Como pai e filho na lista da Interpol foram encontrados em zona rural do interior de SP um ano após assassinato de amigos no Paraná
Por g1 Piracicaba e Região

Um ano após o assassinato de quatro amigos depois de viajarem para cobrar uma dívida de R$ 255 mil, pai e filho que estavam na lista vermelha da Interpol foram localizados e presos em um sítio na zona rural do interior do estado de São Paulo, na terça-feira (18).
Antônio e Paulo Ricardo Buscariollo estavam escondidos em um sítio em Rio das Pedras (SP), cidade com 32 mil habitantes e a cerca de 811 quilômetros de Icaraíma (PR), onde os crimes ocorreram em agosto de 2025.
Outros dois filhos de Antônio também foram alvo da operação. Carlos Henrique Buscariollo foi preso em Santa Bárbara d’Oeste (SP) por suspeita de ter dado apoio financeiro para a fuga do pai e irmão. Carlos Eduardo Buscariollo foi o quarto alvo, mas ele já estava preso por tráfico de drogas em São Bernardo do Campo (SP).
➡️ Relembre o caso: No dia 4 de agosto de 2025, Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi e Diego Henrique Afonso viajaram para encontrar com Alencar Gonçalves de Souza e cobrar uma dívida de R$ 255 mil da família Buscariollo. Os corpos deles foram encontrados mais de um mês depois (veja detalhes abaixo).
Segundo o delegado Leonardo Luiz Martinez, da 7ª Subdivisão Policial de Umuarama, a dupla foi localizada após os investigadores descobrirem vínculos da família Buscariollo com Santa Bárbara d’Oeste, município a cerca de 38,8 quilômetros de distância de onde os suspeitos estavam.
“Foi esmiuçado o núcleo familiar [da família Buscariollo] e a gente detectou que eles eram de Santa Bárbara. Inclusive eles respondiam lá por umas medidas de prestação de serviço comunitário. Eram pessoas rastreadas. Então foi daí que a gente soube que existiam residências lá”, disse o delegado.
O advogado Renan Farah, que representa os três presos, disse que aguarda a audiência de custódia dos clientes em Piracicaba (SP) nesta quarta (19). Segundo ele, Carlos Henrique não estava na cidade na data do assassinato e, por isso, não teria envolvimento com as mortes.
A Polícia Civil informou que acredita que outras pessoas possam estar envolvidas nas mortes, mas os nomes ainda não foram divulgados. Os presos foram encaminhados a Umuarama (PR).
Como a polícia chegou ao sítio em Rio das Pedras

Com a fuga de Antônio e Paulo Ricardo, os investigadores passaram a acompanhar os possíveis deslocamentos e locais onde eles poderiam estar escondidos. Eles conseguiram confirmar que os dois passaram por Santa Bárbara d’Oeste enquanto estavam foragidos.
Ainda conforme o delegado, foi realizada uma operação em Santa Bárbara d’Oeste em dezembro de 2025. Mesmo não os prendendo nessa ocasião, eles seguiram acompanhando os deslocamentos da família e começaram a monitorar o sítio em Rio das Pedras.
Segundo a Polícia Civil do Paraná, pai e filho tentaram fugir, mas foram capturados em uma área de mata — assista ao momento da prisão no vídeo abaixo.
Em dezembro de 2025, dois policiais civis foram alvo de mandados de busca e apreensão por suspeita de terem ajudado os Buscariollo a fugir. Ao g1, a polícia informou que o procedimento administrativo que apura a conduta dos agentes ainda está em andamento.
A propriedade em questão não pertencia à família Buscariollo e, segundo a Polícia Civil, o dono do sítio ainda será ouvido pelas autoridades. Veja as imagens do sítio onde a dupla estava escondida:



O crime
Segundo a investigação, Alencar Gonçalves de Souza havia vendido o imóvel para a família Buscariollo, e o pagamento foi dividido em dez vezes de R$ 25 mil. Nenhuma das parcelas foi paga e, por isso, os três amigos de Alencar — Robishley, Rafael e Diego — viajaram de São José do Rio Preto (SP) para Icaraíma (PR) para cobrar o dinheiro.
Os quatro foram vistos pela última vez em 5 de agosto de 2025 e, inicialmente, o caso foi tratado como um desaparecimento. Antes de sumirem, eles ainda haviam conversado com familiares pela última vez.
No entanto, mais de um mês depois, os corpos foram encontrados enterrados em um bunker, uma estrutura subterrânea, a cerca de quatro quilômetros da propriedade rural onde, segundo a investigação, ocorreram os assassinatos.
A Polícia Civil acredita que os quatro foram mortos em uma emboscada quando retornaram à propriedade dos suspeitos, por volta das 12h30 daquele dia.



