Raio-X das forças de segurança: veja ranking de salários das polícias Civil e Militar nos estados, segundo Fórum de Segurança
Por Arthur Stabile, g1

Os policiais civis do Amazonas têm os maiores salários do país, enquanto os de Minas Gerais recebem os menores, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Entre as polícias militares, Goiás paga a maior média salarial, e o Piauí registra os menores vencimentos brutos do Brasil. Esses dados foram divulgados nesta terça-feira (4) no estudo Raio-X das Forças de Segurança.
Os números têm como base informações passadas pelos estados aos pesquisadores do fórum. Parte dos governos não enviou todas as informações solicitadas pelos pesquisadores, como, por exemplo, o valor de salários líquidos.

Média de salários na Polícia Militar
São considerados no estudo os salários médios brutos (valor inteiro, sem considerar os descontos em folha) de todas as patentes da PM: soldados, cabos, sargentos, subtenentes, tenentes, capitães, majores, tenentes-coronéis, coronéis e aspirantes a oficiais e alunos.
A média brasileira de salário bruto para um policial militar é de R$ 10.329,61. Veja a lista por estado na arte abaixo:


Com base na conta, o estudo identificou que Goiás tem a maior média salarial, com R$ 15.685,47. Aparecem na sequência DF (R$ 14.427,87) e Tocantins (R$ 14.108,50). Os menores salários ficam com Piauí (R$ 6.648,84), Paraíba (R$ 7.832,83) e Maranhão (R$ 8.410,46).
Média de salários na Polícia Civil
Entre os policiais civis, o salário bruto médio no país é maior em comparação aos militares: R$ 15.512,52. Entram nas contas os investigadores, escrivães e delegados. Veja a lista dos estados na arte abaixo:


A maior média salarial está no Amazonas, com vencimentos de R$ 26.824,02, seguido por Tocantins (R$ 21.229,81) e Mato Grosso (R$ 20.476,79). Os menores salários brutos médios ficam em Minas Gerais (R$ 12.195,03), Paraíba (R$ 12.894,22) e Acre (R$ 13.081,94).
Efetivos ficam abaixo do previsto em lei
O estudo também mostra que o Brasil tem déficit nos efetivos tanto de policiais militares quanto de policiais civis: 34% e 45% menores do que o previsto pelos estados, nesta ordem.
Em relação aos PMs, são 413 mil profissionais nos estados, mas a estimativa é de que deveriam ser quase 620 mil. Já o efetivo das polícias civis é de 97 mil investigadores, escrivães e delegados (as carreiras definidas dentro da Civil), enquanto o total ideal deveria ser de 175 mil.
O estudo leva em consideração dados informados pelas secretarias estaduais de segurança pública dos 26 estados e do Distrito Federal. Parte dos estados não enviou todas as informações solicitadas pelos pesquisadores. Para traçar o efetivo previsto, o Fórum pega o número enviado pelas secretarias e compara com o trecho da lei de cada estado que trata do efetivo das polícias.
Os destaques do Raio-X das Forças de Segurança:
- GCMs puxam alta de 3% na quantidade de agentes de segurança no país, com alta de 13% entre os guardas. PMs sobem 2% e polícias civis, 1%. Polícia Federal (-3%) e Polícia Rodoviária Federal (-4%) registram queda no efetivo de 2023 para 2025. Ao todo, Brasil tem 818 mil profissionais das forças de segurança;
- Quase 1,4 mil municípios brasileiros possuem Guarda Civil Municipal. Tropa supera os 100 mil agentes e já é a 2ª maior em números no país – perde apenas para as Polícias Militares;
- 44 municípios possuem efetivos de guardas maiores do que é permitido pela lei;
- Tropa de polícias militares tem déficit de 35% em relação ao definido pelos próprios estados;
- País tem um PM para cada 21 km², em média. No Amazonas, número sobre para um profissional a cada 180 km²;
- Mulheres ocupam apenas 7% dos postos de comando das PMs;
- Efetivo das polícias civis tem defasagem de 45% em relação ao necessário para atuação;
- País tem menos de um bombeiro em média para cada mil habitantes: número é 0,3. Tropa no DF tem um bombeiro para cada km², enquanto número é de um profissional para cada 1.168 km² no Amazonas;
- Quantidade de policiais penais, os agentes penitenciários, caiu 3% de 2023 a 2025, enquanto a quantidade de presos subiu 6% no mesmo período;
- Gastos totais com remuneração da segurança pública estadual (entre servidores ativos e inativos) são de R$ 230 bilhões anuais, o equivalente a 1,8% do PIB previsto para 2025.


