PF mira presidente do PCO em operação sobre suspeita de desvio de fundo partidário e eleitoral
por Folhapress

A Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão nesta terça-feira (11) em endereço de Rui Costa Pimenta, presidente do PCO (Partido da Causa Operária) e candidato à Presidência da República, em uma operação sobre suspeitas de desvio de recursos do fundo partidário e do fundo eleitoral.
A ordem foi dada pela Justiça Eleitoral, e a ação coordenada pela PF do Distrito Federal foi intitulada Operação Causa Própria. A decisão que trata do caso determina o afastamento por 180 dias do cargo partidário.
Em nota, o partido disse que a medida é “ilegal, antidemocrática, uma óbvia perseguição política e eleitoral e uma tática de intimidação”.
“Homens armados da PF apresentaram um descabido mandado judicial, às 6h, e adentraram a casa de Rui, bem como invadiram um escritório, em outro endereço, que estava vazio, arrombando portas e o portão de sua casa”, diz a nota.
“Qual seria o motivo? O que buscavam? O partido e Rui até agora não fazem ideia. Rui descobriu a operação quando os policiais arrombaram seu portão.”
Segundo a PF, a investigação foi iniciada a partir da prestação de contas eleitorais e partidárias submetidas à Justiça e também de relatórios de inteligência financeira.
O órgão diz que “há indícios de que recursos públicos destinados à atividade político-partidária e eleitoral tenham sido direcionados a empresas e a pessoas físicas sem capacidade operacional compatível com os valores recebidos ou com vínculos diretos ou indiretos com integrantes da estrutura partidária investigada”.
Além da busca e apreensão, a PF cumpre medidas cautelares como o bloqueio de contas bancárias e de bens. Foi determinado um bloqueio de até R$ 4,5 milhões sobre os alvos, correspondente à suspeita mínima de dano ao patrimônio público.
“Os fatos investigados podem caracterizar, em tese, os crimes de apropriação indébita eleitoral, falsidade ideológica eleitoral e lavagem de dinheiro, sem prejuízo de outras infrações penais identificadas no decorrer das investigações”, diz o órgão.
De acordo com o site Metrópoles, a investigação envolve um suposto esquema de pagamentos do partido feitos a gráficas.
Rui Costa Pimenta foi candidato à Presidência pelo PCO em outras três ocasiões: 2002, 2010 e 2014.
A nota do PCO diz ainda que “a única coisa descoberta pela PF é que o serviço foi prestado e que o partido realiza campanhas extremamente espartanas”.
“Ao invadir a casa de Rui, também descobriram que o companheiro vive uma vida simples, sem luxos, sem dinheiro guardado, mais humilde do que os agentes que invadiram sua casa, no bairro do Jabaquara”, afirma o partido.
“Rui ainda teve de apontar o fato de que sua maior riqueza era a sua biblioteca, algo que quem já esteve na residência do companheiro poderá confirmar. Os agentes, decepcionados, tiveram de se contentar em levar o celular e o passaporte. Sem joias, sem bens preciosos ou qualquer coisa similar”, diz o PCO.


