Reforma administrativa vai propor unificação de tabelas salariais e CNU para estados e municípios

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Pedro Paulo (PSD-RJ), relator do Grupo de Trabalho da reforma administrativa da Câmara dos Deputados, durante entrevista em seu gabinete - Pedro Ladeira - 17.jun.25/Folhapress

A reforma administrativa vai propor tabela única de remuneração para servidores públicos, sistema para contratar temporários e possibilidade de estados e municípios aderirem ao CNU (Concurso Nacional Unificado), segundo Pedro Paulo (PSD-RJ), relator do grupo de trabalho que trata do tema.

As propostas do grupo de trabalho, que teve última reunião na segunda (14), foram apresentadas na terça-feira (15) pelo relator ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e a líderes partidários. O texto final ainda será debatido antes da apresentação oficial, prevista para agosto.

Até agora, o relator antecipou que, das 66 propostas previstas na reforma, 17 tratam de supersalários. No entanto, ainda não há certeza sobre quais devem avançar.

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“O relatório está olhando para todos esses pontos [de supersalários]. Mas nada vai entrar [na proposta], nós vamos agora ver com os líderes. Não dá para a gente aqui sozinho colocar o apocalipse sem dialogar com os Poderes”, afirmou Pedro Paulo.

Entre parlamentares, embora esteja presente no texto, há descrença do avanço de uma proposta que limita supersalários. Foi o que ocorreu com o PL 2.721/2021, que trata do tema e tramita hoje na Câmara. O projeto criou 32 exceções que permitem pagamentos acima do teto a algumas categorias, incluindo Judiciário e Ministério Público, o que, na prática, tornou a proposta inócua.

Já a redução das tabelas remuneratórias é um tema consenso entre parlamentares do grupo, segundo o relator. O Brasil tem 290 tabelas –muito acima de países como Portugal e Uruguai, com uma e 18, respectivamente, segundo o Anuário de Gestão de Pessoas no Serviço Público da República.org, publicado no ano passado. Esse excesso provoca distorções salariais no setor público.

O texto também vai trazer a possibilidade de um sistema único para contratar temporários. Nesse caso, haveria um banco em que todos os entes da federação poderiam aderir para selecionar profissionais que atuem sem vínculo permanente.

A iniciativa é baseada no Contrata+, do governo federal, que, por sua vez, foi inspirado em uma plataforma similar criada pela prefeitura do Recife. O site permite que MEIs (microempreendedores individuais) encontrem oportunidades prestação de serviços ao setor público, em funções como eletricista e estofador.

“Ali, você garante que o processo eletivo seja justo e bloqueie, por exemplo, apadrinhamento, nepotismo. Também reduz custos desses processos seletivos para municípios pequenos”, afirmou. “Há todos os benefícios do concurso unificado em uma contratação temporária.”

A contratação sem vínculo permanente desagrada sindicatos de servidores, que se articulam contra a proposta desde o início das discussões do GT. Na última semana, eles se reuniram para protestar nos corredores da Câmara em oposição à reforma administrativa.

Outro ponto que deve ser proposto pela reforma é adesão de estados e municípios aos CNUs. Assim, além de instituições federais, estados e municípios também poderiam incluir vagas no certame, como forma de reduzir custos e buscar servidores para além das fronteiras estaduais e municipais.

O texto também propõe avaliação de desempenho, com base no que o governo federal está fazendo. No programa do governo, chefias estabelecem metas a serem alcançadas.

Pedro Paulo já havia dito que a avaliação organizacional funciona melhor do que a individual, que deve ser considerada para servidores em cargos mais estratégicos e de liderança. O grupo não discute demitir profissionais com baixa performance.

O grupo de trabalho foi instituído por Hugo Motta no fim de maio, com um prazo de 45 dias para elaborar uma proposta com mudanças na administração pública. Durante as audiências, o GT discutiu temas como avaliação de desempenho, supersalários, estabilidade e contratação de servidores temporários.

Na última semana, em audiência na Câmara, a ministra Esther Dweck, de Gestão e Inovação, defendeu que o texto final trouxesse convergências, para elevar as chances de aprovação.

“Quando foi criado o GT, houve uma fala do presidente do Hugo Motta que reforçar: por ser um GT curto, que seja das convergências”, afirmou a ministra. “Botar um texto no papel é fácil. Para aprová-lo com consenso, sem criar grande discórdia, o ideal é ter pontos convergentes.”

Em entrevista, Pedro Paulo afirmou acreditar na capacidade de construir consenso político na proposta. Segundo o relator, o presidente da Câmara estabelece a reforma como prioridade e como um projeto com potencial para ser aprovado, mesmo em ano pré-eleitoral.

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