Maduro diz estar disposto a conversar ‘cara a cara’ com Trump

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O ditador Nicolás Maduro segura bíblia em culto evangélico na Venezuela - Reprodução/Nicolás Maduro no Youtube

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou na segunda-feira (17) que está disposta a ter uma conversa “cara a cara” com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A declaração veio em meio a um pronunciamento na TV estatal.

“Este país está em paz, este país vai continuar em paz e, nos Estados Unidos, quem quiser falar com a Venezuela vai conversar, face to face, cara a cara, sem nenhum problema”, disse durante seu programa semanal de televisão “Com Maduro”.

No domingo (16), Trump já havia afirmado que poderia ter conversas com Maduro. O republicano não deu detalhes sobre quando essas discussões poderiam ocorrer.

Trump disse também que acredita que o país latino-americano gostaria de dialogar com os EUA.

“Poderíamos ter algumas discussões com Maduro e ver o que acontece. Eles gostariam de conversar. O que isso significa? Você me diz, eu não sei… Eu conversaria com qualquer um”, declarou Trump aos jornalistas no aeroporto internacional de Palm Beach, na Flórida.

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As declarações ocorrem em um dos momentos mais tensos das últimas semanas entre Caracas e Washington. O governo Trump intensificou a presença militar no Caribe sob o argumento de combater o que a Casa Branca chama de “narcoterrorismo”. Maduro acusa os EUA de empregarem uma campanha de pressão para o tirar do poder.

Na sexta-feira, Trump afirmou já ter tomado uma decisão sobre a Venezuela, porém não disse o que fará.

Segundo a emissora americana “CBS”, após a chegada de porta-aviões, os EUA também deslocaram aviões de transporte de tropas e carga para o Caribe.

A nova ofensiva foi anunciada pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, que o governo Trump passou a tratar oficialmente como “secretário de Guerra”. Batizada de Lança do Sul (Southern Spear), a operação mobiliza o Comando Sul e uma força-tarefa voltada a atacar organizações envolvidas no tráfico internacional.

No domingo (16), os EUA realizaram o 21º ataque contra barcos na região do leste do Oceano Pacífico e no Caribe. Três homens morreram.

Diante da escalada militar no Caribe, Maduro voltou a pedir paz aos Estados Unidos no sábado (15). Durante um comício em Miranda, o líder chavista surpreendeu apoiadores ao cantar “Imagine”, clássico pacifista de John Lennon, enquanto pedia paz entre os países.

Enquanto Maduro recordava o trecho “imaginem todas as pessoas”, a multidão respondia com aplausos. “É o momento de acreditar na convivência e na esperança”, afirmou o presidente venezuelano diante de autoridades e simpatizantes do governo.

Maduro criticou a mobilização dos EUA e reforçou o alerta depois de Trinidad e Tobago anunciar exercícios militares conjuntos com tropas americanas a partir de domingo (16). Trump voltou a acusar o presidente venezuelano de comandar redes internacionais de narcotráfico — acusações que Maduro nega categoricamente.

Em resposta, Caracas anunciou uma mobilização militar nacional e acusa Washington de “fabricar uma guerra” para justificar uma intervenção e derrubar o governo chavista. A retórica ampliou rumores sobre um possível ataque terrestre. Em entrevista recente à CBS, Donald Trump alimentou a incerteza ao afirmar: “Não vou dizer o que vou fazer com a Venezuela”.

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