Pai de atirador que matou 4 em escola é condenado a 15 anos de prisão nos EUA

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O pai de um adolescente que matou a tiros quatro pessoas em sua escola de ensino médio na Geórgia, em 2024, foi condenado nesta quinta-feira (30) a 15 anos de prisão, depois que um júri concluiu que ele tinha responsabilidade criminal pelo ataque cometido pelo seu filho.

Colin Gray, pai do atirador que matou quatro em escola na Geórgia, durante audiência em setembro de 2024 – Brynn Anderson – 6.set.24/AFP

O pai, Colin Gray, 55, foi condenado em março por homicídio doloso e culposo, entre outras acusações. Os promotores argumentaram que ele carregava uma parcela significativa da culpa pelo ataque na cidade de Winder porque havia dado ao filho, Colt, então com 14 anos, o fuzil usado por ele e não deu atenção aos sinais de deterioração da saúde mental do garoto e sua crescente obsessão por violência.

Processar os pais de menores de idade que cometem ataques a tiro tornou-se uma das mais recentes frentes na busca por responsabilização em um país frustrado com a recorrente violência armada. O caso contra Colin Gray se destacou pela gravidade das acusações. Sua sentença potencial variava de 10 anos de liberdade condicional a 243 anos de prisão; os promotores haviam pedido uma pena de 80 anos.

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O juiz Nicholas Primm, do Tribunal Superior do condado de Barrow, destacou a novidade do caso, descrevendo-o como o primeiro do tipo na Geórgia e o segundo no país. Ele reconheceu que Gray não havia orquestrado o ataque, nem sequer tinha conhecimento dos planos específicos de seu filho. Mas suas ações —ou, mais precisamente, sua omissão— permitiram que o ataque acontecesse.

“O senhor foi condenado porque os sinais de alerta piscavam cada vez mais intensamente e o senhor não buscou ajuda para ele e não removeu seu acesso às armas”, disse o juiz ao proferir a sentença.

“Está claro que o senhor falhou como pai”, disse o juiz, descrevendo a turbulência familiar e a falta de supervisão sobre Colt Gray, que faltava frequentemente à escola e perdeu o oitavo ano inteiro. “O senhor não proporcionou um lar estável”, acrescentou. “Ele mergulhou cada vez mais fundo nessa obsessão, quando deveria estar na escola.”

Brad Smith, promotor do condado de Barrow, disse que a sentença enviou uma mensagem que ele esperava que repercutisse além do subúrbio de Atlanta onde o ataque aconteceu.

“As pessoas precisam entender que este é um fenômeno que atravessa nossa sociedade, e não devem levar essas coisas de forma leviana”, disse Smith a repórteres na quinta-feira. “Esses jovens não estão em condições de tomar decisões racionais quando se trata de armas de fogo, e nós precisamos, como sociedade, assumir a responsabilidade e reconhecer quem deve e quem não deve ter acesso a elas.”

Colt Gray, que agora tem 16 anos, se declarou culpado de 55 acusações relacionadas ao ataque e foi condenado por Primm na terça-feira (28) à prisão perpétua, sem possibilidade de liberdade condicional. O juiz, nessa sentença, disse que o jovem Gray “compreendia o horror do que estava prestes a fazer”, mas também reconheceu que Gray havia sido abandonado pelos adultos em sua vida, seu pai em primeiro lugar.

Durante seu julgamento, Colin Gray tentou convencer os jurados de que as intenções de seu filho só pareciam claras agora, com o benefício de olhar o caso em restropecto.

Testemunhando em sua própria defesa, ele se retratou como despreparado para lidar com os crescentes problemas comportamentais de seu filho. Dar-lhe um fuzil estilo AR-15 como presente de Natal foi, em sua versão, uma tentativa equivocada de se conectar com o filho e afastá-lo da internet e dos videogames.

“Nenhum pai é treinado para olhar para o próprio filho e vê-lo como um atirador em massa”, disse Brian Hobbs, advogado de Gray, na audiência de sentença na quinta-feira.

Mas os promotores disseram que o ataque, na Escola Apalachee em 4 de setembro de 2024, havia sido precedido por uma série de alertas em uma infância marcada por instabilidade, incluindo mudanças frequentes de casa e de escola, a luta da mãe contra o vício e conflitos entre os pais.

Em seu quarto, Colt Gray havia criado um “santuário” ao adolescente condenado por matar 17 pessoas em Parkland, na Flórida, em 2018, com fotografias e recortes de jornal. Policiais visitaram a casa da família Gray para investigar uma ameaça online de ataque a uma escola rastreada até o endereço deles. E o comportamento do garoto piorou, com explosões violentas e crises de ansiedade, além de declarações a parentes sobre vozes em sua cabeça.

Seus pais discutiram e pesquisaram possíveis opções de tratamento, mas nunca deram continuidade, disseram os promotores. Em vez disso, deram a ele antidepressivos prescritos pela própria a mãe.

Breanna Schermerhorn, mãe de Mason Schermerhorn, um garoto de 14 anos morto no ataque, reconheceu os desafios da paternidade, as situações inevitáveis para as quais nos sentimos despreparados.

Mas este não era o caso de Colin Gray.

“Ele não ficou no escuro”, disse Schermerhorn no tribunal na quinta-feira, ao dar seu depoimento de impacto da vítima. “Ele sabia que seu filho estava em crise”, acrescentou, fazendo uma pausa enquanto sua voz falhava. “Em vez de agir, ele escolheu desviar o olhar. Em vez de intervir, ele escolheu a inação. Em vez de proteger seu filho de si mesmo e proteger a comunidade do perigo que ele representava, ele o armou.”

O caso surgiu enquanto defensores da prevenção à violência armada têm argumentado que a culpa por tais tiroteios nem sempre termina com o autor do crime. No entanto, a busca por uma responsabilização mais ampla tem frequentemente terminado em frustração.

Amplas proteções federais blindam fabricantes de armas da maioria dos processos judiciais. Esforços para processar policiais por respostas falhas, como após os tiroteios em escolas em Parkland e Uvalde, no Texas, não tiveram sucesso. O ativismo das famílias das vítimas e sobreviventes rendeu pouco em termos de restrições ao acesso a armas.

por The New York Times

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