Gilmar aguarda PF e PGR para decidir se autoriza inquérito contra vice de Flávio sob suspeita de estupro de vulnerável

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por Folhapress

Deputado de terno azul escuro segura documento em uma mão enquanto fala para jornalistas que registram com celulares. Pessoas ao redor observam atentamente em sala com paredes de madeira.
O deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) apresenta teste de DNA do primo após ser acusado de estupro de vulnerável durante leitura do relatório da CPI do INSS, no dia 27 de março de 2026 – Augusto Tenório/Folha

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes aguarda a conclusão de diligências pela Polícia Federal e um parecer da PGR (Procuradoria-Geral da República) para decidir se autoriza um inquérito contra o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) sob suspeita de estupro de vulnerável. O parlamentar foi anunciado nesta quarta-feira (5) como pré-candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL).

A PF pediu a abertura da investigação ao Supremo em 15 de abril. Gilmar solicitou manifestação da PGR, a quem cabe definir se chancela o requerimento da corporação. Antes de tomar essa decisão, no entanto, o órgão solicitou novas providências aos investigadores, medidas que também foram autorizadas pelo ministro. Não há informações sobre o teor dessas diligências.

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Segundo uma pessoa a par do caso, o prazo para a conclusão das diligências se encerra ainda neste mês de agosto, mas a PF poderá solicitar mais tempo para a conclusão. Se isso ocorrer, caberá a Gilmar autorizar a prorrogação.

Gaspar nega as acusações e diz que a história divulgada envolveria um primo e, mesmo assim, sem ter havido crime.

Em nota, a campanha de Flávio defendeu o arquivamento do caso pela PF, PGR e STF “de forma urgente”, dizendo que ele “só serve para oposicionistas atacarem a reputação do deputado que já provou não ter nenhuma relação com a denúncia leviana”.

O pedido da PF tem como base representações feitas contra Gaspar pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) e pela senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) em março, durante a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) Mista do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

Gaspar foi o relator da comissão que investigou desvios de cerca de R$ 6,3 bilhões de beneficiários entre 2019 e 2024, por meio de descontos não autorizados em aposentadorias e pensões.

Em 27 de março, os parlamentares apresentaram uma notícia-crime à PF e pediram que a denúncia fosse investigada. Eles dizem que entregaram às autoridades “registros documentais e conversas” que indicam, em tese, “a prática do crime de estupro de vulnerável contra uma menina que, ao tempo dos fatos, contava 13 anos de idade”.

De acordo com Lindbergh e Soraya, “da mencionada violência teria resultado uma gravidez, com posterior nascimento de uma criança”, cujos dados foram compartilhados com as autoridades, sob sigilo. Atualmente, a vítima teria 22 anos e a criança, 8. Eles também dizem que a criança foi registrada como filha da avó, o que “reforça a necessidade de pronta verificação documental e biológica dos fatos”.

Além disso, os parlamentares dizem ter apresentado “prints de conversas e informações complementares” sobre uma terceira pessoa, que “teria passado a atuar como intermediadora (…) com a finalidade de impedir que o fato fosse comunicado às autoridades”. A notícia-crime também cita a negociação de pagamentos de até R$ 400 mil para “assegurar silêncio, impedir a comunicação do crime e garantir impunidade”, dos quais R$ 70 mil já teriam sido pagos.

Alfredo Gaspar negou as acusações no mesmo dia. O deputado afirmou que os parlamentares usaram, para atacá-lo, uma história que envolveria seu primo, o juiz Maurício Breda, do TJ-AL (Tribunal de Justiça de Alagoas). Esse primo, quando ainda era menor de idade, teria mantido relação não forçada com outra menor de idade, que resultou em gravidez.

O deputado mostrou como prova um vídeo de uma mulher chamada Lourilene Pereira, que assume ser filha de Breda e nega conhecer o deputado.

Entretanto, as duas histórias apontam vítimas com idades diferentes. Na versão de Lindbergh e Thronicke, Gaspar teria uma filha de cerca de 8 anos com registro materno em nome da avó por ter sido fruto do estupro de uma criança de 13 anos à época.

Já na versão de Gaspar, que nega as acusações e diz nunca ter estuprado alguém ou ter filhos fora do casamento, a filha da vítima da relação com Breda é adulta. Ele disse que seu DNA estaria disponível para outros testes.

À época, questionado sobre o fato de que a acusação e a defesa dele abordam vítimas de idades diferentes, o relator e sua equipe sustentaram que não houve estupro e que o PT não tem provas, mas não responderam diretamente. Lindbergh e Thronicke disseram a interlocutores, também em março, que se trata de casos diferentes.

Em nota divulgada nesta quarta, a campanha de Flávio afirmou que Lindbergh e Thronicke “lançaram uma acusação mentirosa e de extrema gravidade sem apresentar qualquer prova, indício mínimo e nem sequer existência de vítima”, com o objetivo de tumultuar o relatório da CPI do INSS.

Gaspar, diz o comunicado, acionou a PF, a PGR e o STF contra os dois parlamentares sob suspeita dos crimes de calúnia, denunciação caluniosa, injúria e coação no curso do processo.

Nesta quarta, a Folha questionou novamente a assessoria do deputado sobre o tema e pediu que a divergência de idade nas duas histórias fosse explicada, mas não houve resposta.

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