Apresentador Pavinatto diz que foi banido do WhatsApp após compartilhar filme proibido da Xuxa

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por coluna Mônica Bergamo, Folhapress

Homem vestido com terno preto, camisa branca e gravata verde com estampa laranja está em pé em estúdio de TV. Ao fundo, tela azul com texto parcialmente visível e iluminação profissional no teto.
Tiago Pavinatto quando era apresentador do programa Linha de Frente e comentarista do Os Pingos nos Is – Divulgaçao

O advogado, escritor e apresentador Tiago Pavinatto teve a conta do WhatsApp banida no domingo (16) e afirma que pretende processar a Meta, dona do aplicativo. Segundo ele, a plataforma informou apenas que sua atividade recente não seguia os Termos de Serviço e que não seria possível pedir uma nova análise.

Procurada, a Meta afirmou que não irá comentar.

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Pavinatto diz que o bloqueio ocorreu depois de encaminhar, pelo aplicativo, um trecho de menos de um minuto do filme “Amor Estranho Amor”, que é protagonizado pela apresentadora Xuxa, a três pessoas envolvidas na produção de uma reportagem: sua editora-chefe, um advogado especializado em direito privado e um produtor audiovisual.

A discussão, segundo Pavinatto, trataria da retirada judicial de circulação do filme no Brasil e da manutenção de sua exibição em outros países, como Estados Unidos e Canadá.

Na trama do filme, a personagem de Xuxa tem relações sexuais com um garoto de 12 anos, interpretado pelo ator Marcelo Ribeiro. A atriz entrou com uma ação 12 depois de ele ser rodado, alegando que a comercialização do filme em home video não fazia parte do contrato dela com o estúdio. O então juiz Luiz Fux proibiu a comercialização de “Amor Estranho Amor”, decisão mantida até 2018.

Em conversa com Lilian Estevanato, gerente de governos e políticos da Meta, à qual a coluna teve acesso, Pavinatto recebeu a confirmação de que a decisão havia sido considerada definitiva pela empresa.

“Após uma análise minuciosa, foi confirmado que a conta violou os termos de serviço do WhatsApp. Quando identificamos violações dessas políticas, tomamos medidas para remover a conta infratora da nossa plataforma. Essa decisão é definitiva”, escreveu Estevanato.

Em outra mensagem, ela afirmou que nem ela própria tinha acesso ao motivo específico do bloqueio. “Existem duas questões: a primeira de privacidade de dados, porque pode incluir denúncias, e também porque a Meta em si não tem como confirmar de quem é a conta, então nem nós ficamos sabendo”, disse.

O apresentador disse que também tentou falar com o head do WhatsApp no Brasil, Guilherme Horn, mas não teve resposta. “O que mais me desespera é o fato do CEO se negar a responder e, pior, a head do compliance dizer que de fato deu game over”, disse.

Pavinatto afirma que a perda do acesso representa também o desaparecimento de um arquivo pessoal e profissional construído ao longo de mais de uma década. “Eu to sem chão com o tanto de dados e contatos profissionais e pessoais, fontes e registros históricos”, disse à coluna. Entre as conversas, cita trocas de mensagens com o jornalista José Roberto Guzzo, que, segundo ele, integrariam um livro que estava preparando.

“Meu WhatsApp tem conversas com ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), presidentes da República, senadores, deputados, autoridades de outros países”, afirmou.

O bloqueio, segundo Pavinatto, também afetaria serviços que usam o número para autenticação em duas etapas. “Os problemas de acesso vão em efeito dominó”, afirmou.

Ele afirma que prepara medidas contra a Meta nas esferas administrativa e judicial e também pretende recorrer por via consular.

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