Ao criticar número de ministérios, Bolsonaro chama Lula de ‘cachaceiro’ no Twitter

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Ex-presidente Jair Bolsonaro. Foto: EFE/Joédson Alves

Isabella Alonso Panho e Rubens Anater, do Estadão Conteúdo

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de “cachaceiro” na manhã de sábado (16) e criticou o aumento do número de ministérios na gestão petista, referindo-se à criação do Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte.

As declarações foram feitas no X, antigo Twitter, acompanhadas da foto de um fundo de poço.

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“Mais um ministério criado pelo desgoverno, que continua jogando no lixo tudo que o País precisa para prosperar economicamente, inchando mais ainda a máquina pública”, disse o ex-presidente na manhã de sábado.

Com a abertura da nova pasta, o governo chegou a 38 ministérios (diferente dos 39 apontados por Bolsonaro em sua postagem). Esse é o maior número de ministros entre os três mandatos de Lula e só é menor do que o do segundo mandato da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), que teve 39 pastas.

A postagem de Bolsonaro nas redes sociais acontece em meio à investigação do caso das joias. Ele e pessoas do seu entorno são suspeitos de articularem um esquema internacional de venda de joias e objetos de alto valor recebidos durante agendas oficiais e que seriam, portanto, bens da União.

Seu ex-ajudante de ordens, o tenente-coronel Mauro Cid, considerado uma peça central no caso, deixou a prisão no sábado passado, 9, depois de um acordo de delação premiada com a PF.

Os termos permanecem sob sigilo, mas, de acordo com a revista Veja, ele teria confessado que entregou nas mãos de Bolsonaro dinheiro vivo oriundo da venda de joias. O ex-presidente não comentou o caso em suas redes.

Dança das cadeiras na Esplanada

O Ministério para Micro e Pequena Empresa acomodou Márcio França (PSB), retirado da pasta de Portos e Aeroportos para dar lugar ao deputado federal Silvio Costa Filho (Republicanos-PE), representante do Centrão. A manobra abriu uma crise com o PSB e Lula precisou prometer ao menos duas indicações para França no Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e na Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI).

Parte desse xadrez retirou a ministra Ana Moser do Ministério do Esporte, dado ao deputado André Fufuca (PP-MA), aliado do presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL). O nome da ex-ministra foi ignorado no anúncio da reforma ministerial.

Neste sábado, o ex-presidente também criticou o número total de ministérios do governo Lula, relembrando os cortes que ele fez quando assumiu a presidência em 2019. “Também vale ressaltar que reduzimos para 23 o número de ministérios. O cachaceiro acaba de bater o recorde criando mais um, além de outro já inventado nos últimos dias, sendo agora 39 para ‘segurar’ sua indecorosa posição.”

Ao assumir a presidência, Lula recriou ministérios que haviam sido extintos na gestão bolsonarista – como Igualdade Racial, Cidades, Desenvolvimento Social, Planejamento e Gestão e Indústria e Comércio – e montou novas pastas, como o Ministério dos Povos Originários. Com as últimas mudanças, hoje o governo do PT tem 38 ministérios.

A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência, que disse que não comentará o episódio.

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