“Viver Cristian Cravinhos tirou meu sono”, diz paraibano Kelner Macêdo sobre ‘Tremembé’

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Kelner Macêdo, que vive Cristian Cravinhos na série 'Tremembé' - Helton Nobrega/Divulgação

Desde que estreou a série “Tremembé”, na qual vive Cristian Cravinhos, Kelner Macêdo passou a ser reconhecido nas ruas, cafés e supermercados. O ator paraibano de 30 anos, que já estudou psicologia e mora há dez anos em São Paulo, tem um método obsessivo de preparação que lembra o de Robert De Niro na época de “Touro Indomável”.

Para viver Cristian, ele contratou personal trainer e fonoaudiólogo particular, construiu uma voz mais grave e rouca, aperfeiçoou o sotaque paulistano e encarou uma hora e meia de aplicação de tatuagens a cada dia de filmagem.

Foram dois meses de preparação e três de gravação na pele de um dos criminosos mais famosos do Tremembé, condenado pelo assassinato dos pais de Suzane von Richthofen. Kelner dedicou semanas a ler arquivos e ver vídeos do Cristian real. Pesquisou as falas e reações dele na época do julgamento, as polêmicas, a mudança de seu físico e de sua postura ao longo dos 20 anos de prisão.

Viver um dos criminosos mais odiados do Brasil, porém, teve um preço em sua vida. “Eu nunca tive dificuldade de dormir. A partir desse trabalho, comecei a ter”, conta. “A gente envia tanto estímulo para o corpo acreditar [que é outra pessoa] que desregula de alguma forma.”

O trabalho de Kelner em “Tremembé” não se limitou a imitar o Cristian da vida real. “Eu queria construir um corpo desejante, que fizesse contraste com esse ato tão terrível que ele cometeu. De tudo o que ouvi, ele estava muito consciente de estar pagando pelo que cometeu, e precisava existir da melhor maneira possível na cadeia. Diferente do Daniel, que começa a série numa crise louca”, ele analisa. “Construí um Cristian que também flana no sol, e mantive o trauma do crime lá no fundo do olho”.

SEM MEDO DE ARRISCAR

A cena que mais tem repercutido nas redes é aquela em que Cristian veste a calcinha que Luca, seu namorado na cadeia, lhe dá. O Cravinhos real escreveu nas redes que a história era mentira, mas foi desmentido por Ulisses Campbell, jornalista e roteirista da série. Kelner conta que a cena envolveu um coordenador de intimidade e muita conversa com seu parceiro de cena, João Pedro Mariano.

“Aprendi com o Marcelo Caetano [diretor de seu primeiro longa, “Corpo Elétrico”] que uma cena de intimidade é como qualquer outra cena de um trabalho. Não é um monstro, é mais uma parte da história que estamos contando. As pessoas também transam, têm fetiches, usam calcinha”, diz.

Um ano depois de filmar, Kelner sente em seu perfil nas redes a repercussão da série, a produção brasileira mais vista do Prime Video no Brasil. Em sete dias, o ator ganhou 70 mil seguidores no Instagram, e recebe centenas de mensagens por dia (“não dá nem pra acompanhar”). Uma fã lhe escreveu contando que gostou tanto da cena da calcinha que pediu para o marido usar também.

A preparação física já virou rotina nos seus últimos trabalhos. Para viver Zé do Bode, cangaceiro que tem uma relação homoafetiva com um parceiro de bando em “Guerreiros do Sol”, Kelner fez muay thai (boxe tailandês) para ganhar a agilidade necessária para se mover com 20 quilos de figurino nos quase 50 graus do sertão da Paraíba.

Para seu próximo trabalho, um lutador de MMA na série “Fúria”, da Netflix, ele voltou às aulas de luta e ao treino pesado para ganhar massa muscular. Kelner integra o elenco da nova série ao lado de Du Moscovis, Claudia Raia e Alice Carvalho.

Para o ano que vem, Kelner prepara sua volta ao teatro, numa montagem com elenco todo nordestino com direção de Beatriz Barros (de “O Avesso da Pele”). E deixa as portas abertas para um convite que ainda não veio: o de uma novela na TV aberta. “Tenho curiosidade de fazer tudo. Não quero me prender a nada. Todas as experiências me alimentam como ator”, diz.

“Tremembé”
Todos os cinco episódios disponíveis no Prime Video

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