Polícia do RJ conclui não ter ocorrido racismo em abordagem a filhos de diplomatas

0
image (13)

Imagens de câmeras de segurança mostram PMs abordando com fuzis quatro adolescentes, três deles negros e um branco, em Ipanema, na zona sul do Rio de Janeiro, na noite desta quinta-feira (4). No grupo havia filhos de diplomatas estrangeiros. - GugaNoblat no X/Reprodução

A Polícia Civil concluiu não ter ocorrido racismo na abordagem a quatro adolescentes, dos quais três negros, feita por policiais militares armados em Ipanema, zona sul do Rio de Janeiro.

O caso ocorreu no mês passado e envolveu filhos dos embaixadores do Gabão e de Burkina Fasso e de um diplomata do Canadá. O quarto adolescente era um brasileiro branco. A advogada Raquel Fuzaro, que representa os três adolescentes negros, criticou a conclusão da polícia.

A delegada Danielle Bulus Araújo, da Deat (Delegacia Especial de Atendimento ao Turista) concluiu que os PMs “não elegeram suspeitos com base na cor da pele”.

cropped-AMBIPAR-BANNER
previous arrow
next arrow

Em seu relatório, ela afirma que os agentes “estavam atrás de suspeitos seguindo a descrição de vítimas estrangeiras que tinham acabado de sofrer um crime na praia de Ipanema”.

“Note-se que na abordagem não houve tratamento diferenciado para ninguém. O grupo abordado era composto por adolescentes pretos e brancos. Todos foram revistados, inclusive o adolescente branco teve a revista padrão da bolsa escrotal enquanto um dos menores pretos não sofreu a revista”, afirma o relatório.

De acordo com o documento, os depoimentos dos PMs envolvidos na abordagem foi corroborado pelas câmeras corporais de outros agentes que ouviram com eles os relatos sobre o assalto momentos antes.

Os PMs que realizaram a abordagem aos adolescentes não usavam câmeras corporais. Eles afirmaram que não estavam atuando no patrulhamento ostensivo, mas apenas na supervisão dos agentes, ação na qual, segundo eles, o uso do equipamento não é obrigatório.

O relatório foi enviado ao Ministério Público para análise do caso.

A advogada dos três adolescentes afirmou esperar que o Ministério Público ofereça denúncia sob acusação de racismo contra os dois policiais envolvidos.

“As imagens deixam evidente a abordagem com critério racial. A câmera interna do prédio registrou o momento da abordagem dos policiais junto aos adolescentes e mostra que o menino branco não foi alvo da ação violenta, podendo ingressar no prédio sem ser interpelado. Além das imagens que evidenciam o racismo, houve a ação de grave ameaça de que seriam alvo de nova abordagem se saíssem às ruas e de mal maior do que vivenciaram (arma na cabeça)”, disse ela.

ENTENDA O CASO

Câmeras de segurança gravaram a abordagem da polícia em uma rua de Ipanema, no dia 4 de julho. Os quatro adolescentes, de 13 e 14 anos de idade, voltavam da praça Nossa Senhora da Paz após jogar futebol e, ao chegar a um prédio, foram empurrados para a garagem e revistados.

Segundo a mãe do jovem branco, os quatro amigos moram em Brasília e estavam no Rio para passar férias, acompanhados dos avós de um deles, em uma viagem planejada havia vários meses.

Ainda de acordo com o relato, os adolescentes foram questionados sobre o que faziam na rua. Os três filhos de diplomatas não entenderam a pergunta, por serem estrangeiros, e não conseguiram responder. O adolescente brasileiro então teria respondido, e em seguida o grupo foi liberado.

O Itamaraty pediu desculpas aos pais dos jovens e divulgou nota pública. O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), criticou a postura do órgão.

 

About Author

Compartilhar

Deixe um comentário...

cropped-AMBIPAR-BANNER
previous arrow
next arrow