Salles diz que Eduardo Bolsonaro e Michelle teriam sido candidatos melhores do que Flávio
O deputado federal e ex-ministro Ricardo Salles (Novo) criticou a escolha do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), seu filho mais velho, para a candidatura à Presidência da República.

Salles elogiou o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e disse que seria melhor candidato que o irmão, assim como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL).
“Eduardo é melhor candidato que Flávio. A Michelle, então, melhor ainda”, disse o candidato ao Senado por São Paulo pelo Novo.
As declarações foram feitas na segunda-feira (20) no programa Frente a Frente, da Folha e do UOL.
“Flávio é do ‘game’, é um cara que transita no centrão […] aquele telefonema do Vorcaro mostra isso. Então, acho que o Eduardo fala melhor, tem melhor postura, é mais combativo”, disse.
Para Salles, o presidenciável do PL poderia ter apaziguado situações como os ataques à ex-primeira-dama e evitado divisões dentro da direita. Segundo o ex-ministro, o senador se omitiu. Ao ser perguntado sobre o embate entre Michelle e Flávio, o deputado não opinou, mas elogiou o trabalho dela à frente do PL Mulher. “Ela tem muito valor”, afirmou.
O tarifaço imposto pelo governo do presidente dos EUA Donald Trump contra produtos brasileiros também foi abordado na entrevista. Segundo o parlamentar do Novo, se trata de uma escolha de Trump.
Ele concordou que a medida pode impactar negativamente candidaturas de direita e disse que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), errou ao posar no ano passado com o boné do Maga (Make America Great Again), movimento de direita dos EUA ligado a Trump.
Salles também comentou a reunião ministerial de 2020 em que afirmou a Bolsonaro que aproveitasse a pandemia para “passar a boiada”, em referência ao afrouxamento de normas de proteção ambiental. Ele afirmou que diria a mesma coisa de outra maneira se soubesse que o conteúdo seria divulgado. Também culpou generais presentes no encontro pela divulgação da gravação.
O ex-ministro reclamou ainda de haver três pré-candidaturas à direita para o Senado em São Paulo. Ele afirma, entretanto, que o deputado estadual André do Prado (PL) está “se fingindo” de direta para capturar votos. “É um intruso”, disse.
Ele lembrou o apoio de André do Prado às medidas sanitárias contra a Covid-19 tomadas pela gestão do ex-governador João Dória (ex-PSDB) e o histórico de apoio a candidaturas petistas.
A candidatura de Salles ao Senado foi oficializada mais cedo nesta segunda, em convenção do partido Novo.
O deputado já foi secretário estadual de Meio Ambiente em São Paulo na gestão de Geraldo Alckmin (ex-PSDB, hoje PSB), de julho de 2016 a agosto de 2017. Questionado sobre seu período no governo do então tucano disse: “O Geraldo [Alckmin] era tido, quando trabalhei com ele, como uma pessoa conservadora”, disse.
Salles afirmou que o atual vice-presidente era tachado como conservador até dentro do PSDB, seu partido à época.
O ex-ministro comandou o Ministério do Meio Ambiente no governo Bolsonaro, de 2019 a 2021. A gestão foi marcada por críticas de grupos de ambientalistas. Ele deixou o governo em junho de 2021 após suspeitas de envolvimento em um esquema de contrabando de madeira para o exterior. Ele é réu desde 2023. Devido às mudanças no foro especial, o processo tramita no STF desde 2025.
O pré-candidato criticou o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) por não pautar o impeachment de ministros do Supremo, entre eles, Alexandre de Moraes, relator da ação penal da trama golpista no qual Bolsonaro foi condenado.
Ele não respondeu se votaria favorável à medida hoje, mas disse que analisaria as provas em um eventual processo de impedimento de membros da corte.
Em 2022, foi quinto deputado federal mais votado em São Paulo, com 640 mil votos. Ele ensaiou uma candidatura à Prefeitura de São Paulo em 2024, mas recuou.
Salles também criticou suas principais adversárias ao Senado, Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB). Assim como Tarcísio, ele apontou a origem das pré-candidatas como um problema.
Marina é do Acre, e Tebet, de Mato Grosso do Sul. Ele chamou de “estelionato eleitoral” ambas pedirem votos em São Paulo.
Questionado sobre seu apoio a Tarcísio, que é carioca, afirmou que o governador “não tinha uma carreira política” em outros estados. Salles, entretanto, também fez críticas à origem do aliado, lembrando o fato que o atual governador não soube responder onde votava durante uma entrevista em 2022.
Pesquisa Datafolha do início de julho mostrou que tem Salles 13% das intenções de voto para o Senado por SP. Ele é numericamente o terceiro colocado e está empatado tecnicamente Simone Tebet, em segundo lugar na corrida com 16%. Marina Silva lidera com 18%.
A entrevista foi conduzida pelo editor da coluna Painel da Folha, Fábio Zanini, e pela colunista do UOL Carla Araújo. O Frente a Frente é exibido às segundas-feiras, às 19h, e recebe ao vivo líderes políticos para discutir os rumos do país e as articulações do ano eleitoral.


