Lula recebe advogado de Lulinha, ouve queixa de vazamentos e pede que filho explique acusações

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por Folhapress

Homem de barba grisalha usa chapéu de palha com faixa preta e camisa azul clara, apoiando o queixo na mão direita. Ao fundo, desfocada, a bandeira do Brasil com o brasão presidencial.
O presidente Lula em cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília – Evaristo Sá -5.ago.26/AFP

O presidente Lula recebeu no Palácio da Alvorada, na noite de quarta-feira (19), o advogado Marco Aurélio de Carvalho, que defende o filho do chefe de governo e coordena a campanha presidencial petista em São Paulo. O ex-ministro e candidato a governador do estado pelo PT, Fernando Haddad, também participou do encontro.

A conversa teria sido marcada para discutir a campanha presidencial –por isso a participação de Haddad. Apesar disso, o caso Lulinha foi abordado. O chefe do governo ouviu do advogado reclamações sobre a conduta da Polícia Federal.

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Fábio Luiz, filho do presidente que ficou nacionalmente conhecido como Lulinha e é defendido por Marco Aurélio, é alvo de três inquéritos no STF (Supremo Tribunal Federal). A PGR (Procuradoria-Geral da República) pediu que o caso deixe a Suprema Corte e vá para a primeira instância, uma vez que não há envolvidos com foro privilegiado.

As suspeitas são em torno de uma suposta atuação com a lobista Roberta Luchsinger para tentar vender medicamentos à base de canabidiol para o Ministério da Saúde.

De acordo com investigação da PF (Polícia Federal), a lobista dizia representar o filho de Lula. Também queria, segundo as apurações, 20% de remuneração no projeto que tentava vender ao governo.

As investidas no Ministério da Saúde não prosperaram. A defesa de Lulinha nega qualquer irregularidade. Como advogado do filho do presidente, Marco Aurélio de Carvalho classificou como “esculhambação” a atuação de setores da PF que vazam informações.

Segundo relatos obtidos pela Folha, a conversa de quarta-feira entre o presidente e Marco Aurélio foi marcada para discutir a campanha de Lula em São Paulo, estado com o maior número de eleitores no Brasil.

Depois da conversa sobre eleição, teria partido de Marco Aurélio a iniciativa de tocar no caso Lulinha. O advogado se queixou ao presidente dos vazamentos de informações da PF, e teria pedido que o Ministério da Justiça agisse para impedir que a situação se repita.

A defesa de Lulinha já havia feito cobrança semelhante diretamente ao ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, e ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. A equipe de advogados também sustenta que há uma tentativa de pescaria pelas autoridades –ou seja, fazer buscas sem um objeto claramente definido para tentar encontrar algo incriminador.

O presidente da República, também de acordo com os relatos obtidos pela reportagem, teria dado a orientação para Fábio Luis se colocar à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.

O chefe do governo também teria repetido, reservadamente, falas que já fez diversas vezes em público: que o filho precisa provar sua inocência e que não interferirá na PF para proteger Lulinha.

O presidente da República disse publicamente na última semana ter instruído os advogados a não pedirem o arquivamento da investigação. Marco Aurélio de Carvalho, porém, planeja solicitar o arquivamento.

As investigações colocaram o tema da corrupção novamente no caminho de uma campanha eleitoral de Lula. Também reduziram a capacidade de o grupo político petista infligir dano à imagem de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário na corrida presidencial, por causa do escândalo envolvendo o antigo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Em maio, o site The Intercept Brasil divulgou um áudio no qual Flávio pedia dinheiro a Vorcaro para concluir um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O caso ficou conhecido como “Dark Horse”, título do filme que precisaria de recursos para ser finalizado.

Petistas vislumbravam a possibilidade de vencer o adversário nas discussões sobre combate à corrupção, tema que causa desgaste a candidatos do partido desde os escândalos do Mensalão e da operação Lava Jato.

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