Governo Lula teme baixa adesão e quer ampliar verba do vale-gás, aposta eleitoral

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Lula, ao lado da primeira-dama Rosangela da Silva e do ministro Alexandre Silveira (Minas e Energia), no lançamento do programa Gás do Povo em Belo Horizonte; ministro, que é mineiro, já afirmou ter vontade de concorrer ao Senado em 2026 - Douglas Magno - 4.set.2025/AFP

por Folha de S.Paulo

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teme que o Gás do Povo, programa que tem como objetivo pagar botijões de gás de forma periódica a até 15 milhões de famílias, tenha alcance limitado devido ao ritmo de adesão de revendedores. Por isso, planeja aumentar a verba da iniciativa que é uma das apostas eleitorais para 2026.

A adesão das revendedoras é voluntária e integrantes do governo têm expressado preocupação com o ritmo observado até agora, que estaria abaixo do esperado. O principal problema seriam os preços para o botijão, que consideram uma média praticada em cada estado e que, na visão de parte das varejistas, não é atrativo. Além disso, há relatos na iniciativa privada de resistência política ao programa.

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Dados obtidos pela Folha mostram disparidade nos números de entrada no programa. Enquanto capitais como Fortaleza (adesão de 71% das revendas) e Salvador (62%) têm percentual relevante, outras como Goiânia (34%) e Natal (43%) ficam bem para trás.

Sergio Bandeira de Mello, presidente do Sindigas (Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo), diz que o valor pago pelo governo é um fator decisivo para a adesão das revendas. “Algumas não desejaram aderir, o que é legítimo”, afirma.

Para ele, no entanto, a tendência é que o cenário comece a mudar conforme a iniciativa seja mais conhecida. “Tudo indica que os números devem flutuar ao longo do programa”, afirma ele, que aposta em uma “corrida por adesão” nas próximas fases.

A mudança planejada neste momento é uma alteração para driblar o aumento de governadores no ICMS (Imposto sobre Circulação e Mercadorias e Serviços), um imposto estadual, sobre o gás. Desde 1º de janeiro de 2026, o tributo passou de R$ 1,39/kg para R$ 1,47/kg.

O ajuste é visto como crucial para elevar a remuneração aos revendedores e garantir o credenciamento das lojas com a correta execução do programa. Neste ponto, o impacto calculado é limitado, de R$ 59 milhões, e já recebeu sinal verde do MME (Ministério de Minas e Energia) e das primeiras análises do Ministério da Fazenda –embora nem todos os secretários da equipe econômica tenham estudado o assunto, de acordo com relatos ouvidos pela Folha.

Mas o MME já tem falado em números bem maiores de ajuste para o programa. A proposta de Lei Orçamentária Anual de 2026 foi enviada pela gestão Lula contendo R$ 5,1 bilhões para o Gás do Povo. O Congresso cortou para R$ 4,7 bilhões. Agora, a pasta fala na possibilidade de expandir o valor para R$ 5,8 bilhões em 2026 considerando a necessidade de contemplar todos os usuários do Bolsa Família.

Por meio da assessoria de imprensa, o Ministério de Minas e Energia não comentou valores, mas disse que a meta “é assegurar ampla cobertura territorial e atendimento adequado às famílias beneficiárias, em articulação com os agentes do setor”.

A pasta afirma que 1.600 revendas estão credenciadas, distribuídas nas dez capitais participantes neste momento, garantindo a operação nessa etapa inicial. “Como resultado desse planejamento, 98% das famílias contempladas nesta primeira fase do programa possuem uma revenda credenciada a até 2 km de distância da sua residência, assegurando facilidade de acesso e maior efetividade na concessão do benefício”, diz o ministério.

As regras do programa, que está em fase de implementação gradual, preveem que o beneficiário retire o botijão de 13 quilos na revenda autorizada. A loja, por sua vez, receberá o pagamento correspondente em até dois dias por meio da Caixa.

A gestão Lula afirma que o objetivo do modelo é substituir o Auxílio Gás (criado durante o governo Bolsonaro), pago diretamente no Bolsa Família. De acordo com o governo, os recursos estavam sendo usados pelas famílias para outras finalidades, desviando o foco do programa.

Para ter direito, a família deve estar inscrita no Cadastro Único (CadÚnico) e possuir renda familiar per capita mensal igual ou inferior a meio salário-mínimo. O programa prioriza famílias beneficiárias do Bolsa Família e aquelas com duas ou mais pessoas em sua composição.

A quantidade de recargas anuais varia de quatro a seis botijões, conforme o tamanho da família. Os primeiros pagamentos começaram em novembro de 2025, e a previsão é implementar o programa totalmente até março.

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