Novo presidente da Colômbia posa ao lado de cadáveres em demonstração de força contra narcotráfico

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por The New York Times
O presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, anuncia operação militar com corpos no chão – Reprodução

O presidente da Colômbia está sentado a uma mesa, cercado por autoridades militares e policiais, apresentando o que descreve como prova de uma operação bem-sucedida. Mas as fileiras à sua frente não são de caixas de cocaína ou armas apreendidas. São cadáveres.

Vestindo o mesmo verde-escuro das autoridades militares que o acompanham, Abelardo de la Espriella aparece em um vídeo publicado na quarta-feira (2) em sua conta no X caminhando ao lado de sacos mortuários brancos que, segundo ele, contêm os restos mortais de rebeldes.

O vídeo foi uma manifestação particularmente contundente de uma tática política cada vez mais visível nas Américas: líderes que fazem campanha com um discurso de lei e ordem, usando imagens de supostos criminosos como espetáculo do poder do Estado.

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Especialistas afirmam que essas imagens refletem uma tendência regional de tratar pessoas classificadas como terroristas como inimigos que não merecem as garantias do devido processo legal. Eles apontaram a decisão do governo de Donald Trump de designar narcotraficantes como terroristas e fazer ataques militares no Caribe, que mataram mais de 200 pessoas, como parte dessa mudança.

Trump tem divulgado vídeos de operações de imigração, às vezes acompanhados de músicas populares. O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, transformou imagens de presos em parte de sua estratégia de segurança, divulgando vídeos de detentos tendo a cabeça raspada e sendo conduzidos em marcha para a prisão.

“Quando os Estados Unidos se comportam dessa maneira, fica mais fácil para todos os demais caírem nessa armadilha comportamental”, diz Elizabeth Dickinson, vice-diretora para a América Latina do International Crisis Group. “Não se trata apenas de ‘ele fez algo ruim’, mas de ‘ele é uma pessoa ruim e, portanto, merece qualquer punição que decidirmos impor’.”

Adam Isacson, diretor do Washington Office on Latin America, um instituto de pesquisa, afirma: “É uma tentativa de empolgar as pessoas não apenas com estatísticas sobre a taxa de homicídios, mas com essas imagens propriamente ditas, de uma forma quase caricatural ou semelhante à luta livre profissional, para apelar aos instintos mais primitivos do público.”

Mas esse tipo de imagem tem um peso especial na Colômbia. Durante décadas de conflito armado, a prática dos militares de medir o sucesso pelo número de baixas inimigas produziu um dos episódios mais sombrios de violações dos direitos humanos no país: soldados mataram quase 8.000 civis e depois os apresentaram como guerrilheiros mortos em combate para inflar a contagem de corpos.

O legado desse escândalo do início dos anos 2000, conhecido como os “falsos positivos”, permanece profundamente enraizado na memória dos colombianos.

“A Colômbia tem uma longa história de quase glorificar a violência e as mortes violentas de líderes criminosos”, diz Dickinson. “Há um aspecto performático no que está acontecendo aqui. E isso realmente marca uma mudança e um retorno ao passado.”

Para as comunidades que atravessaram décadas de violência tanto de grupos armados quanto do Estado, as imagens transmitem duas mensagens ao mesmo tempo: que o governo é capaz de derrotar criminosos, mas também que uma nova era de violência em massa pode estar surgindo.

Espriella, um político de ultradireita apoiado por Trump, classificou a operação como um “golpe letal” contra o controle territorial do grupo e como a operação militar mais bem-sucedida na Colômbia nos últimos 12 anos.

“Acabou o tempo em que vocês podiam circular livremente pela Colômbia, contando com um salvo-conduto de um governo que brincava de pega-pega com vocês”, disse. “A determinação de erradicá-los, porque vocês são um câncer, é absoluta.”

Espriella afirmou que 23 pessoas foram mortas e seis capturadas, entre elas um líder de um grupo rebelde dissidente conhecido pelo codinome “Tigre”. Ele o descreveu como o terceiro na hierarquia do grupo.

O presidente disse que o grupo havia recrutado crianças e atacado integrantes do Exército e da Marinha durante as eleições presidenciais deste ano. Também afirmou que uma criança recrutada havia sido resgatada e colocada sob os cuidados do órgão de proteção à infância do país.

Segundo especialistas colombianos em segurança, as fotografias pretendem demonstrar a política de tolerância zero do governo. “Não se trata apenas de uma punição em termos de lei e ordem, mas de uma punição moral”, diz Dickinson. “O caráter celebratório dessas mortes reforça a narrativa de que este é um conflito existencial entre o bem e o mal. É difícil exagerar o poder dessas imagens.”

Em 2016, a Colômbia firmou um acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, o maior grupo rebelde do país, encerrando um conflito de 50 anos com a guerrilha marxista. Mas facções dissidentes que rejeitaram ou posteriormente abandonaram o acordo, além de outros grupos, continuam operando em partes do país.

No auge do conflito, o governo às vezes divulgava fotografias dos corpos de importantes líderes guerrilheiros, inclusive imagens em que os mortos eram exibidos ao lado de altos funcionários do governo.

Mas uma imagem do próprio presidente ao lado de corpos representa algo diferente, diz Jorge Restrepo, diretor do Centro de Recursos para Análise de Conflitos, um grupo de pesquisa colombiano. “Isso parece algo novo neste período pós-conflito”, afirma.

As identidades dos mortos não foram divulgadas, e a operação ainda não passou pelas investigações exigidas após uma ação militar que resulte em mortes. Ao exibir os corpos como “terroristas” derrotados, o governo apagou as distinções entre combatentes e civis, adultos e crianças, e usos legais e ilegais da força, avalia Restrepo.

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