Israel: 5 pontos para entender plano negociado pelos EUA para dar fim à guerra em Gaza

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Proposta em três etapas começaria com um cessar-fogo de seis semanas

por Bernd Debusmann Jr. e Tom Bateman, da BBC

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, sugeriu ao Hamas que aceite uma nova proposta israelense para acabar com o conflito em Gaza, dizendo que já “é hora desta guerra acabar”.

A proposta em três partes começaria com um cessar-fogo de seis semanas, durante o qual as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) se retirariam das áreas povoadas de Gaza.

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Haveria também um aumento da ajuda humanitária, bem como uma troca de alguns reféns por prisioneiros palestinos.

O acordo levaria eventualmente a uma “cessação permanente das hostilidades” e a um grande plano de reconstrução para Gaza.

O Hamas disse que vê a proposta “de forma positiva”.

Entre aqueles que estimularam o Hamas a concordar com a proposta está o secretário de Relações Exteriores do Reino Unido, David Cameron, que disse na rede social X (antigo Twitter) que o grupo “deve aceitar este acordo para que possamos ver o fim dos combates”.

“Há muito que defendemos que a cessação dos combates pode ser transformada numa paz permanente se todos estivermos preparados para tomar as medidas certas”, acrescentou Cameron.

“Vamos aproveitar este momento e pôr fim a este conflito.”

1. Primeira fase: cessar-fogo

Falando na Casa Branca na sexta-feira (31/5), Biden disse que a primeira fase do plano proposto incluiria um “cessar-fogo total e completo”, a retirada das forças das IDF de áreas povoadas e a troca de reféns por prisioneiros palestinos.

“Este é realmente um momento decisivo”, disse ele.

“O Hamas diz que quer um cessar-fogo. Este acordo é uma oportunidade para provar se eles realmente querem isso de fato.”

O cessar-fogo, acrescentou, permitiria que mais ajuda humanitária chegasse ao território sitiado, com “600 caminhões transportando ajuda para Gaza todos os dias”.

2. Segunda fase: ‘fim permanente das hostilidades’

A segunda fase veria o retorno de todos os reféns vivos restantes, incluindo soldados do sexo masculino. O cessar-fogo se converteria então numa “cessação permanentemente das hostilidades”.

No seu discurso, Biden reconheceu que as negociações entre as fases um e dois seriam difíceis.

Ainda há poucos dias, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse que era terminantemente a concordar em acabar com a guerra como parte de um acordo de cessar-fogo – o que torna a referência de Biden ao fim da guerra particularmente significativa.

Como reação ao anúncio do presidente americano, Netanyahu afirmou ter autorizado a proposta de cessar-fogo, mas reiterou que a guerra só termina com “o fim do Hamas”.

Embora o plano inclua muitos detalhes de rodadas de negociações anteriores, que acabaram fracassando, os apelos dos EUA por um cessar-fogo permanente parecem ser uma concessão significativa destinada a tentar atrair o Hamas de volta às negociações em termos com o grupo já disse que concordaria.

Um cessar-fogo permanente tem sido uma das principais exigências da organização palestina.

3. Terceira fase: reconstrução de Gaza

A terceira fase da proposta incluirira a devolução dos restos mortais de quaisquer reféns israelenses falecidos, bem como um “grande plano de reconstrução” com assistência dos EUA e internacional para reconstruir casas, escolas e hospitais em Gaza.

Na sua fala, Biden reconheceu que alguns israelenses – incluindo autoridades do governo de Israel – provavelmente se oporiam à proposta.

“Pedi à liderança em Israel que apoie este acordo”, disse ele. “Independentemente de qualquer pressão [política] que venha.”

O presidente dos EUA também se dirigiu diretamente ao povo israelense, dizendo a eles que “não podemos perder este momento”.

Biden afirmou ainda que o Hamas está agora degradado a tal ponto que já não pode repetir um ataque como o que os seus combatentes conduziram em 7 de outubro de 2023 – um sinal para os israelense de que Washington vê a guerra como terminada.

4. O que disseram Israel e o Hamas

Numa declaração, Benjamin Netanyahu insistiu que a guerra não terminará até que seus objetivos sejam alcançados, incluindo o regresso de todos os reféns e a eliminação das capacidades militares e governamentais do Hamas.

O primeiro-ministro israelense disse ainda que este último plano permitiria a Israel se ater a esses princípios.

O Hamas, por sua vez, disse que vê a proposta “positivamente” devido ao seu apelo a um cessar-fogo permanente, à retirada das forças israelenses de Gaza, à reconstrução e à troca de prisioneiros.

O grupo disse estar pronto para “lidar de forma positiva e construtiva” com qualquer proposta centrada num cessar-fogo permanente, desde que Israel “declare seu compromisso explícito com isso”.

Outro oficial palestino familiarizado com as negociações que viu a nova proposta israelense disse que o documento não incluía uma garantia de que a guerra terminaria, nem que as tropas das IDF se retirariam por completo de Gaza.

Um porta-voz do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, disse esperar que os comentários de Biden e a proposta israelense “levem a um acordo entre as partes para uma paz duradoura”.

A proposta foi transmitida ao Hamas através de mediadores baseados no Qatar.

5. Biden sob pressão

Confrontado com o aumento do número de vítimas civis em Gaza, o presidente americano Joe Biden tem enfrentado críticas internas crescentes sobre o nível de apoio dos EUA a Israel e pede que seja feito mais para encorajar as partes em conflito a negociar.

No início desta semana, porém, a Casa Branca disse não acreditar que as operações israelense em Rafah constituam uma “grande operação terrestre” que possa ultrapassar a linha vermelha e desencadear uma possível mudança na política dos EUA.

A declaração foi feita depois que um ataque aéreo israelense e o incêndio resultante mataram pelo menos 45 palestinos no domingo passado (26/5).

Num anúncio separado na sexta-feira (31/5), legisladores norte-americanos de ambos os lados do espectro político (democratas e republicanos) convidaram formalmente Netanyahu para discursar no Congresso em Washington.

Não está claro quando a fala ocorreria.

Mais de 36 mil pessoas foram mortas em Gaza desde o início do conflito, segundo o Ministério da Saúde administrado pelo Hamas.

A guerra começou em outubro de 2023, quando homens armados do Hamas lançaram um ataque sem precedentes contra Israel, matando cerca de 1.200 pessoas e levando 252 de volta para Gaza como reféns.

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