Casados há 46 anos, motorista de aplicativo e costureira foram arrastados por enchente pouco antes de chegar em casa

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Maria Deusdete Bezerra Ribeiro, 67 (à esq.), e Marcos da Mata Ribeiro, 68; carro em que o casal estava foi arrastado pela enxurrada nesta sexta (16); bombeiros localizaram corpo do marido no sábado (17) - Arquivo pessoal

O motorista de aplicativo Marcos da Mata Ribeiro, 68, tinha um compromisso diário: buscar a esposa Maria Deusdete Bezerra Ribeiro, 67, na oficina de costura onde ela trabalhava na Vila Andrade, na zona sul da cidade de São Paulo.

Na tarde da sexta-feira (16), Marcos dirigia com a esposa a caminho de casa, no Capão Redondo (zona sul), pela avenida Carlos Cadeira Filho quando o trânsito parou. Faltavam menos de dois quilômetros pra que eles chegassem ao destino, conta o filho do casal, o gerente comercial Hugo Bezerra da Mata Ribeiro, 45.

A chuva forte já atrapalhava o tráfego no local, mas quem fazia a curva contornando a comunidade Campo Novo do Sul não tinha como perceber que o córrego Morro do S, que separa a pista das casas, começava a transbordar.

A água subiu em três minutos, relataram testemunhas. Marcos ainda teve tempo de ligar para o filho. “Eu disse: pai, saia do carro, saia do carro”, conta Hugo.

Não deu tempo de atender ao pedido do filho. A ligação foi interrompida. O veículo, um Hyundai HB20, começou a ser levado pela enxurrada. “Eu só voltei a ver meus pais nas imagens que mostravam moradores tentando jogar uma corda para minha mãe”, conta o filho.

O corpo de Marcos foi localizado no rio Pinheiros, próximo à ponte Edson de Godoy Bueno, na Vila Andrade, também na zona sul, na manhã de sábado (17).

Os bombeiros seguem nas buscas por Maria Deusdete.

Além de Hugo, o casal deixa outro filho e dois netos.

Segundo a Defesa Civil, desde 1º de dezembro, 11 pessoas já morreram em decorrência das chuvas no estado.

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