Ditadura da Venezuela nega a existência de mandados de prisão contra Corina e González

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María Corina Machado e Edmundo González

González e Machado disseram que a oposição venceu as eleições realizadas no domingo (28/7)

O procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, afirmou no domingo (4/8) que não há mandados de prisão contra María Corina Machado e Edmundo González Urrutía, principais figuras da oposição ao regime do ditador Nicolás Maduro.

“Eu quero conhecer as ordens [de prisão], vê-las, porque não existem”, afirmou Saab, uma das principais autoridades do regime, em entrevista à rádio venezuelana Caracol publicada no domingo (4/8).

O procurador-geral confirmou que existe uma investigação em andamento para identificar pessoas responsáveis por incêndios criminosos em prédios públicos com pessoas dentro, mas não citou os nomes dos investigados

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“Todo aquele dirigente que faça um chamado a fatos vinculados a atos de terrorismo será detido”, afirmou Saab.

Após o pleito, o próprio Saab chegou a acusar Corina de envolvimento em um suposto ataque contra o sistema eleitoral. Outras figuras de alto escalão do regime vinham pedindo a prisão da líder opositora, inabilitada para concorrer nas eleições presidenciais, e de González, nome escolhido para substituí-la à frente da candidatura da oposição.

Diante das ameaças públicas de prisão, o governo da Costa Rica ofereceu asilo a Corina, González e outras figuras da oposição. Em artigo publicado no Wall Street Journal na quinta-feira passada (1º/8), a líder opositora escreveu que poderia ser detida a qualquer momento.

Corina e González têm convocado manifestações para denunciar uma suposta fraude eleitoral nas eleições de 28/7. O regime afirma já ter prendido mais de 1.200 pessoas nos protestos, enquanto a ONG Human Rights Watch (HRW) afirmou ter recebido relatos de que mais de 20 pessoas teriam sido mortas nas manifestações.

“Vinte mortes causadas pela própria violência dos manifestantes”, disse Saab à rádio Caracol, citando os dados da HRW. Ele negou que as forças de segurança estejam cometendo violência nos protestos e acusou os manifestantes de usarem tinta vermelha ou molho de tomate para simularem ferimentos.

No sábado (3/8), Corina discursou diante de milhares de apoiadores em um protesto em Caracas; González não participou do ato. “Nunca estivemos tão fortes”, disse a opositora, reiterando a acusação de fraude eleitoral.

O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) anunciou a reeleição de Maduro com 52% dos votos, contra 43% de González, com 97% das urnas apuradas. No entanto, o órgão não apresentou resultados discriminados por zona eleitoral e mesa de votação.

A oposição afirma ter tido acesso a esses documentos e os publicou em um site, declarando González vitorioso com 67% dos votos, e 80% das mesas de votação contabilizadas.

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