“Brasil está no menor nível de insegurança alimentar da nossa história”, diz ministra

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por Revista Fórum

Fernanda Machiaveli

A ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, fez um balanço sobre os avanços do governo Lula em sua pasta e projeções para o futuro, durante participação no “Fórum Eleições” deste domingo (20).

Fernanda assumiu o cargo em 31 de março de 2026 e é a primeira mulher a comandar a pasta na história do ministério. Antes de assumir a posição, já atuava como Secretária Executiva do próprio órgão. Ela é cientista política, gestora pública e mestre em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP).

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Questionada, inicialmente, sobre inflação dos alimentos, tema bastante debatido ao longo do período de campanha eleitoral, e se é possível traçar um paralelo do governo Lula em relação ao de Jair Bolsonaro, a ministra detalhou a situação.

“O que aconteceu foi que houve uma inflação de alimentos no governo Bolsonaro, que, no acumulado, deu 56%. Então, para a população, a sensação de encarecimento dos alimentos foi muito grande ali, durante o governo Bolsonaro”, explicou.

“Não precisa dizer que foi naquele momento que as pessoas voltaram a se privar de uma qualidade de alimentação, pois a gente teve redução do poder de compra e, em consequência, realmente uma redução da qualidade do tipo de alimento que a população brasileira passou a acessar”, destacou.

Fernanda forneceu um dado assustador: “Trinta milhões de pessoas passaram fome, estavam em situação de insegurança alimentar grave, durante o governo Bolsonaro, e as demais pessoas estavam com muita dificuldade para conseguir manter a compra de uma cesta básica saudável, com todos os componentes que são necessários”.

A ministra, em seguida, ressaltou a transformação no setor que veio ocorrendo a partir do governo Lula. “A principal meta era, justamente, tirar o país da situação de insegurança alimentar, combater a fome e voltar a ter alimentos acessíveis para a população brasileira. E é por isso que uma série de políticas públicas foi reconstruída. O resultado a gente vê agora: a inflação de alimentos está controlada, a gente está falando de um acumulado de 13%, mais deflação de alimentos nos últimos meses”.

De acordo com a titular da pasta, o preço dos alimentos parou de subir e ainda caiu. “Se você compara o arroz, a própria carne, o feijão, a cesta básica, ela está muito mais acessível no governo presidente Lula do que ela esteve em 2022. Então, a gente conseguiu fazer uma diferença”.

A indagação a seguir foi: como foi feita essa mudança? “Primeiro, ampliação da oferta dos alimentos. Então, a gente passou a ter Planos Safras direcionados à produção de alimentos com redução de juros para quem produz arroz, feijão, mandioca, hortifrutas, frutas, enfim, conjunto dos componentes que estão na nossa mesa no dia a dia. E, por outro lado, além de garantir essa ampliação da oferta, uma série de políticas públicas para aumentar a capacidade de compra da classe trabalhadora.”, detalhou.

Diante deste cenário, a ministra ressaltou que “hoje, a gente pode dizer, sim, que o brasileiro está se alimentando melhor, está em todos os relatórios. Se você olhar o relatório da FAO, mostra que não só a gente está no menor nível de insegurança alimentar da nossa história, como tem 20 milhões de pessoas a mais que, hoje, se alimentam com uma comida que é considerada saudável, que tem o conjunto dos componentes adequados para uma alimentação equilibrada”.

Agricultura familiar

Fernanda Machiaveli apontou, ainda, que para a agricultura familiar houve uma série de ações que foram direcionadas. “Começa pelo Plano Safra, que é a retomada do crédito específico para a agricultura familiar. O governo Bolsonaro acabou o Plano Safra da agricultura familiar. Em contrapartia, a gente fez Plano Safra recorde”, disse.

“A gente está falando agora em 85 bilhões que estão disponíveis nessa safra para a agricultura familiar, totalizando, ao longo do governo do presidente Lula, 310 bilhões. E qual é a questão? São juros sempre muito abaixo dos juros de mercado. Estamos falando de 2% para a produção de alimentos, 1% para a produção agroecológica, 5% para a compra de um trator maior, um trator de 80 cavalos, e 1,5% para uma máquina pequena”, acrescentou.

A ministra também relembrou que o governo Lula retomou o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). “É um programa que adquire mais de 400 variedades de alimentos e leva esses alimentos justamente para a mesa de quem está em situação de maior vulnerabilidade. Toda a rede socioassistencial, as cozinhas solidárias, enfim, leva o alimento da agricultura familiar para os periféricos urbanos, para os locais onde as pessoas têm maior necessidade. Isso foi uma outra ação muito estratégica”.

A terceira iniciativa, apontou ela, foi retomar o conjunto das ações, da reforma agrária até assistência técnica. “Tudo isso foi retomado de forma tal que a gente tivesse as condições, terra, crédito, assistência técnica e compras públicas, tudo isso conjugado para fortalecer quem está no campo”.

Plano Safra da agricultura empresarial

Em paralelo, disse a ministra, o Plano Safra da agricultura empresarial foi mantido e ampliado. “A gente está falando de uma disponibilidade de crédito que, somando com a agricultura familiar, foi de 2 trilhões ao longo dos quatro anos”.

Fernanda explicou que o crédito que vai para o agro é diferente da agricultura familiar. Não tem as mesmas taxas de juros, com o mesmo nível de investimento público. A gente está falando de taxas de juros que, agora, estão na casa dos 10%, 12%, quando a gente olha para o conjunto da agricultura empresarial”.

Em resumo, para o médio, é sempre 2 pontos a mais do que para a agricultura familiar; para o grande, é de cerca de 4,5 pontos a mais do que para a agricultura familiar. “Ainda assim, é uma disponibilidade de crédito muito grande e compatível com a rentabilidade do negócio da produção de commodities para o mercado externo, que é o foco do agronegócio”.

Reforma agrária

Ela relatou que, quando o governo Lula, assumiu, em 2023, sob a liderança do então ministro Paulo Teixeira e contando com Fernanda como secretária executiva, o Incra estava completamente desmantelado. Não havia política de reforma agrária, não havia política de titulação de comunidades quilombolas.

“O Incra estava voltado para ser um cartório de entrega de títulos provisórios, que a gente chama, documentos que não têm valor nenhum, de fato, para atestar a propriedade da terra”, relembrou.

“O que a gente fez? Transformamos o Incra em foco da retomada da reforma agrária, valorizando seus servidores, recuperando seu orçamento, contratando servidores por meio de concurso público e retomando, assim, a capacidade institucional do Incra de levar terra para quem quer trabalhar, quer produzir alimentos. Desde então, a gente lançou o programa Terra da Gente, que foi uma grande inovação”, relatou.

Hoje, segundo ela, são 266 mil famílias que foram incluídas no Programa Nacional de Reforma Agrária. Dessas, 58 mil famílias estão em novos lotes. “Porque tem a parte que são famílias novas, em lotes que já existiam em assentamentos, outros são assentamentos que são reconhecidos, sejam comunidades quilombolas, comunidades tradicionais, assentamentos estaduais”, acrescentou.

“É um avanço bastante significativo, que coloca essa gestão no mesmo nível do governo Lula 2. A gente não conseguiu retomar o número do governo Lula 1, mas a gente está no mesmo patamar do governo Lula 2. Já superamos as marcas de todos os governos que vieram depois do presidente Lula 2. E nosso objetivo, sim, é bater o próprio recorde dele, que é quem mais fez na história da reforma agrária”, ressaltou.

Tarifaço de Trump

Fernanda também foi questionada se o tarifaço imposto por Donald Trump afetou, especificamente, a agricultura.

“Quando a gente tem quem deveria estar representando a população no Congresso, indo para os Estados Unidos para fazer uma defesa, uma aplicação de tarifas contra o próprio país, é claro que quem sofre é o conjunto da população brasileira. E a agricultura, especialmente a agricultura empresarial, foi muito impactada”, disse.

Ela avaliou que o tarifaço reduziu, em primeiro lugar, a capacidade de exportação de café, de carne, de todos os alimentos, o que impactou a agricultura familiar, a fruticultura. Foi, de fato, um grande impacto inicial no mercado brasileiro.

Porém, em contrapartida, segundo a ministra, com o Plano Brasil Soberano foi possível fazer frente. “Como já tinham sido abertos muitos novos mercados, a gente está totalizando agora 650 novos mercados abertos, foi possível redirecionar nossas exportações dos produtos agrícolas para esses outros países.

“A União Europeia absorveu uma parte importantíssima dos nossos produtos, a China, a Ásia, enfim, a gente conseguiu fazer esse desvio de rota, abrindo novos mercados e conseguindo garantir o escoamento da produção. E, depois disso, com o trabalho do governo do presidente Lula, foi possível reverter essas tarifas”, disse.

Preconceito contra Lula

Outra indagação à ministra foi em relação a determinado setor do agro, não o agro responsável, que ainda tem certo preconceito contra o presidente, mesmo com resultados muito favoráveis nas gestões petistas.

“O governo do presidente Lula conseguiu um feito incrível. Conseguiu aumentar a produção, são três safras recordes consecutivas, a previsão é de mais uma safra recorde. A gente está falando de 366 milhões de toneladas que vão ser produzidas em grãos e, ao mesmo tempo, que conseguiu ampliar a produção e garantir safras recordes, a gente conseguiu reduzir desmatamento em 50% na Amazônia, 60% na Mata Atlântica, mais do que isso no Pantanal”, enfatizou.

“Ou seja, conseguiu unir essas duas pontas, aumentar a produção e ter sustentabilidade. Isso não é só bom para o país, é bom para a humanidade, mas é bom para o agro também, porque isso dá mais condições de a gente se defender no mercado externo, nas exportações, dizendo que a nossa produção é sustentável. Além disso, o governo do presidente Lula investiu de forma brutal no biocombustível”, relatou Fernanda.

“É um atestado da competência do presidente Lula, em aliar vários objetivos numa única gestão. A dificuldade do agro, eu entendo que tem uma parte que é ideológica, mas eu também entendo que tem uma parte bastante significativa que consegue reconhecer. Principalmente os médios, os pequenos conseguem ver que esse governo também pensa nesse setor da produção, que é importante, sim, para a economia brasileira”, avaliou.

Conquistas relevantes

“O presidente Lula voltou para seu terceiro mandato com um objetivo claro: superar a fome novamente. Quando pensou no conjunto das políticas públicas para atingir essa missão, ele olhou, justamente, para uma estratégia que garantisse alimentos com preço acessível para quem consome e preço justo para quem produz. E isso dependeu de um conjunto de ações que tiveram êxito”, destacou a ministra.

Fernanda, então, reiterou que a inflação de alimentos é um quarto do que foi no governo Bolsonaro. Além disso, os preços dos alimentos estão caindo. “Quer dizer que as famílias vão poder comer mais, comer melhor com o mesmo investimento. Mas não foi só isso que aconteceu: além de aumentar o investimento na oferta, a gente ainda teve aumento da renda dos trabalhadores, e acho que essa é uma outra ponta muito importante da história”.

Para completar, ela abordou a questão do emprego. “O presidente Lula conseguiu, por meio das suas políticas públicas, fazer com que o desemprego chegasse ao menor patamar da história. A gente está falando da maior taxa de ocupação dos trabalhadores. O salário mínimo tem uma valorização de 24%. Então, de fato, a renda do trabalhador aumentou”, finalizou Fernanda.

Assista entrevista completa de Fernanda Machiaveli, ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar:

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