador Guga Pet, na causa animal; e Vitor Gomes, filho da ex-prefeita Luciene Gomes, na vice-presidência do Lifesa. Além de centenas de outros parentes de políticos do interior da Paraíba. O resultado é a imagem de um governo mais preocupado em acomodar interesses políticos do que em apresentar respostas para áreas como saúde, segurança, educação e geração de empregos. Até aliados já admitem dificuldades de diálogo e falta de rumo administrativo. A sensação é de que o novo governo ainda não mostrou um projeto de gestão, mas já demonstrou habilidade em manter os velhos acordos políticos funcionando.
Lucas Ribeiro pode até ser jovem, mas seus primeiros atos reforçam práticas antigas, métodos conhecidos e a permanência dos mesmos grupos familiares no poder. No começo da gestão, já fica a marca: Lucas é o novo nome da velha política das oligarquias dos velhos coronéis.
