Com choque de juros e sem ajuste fiscal, Brasil pode entrar em recessão, temem aliados de Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Pedro Ladeira - 28 mar. 2024/Folhapress
Por Valdo Cruz
Sem a aprovação do pacote fiscal – e com o choque de juros recém-anunciado pelo Banco Central, já com indicação de novas altas futuras –, assessores presidenciais passaram a temer que o Brasil entre em recessão no próximo ano.
Segundo auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a elevação de 1 ponto percentual na Selic na quarta-feira (11) foi superior à esperada pelo governo. Pior que isso: o BC alertou que a trajetória de alta será mantida em 2025.
Assessores torciam por uma alta de 0,5 ponto e esperavam, no máximo, uma decisão de 0,75. Agora, receberam um sinal: sem a mensagem clara de que o ajuste fiscal será suficiente para equilibrar as contas públicas, o trabalho de conter a inflação ficará só com o Banco Central.
O choque de juros veio na última reunião de Roberto Campos Neto como presidente do BC, muito criticado pelo presidente Lula.
Acontece que, mais uma vez, a decisão foi unânime – com os votos dos quatro diretores indicados por Lula, inclusive o de Gabriel Galípolo, que irá presidir a autoridade monetária a partir de janeiro.
Por sinal, em 2025, o BC terá uma maioria de diretores indicados pelo atual presidente: sete dos nove integrantes da diretoria foram escolhidos pelo governo Lula. Três foram aprovados nesta semana e tomam posse em janeiro, quando Galípolo vai substituir Campos Neto no comando do BC.
Ou seja: se os juros continuarem subindo – o que vai acontecer, se o ajuste fiscal não se concretizar –, Lula e o PT não terão como culpar um BC bolsonarista por elevar os juros.
Pacote fiscal é a aposta
Agora, a expectativa da equipe de Lula é que o pacote fiscal seja aprovado para que o BC interrompa ainda no primeiro semestre a alta da taxa Selic, tendo condições de começar a sinalizar uma queda para evitar uma desaceleração forte da economia.
Neste ano, o PIB deve surpreender mais uma vez e crescer 3,5%.
No ano que vem, no entanto, o mercado de crédito já vai começar a sofrer com as altas da taxa Selic iniciadas no segundo semestre deste ano, contribuindo para encarecer o custo das empresas e das famílias, reduzindo consumo e investimentos.
“O BC foi claro. O governo e o Congresso precisam aprovar o pacote fiscal. Não há outra saída. Caso contrário, o país vai desacelerar e pode entrar em recessão, o que será péssimo para um terceiro ano de mandato”, desabafa um interlocutor direto do presidente Lula.


